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Presidente da Fiocruz toma posse como membro titular da ABC

07/10/2021

Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)

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A Academia Brasileira de Ciências (ABC), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Fundação Conrado Wessel (FCW) e a Marinha promoveram, na quarta-feira (6/10), uma sessão solene online que contou com uma série de atividades em homenagem a pesquisadores brasileiros de todos os campos do conhecimento. Na ocasião foi entregue a edição de 2021 do Prêmio Almirante Álvaro Alberto, o mais importante do CNPq e que tem o apoio da Fundação Conrado Wessel. A homenageada foi a antropóloga luso-brasileira Maria Manuela Ligeti Carneiro da Cunha, professora da Universidade de São Paulo (USP), referência nos estudos sobre etnologia e antropologia histórica e reconhecida como uma importante intelectual e militante dos direitos dos povos indígenas do Brasil. A presidente da Fiocruz, a socióloga Nísia Trindade Lima, foi apresentada como um dos novos membros titulares da ABC, na categoria Ciências Sociais.

 

 

 

A sessão contou ainda com homenagens do CNPq a cientistas de diversas áreas, que receberam o título de Pesquisador Emérito. O título é concedido ao pesquisador, brasileiro ou estrangeiro, radicado no Brasil há pelo menos 10 anos, pelo conjunto de sua obra científico-tecnológica. Também foram entregues Menções Especiais de Agradecimentos, que são concedidas a pessoas físicas ou jurídicas pelos serviços prestados ao crescimento, desenvolvimento, aprimoramento e divulgação do CNPq. A solenidade teve a participação do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, do presidente do CNPq, Evaldo Vilela, do comandante da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, do presidente da ABC, Luiz Davidovich, e do diretor-presidente da FCW, Erney Plessman de Camargo.

 

 

Assim como a presidente da Fiocruz, foram apresentados novos membros da ABC nas categorias Titular, Afiliado, Correspondente e Colaborador. Segundo o presidente da ABC, Luiz Davidovich, 43% dos novos membros deste ano são mulheres, o que faz parte do objetivo de conferir mais diversidade e inclusão. No total, apenas 17% dos membros da ABC são mulheres.

 

 

A agrônoma Mariangela Hungria da Cunha, membro titular da ABC e pesquisadora da Embrapa, saudou os novos membros em nome da ABC e recordou as muitas horas de esforço e dedicação, os muitos fins de semana passados em laboratórios e bancadas, a energia investida em artigos científicos, os incontáveis ensaios e testes. “Fazemos milagres, tendo em vista os poucos recursos de que dispomos no Brasil. Deus é brasileiro e adora a nossa ciência. Nossos cientistas são capacitados, embora muitas instituições estejam sucateadas. Somos uma potência agrícola, mas muitos brasileiros não têm o que comer. Milhões não vão à escola. Nossos biomas ardem e nossas florestas caem. São muitos os desafios, nas mais diversas áreas. Mas somos criativos, resilientes e confiantes”.

 

 

O médico Arnaldo Lopes dos Santos, especialista em doenças infecciosas, também fez uma saudação aos novos membros, citou os desafios impostos pela pandemia de Covid-19 e lamentou os milhões de mortos em todo o mundo. Ele disse que é imperativo garantir assistência de qualidade aos milhões que venceram a doença mas que terão sequelas nos próximos anos e décadas. “É fundamental que estejamos atentos e aptos a enfrentar a cadeia de mudanças provocada pela ação do homem no mundo natural. É preciso rever a exploração predatória dos recursos naturais, o crescimento desordenado das cidades, a falta de saneamento e de tratamento dos resíduos. E é necessário estar atentos à emergência de patógenos e à disseminação de doenças”.

 

 

Para Santos, a ciência tem que reafirmar sua capacidade de contribuição para superação do que chamou de pior crise mundial em 100 anos e combater a desesperança. Emocionado, ele leu trechos do poema Mãos dadas, de Carlos Drummond de Andrade.

 

 

Nísia Trindade Lima, primeira mulher a ocupar o cargo de presidente da Fiocruz, foi apresentada como doutora em Sociologia pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro e professora da Uerj. Foi destacada a atuação dela nas emergências sanitárias de zika, chikungunya e Covid-19. E também suas pesquisas sobre o pensamento social brasileiro, a história das ideias em saúde pública, o sertão no pensamento brasileiro, a história do desenvolvimento no Brasil e a história das ciências sociais em saúde.

 

 

O evento destacou ainda com o lançamento do novo vídeo de animação da série Ciência gera desenvolvimento, da ABC, com uma homenagem ao médico e farmacologista Sérgio Henrique Ferreira. E houve a cerimônia de entrega da Medalha Henrique Morize 2021 ao ex-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, o físico Ildeu de Castro Moreira.

 

 

A sessão solene marcou o início da Reunião Magna da ABC 2021, que tem como tema Ciência: A fronteira infinita. Veja a programação para os dias 8, 13 e 15 de outubro.

 

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