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Lançada edição de outubro da Cadernos de Saúde Pública

Pessoa escrevendo

08/10/2021

Fonte: Ensp/Fiocruz

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Por meio de seus editoriais, o Cadernos de Saúde Pública tem debatido sobre os processos que envolvem a produção do conhecimento e a divulgação científica no campo da Saúde Pública/Saúde Coletiva. Segundo Martha Cristina Nunes Moreira, vice-diretora de Ensino do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira/Fiocruz e editora associada de CSP, o fascículo de outubro da revista cumpre ao menos duas funções: reconhecer que pouco esclarecemos aos autores sobre o que consideramos relevante em um artigo no estilo de resenha crítica; e valorizar a função autoral e de divulgação acadêmica atualizada que uma resenha crítica pode oferecer.

Nesse sentido, completa ela, valorizar os livros, desenvolver a interpretação e a crítica na leitura, pode se tornar um belo exercício de cultivo e de estímulo a novos autores: que sejam criativos, analíticos, leiam, interpretem e não produzam e reproduzam a cultura do plágio e do pastiche. “A resenha crítica como estilo de texto acadêmico produz um círculo virtuoso de ler/oferecer/retribuir. Ela reconhece tanto o autor do livro e a obra, quanto faz com que esse leitor, ao se tornar autor e crítico pela resenha construída, alcance outros possíveis leitores, conquistando, inquietando, provocando o desejo de ler e escrever.”

No mundo editorial qual seria o lugar de uma resenha crítica?, questiona o editorial da revista. A resposta a essa questão está relacionada a outras duas que devem guiar qualquer exercício de elaboração de um texto acadêmico: o que queremos e sobre o que desejamos escrever, pesquisar, comunicar? Em que lugar nos situamos quando pretendemos publicizar resultados de pesquisas ou produzir conhecimento na forma de artigos originais, artigos de opinião, ensaios teóricos e aqui, em nossas lentes, resenhas críticas de livros?

Em uma rápida busca por periódicos da área de Saúde Coletiva/Saúde Pública e de Ciências Humanas e Sociais, CSP reconhece uma lacuna sobre o que uma resenha crítica no formato acadêmico deve contemplar. “Talvez porque ainda valorizemos pouco esse estilo acadêmico, e porque precise estimular e valorizar a iniciação de novos leitores que exercitem a interpretação, análise e discussão crítica.”

Em uma retomada histórica, sobre o uso e o significado do termo, de acordo com o editorial, três campos convergiram ao longo dos séculos para o reconhecimento da função social do autor, no que diz respeito a publicização de ideias e vozes: aquele que permite a continuação, o aumento e a função de porta-voz pela autoria; aquele que cria, inventa e promove ideias; e aquele que possui autoridade, conjuga soberania e poder com sua autoria.

Em CSP, acrescenta Martha Cristina, os manuscritos submetidos para avaliação na seção Resenhas, em geral, podem vir a apresentar dois grandes problemas de partida: com relação ao livro/obra resenhada, a mesma não cumpre critérios acadêmicos; a ausência de um tom autoral comprometido com uma descrição dos capítulos, reproduzindo uma apresentação acrítica do livro.

Frente ao primeiro problema, “faz-se necessário olhar para uma publicação, e saber reconhecer a diferença entre um livro - com conselho editorial, editora comercial pertencente à Associação Brasileira de Editores Científicos, ligada a uma editora universitária ou reconhecida pelo campo de estudos - e uma obra de referência, que mesmo sem as características anteriores, ainda assim ganha valor de obra”. Nesse último caso, completa ela, uma obra publicada pode operar como documento, que congrega posicionamentos de agências internacionais, intelectuais do campo, ativistas, policymakers. “Podemos ter tanto o livro no primeiro formato, como o livro como e-book, como livro de referência publicado por uma agência internacional, nacional e organização da sociedade civil.”

Com relação ao segundo problema, o editorial explica, que indica recusa e compromete a publicação, seu contraponto aqui, pedagogicamente esclarecido, deve primar por algumas características: a leitura crítica, a análise precisa e de campo, a capacidade de síntese, acionando autores e localizando conceitos centrais em seus limites e alcances, valorizando interpretação e um diálogo com eixos centrais da obra. Cabe ainda, “quando o tema está na interface com o campo das políticas públicas, acionar um certo estado da arte nesse contexto, como suporte inicial do texto”. Em algumas resenhas, “quando é uma obra de único autor e/ou um autor reconhecido no campo, pode valer uma incursão breve sobre seus antecedentes e argumentos”. Nisso, segundo o editorial, pode ser importante retomar uma breve biografia do autor, o que se torna um desafio quando é uma obra organizada e de múltiplas autorias. Outro destaque a ser assinalado, conforme o editorial, quanto ao ponto dois, e que orienta uma boa resenha, é buscar o que poderiam ser os pontos fracos na obra, e como o autor os enfrentou.
Martha Cristina entende que esse caminho precisa, portanto, de uma construção autoral, um argumento, um fio condutor, que opera como antídoto ao tom descritivo, da armadilha de apresentar a obra como uma reprodução fria de seus capítulos, seções. Mesmo que caiba uma breve apresentação, esta deve estar colocada no interior de uma análise, com quantidade de referências adequada. O conteúdo principal da resenha deve ser direcionado para o desenvolvimento da análise crítica da obra.

O editorial conclui que a resenha crítica não substitui a leitura do livro, mas deve convidar os possíveis interessados a se tornarem leitores, oferecer a mão, envolver, abraçar e convidar para visita à leitura. “O autor que se propõe de forma espontânea, ou é convidado pelo corpo editorial de CSP para elaborar uma resenha crítica de um livro, se torna antes de tudo um leitor arguto, que irá estabelecer com a obra resenhada um diálogo crítico.” E cabe destacar, agrega o editorial, que a resenha crítica publicada na CSP cumpre a função de estimular a atualização bibliográfica e o amadurecimento do campo da Saúde Pública/Saúde Coletiva.

Os artigos da edição de outubro de 2021 estão disponíveis no site da revista Cadernos de Saúde Pública.
 

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