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25/10/2019

Fiocruz e CNRS celebram continuidade de parceria

Autoridades das instituições

Por: Julia Dias (Agência Fiocruz de Notícias)

A Fiocruz e uma das principais instituições francesas de pesquisa, o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS), oficializaram a continuidade de uma parceria histórica com um simpósio comemorativo de três dias. De 16 a 18 de outubro, o evento conjunto Uma agenda de cooperação em saúde promoveu a troca entre pesquisadores de ciências sociais e humanidades aplicadas à área da saúde e marcou a celebração dos aniversários das duas instituições, que somam 200 anos de história. Em 2019, o CNRS comemora seus 80 anos e a Fiocruz se prepara para a celebração dos seus 120 anos, completados em maio de 2020.

“Esse simpósio é fruto de uma longa e frutuosa cooperação”, explicou a diretora do Escritório Sul-Americano do CNRS no Rio de Janeiro, Olga Anokhina. Ela esclareceu que não é possível precisar o início da parceria, uma vez que ela foi oficializada em 2006, mas já existia anteriormente através da cooperação entre pesquisadores e laboratórios.

“Tratam-se de duas instituições que possuem muito em comum, como sua antiguidade, sua ampla presença em seus territórios nacionais, a diversidade das linhas de pesquisa e o reconhecimento internacional”, salientou Olga, complementando que as diferenças também existem e que tornam a parceria ainda mais interessante por se complementar.

A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, reforçou a importância de agências de fomento, como o CNRS na França e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Brasil, que tem como parte de sua missão enfrentar os desafios éticos colocados para a ciência após a Segunda Guerra. Esses desafios também trazem para o debate a importância das ciências sociais para se pensar a ciência. “É importante que a ciência contemple os temas que esse simpósio coloca”, afirmou.

A palestra de abertura foi dada pelo coordenador do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, que falou sobre os impactos da pobreza e da desigualdade na saúde na Residência Oficial da Fiocruz, no dia 16 de outubro. O pesquisador apresentou dados sobre o Brasil e América Latina que demonstram o quanto fatores como desemprego, saneamento básico e crises econômicas impactam indicadores básicos de saúde, como mortalidade infantil, mortalidade materna e expectativa de vida. 

Além disso, o ex-presidente da Fiocruz e professor emérito da Fundação destacou que as desigualdades, não só de renda, mas também de gênero, raça e de regiões também são um importante fator de impacto na saúde humana. Nestes campos, as ciências sociais têm muito a colaborar na compreensão de uma melhor saúde. “O caráter multidimensional da causalidade em saúde – biológica e social – exige a convergência de diversas disciplinas para gerar evidências e responder às necessidades em saúde e a superação da pobreza e das desigualdades”, afirmou Buss.

As quatro mesas do evento, realizados no Salão Internacional da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), trataram questões contemporâneas para a saúde global, como migrações, epidemias, populações vulneráveis e acesso à sistemas de saúde, os impactos das mudanças climáticas e de desastres ambientais na saúde, e os desafios do compartilhamento de bancos de dados. 

“Nesse simpósio pudemos ver como temos muitas questões em comum relacionadas aos nossos sistemas de saúde, mas também como somos parte do mesmo mundo, por isso dividimos questões semelhantes ligadas aos movimentos de migração massivos, à mudança climática, à pobreza e outros. Também temos questões comuns relacionadas a decisões públicas e liberdades individuais, como os problemas com a vacinação ou questões éticas em discussão como aborto e eutanásia. Por último, temos que olhar para a inovação tecnológica e médica e o uso e compartilhamento de dados em saúde”, disse a diretora adjunta do Instituto de Ciências Sociais e Humanas do CNRS, Marie Gaille.

Marie, que é filósofa, considera que cooperações entre países de fala não-inglesa e entre países do norte e do sul, como França e Brasil, podem contribuir muito para os debates atuais em Saúde Global. “Esse simpósio reuniu cientistas sociais e de ciências humanas que possuem uma tradição de multidisciplinariedade, o que é muito importante porque a saúde é um tema global que precisa ser abordado de vários ângulos”, afirmou.

“As ciências sociais e humanas podem e devem responder às epidemias, desastres e suas consequências”, disse o organizador do evento e coordenador da Rede Zika de Ciências Sociais, Gustavo Matta. 

Entre as ações acordadas para continuidade da parceria, Matta destacou que um outro Simpósio, a ser realizado em 2020 na França, e a publicação de um artigo conjunto com a proposta de uma agenda de pesquisa estão previstos para seguir debatendo os principais temas identificados. Por último, a cooperação também prevê o intercâmbio de alunos e pesquisadores das duas instituições.

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