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Fiocruz e MS implementarão Wolbachia no Mato Grosso do Sul

Cientista trabalhando em um laboratório

18/02/2020

Por: Guilherme Costa (WMP Brasil), com informações da Agência Saúde

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O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o líder do WMP no Brasil e pesquisador da Fiocruz, Luciano Moreira, assinaram nesta segunda-feira (17/2), junto com o governador do Estado do Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja, um termo de cooperação para implementação do Método Wolbachia em Campo Grande (MS). A assinatura ocorreu na abertura do Encontro Estadual de Vigilância em Saúde: Integração, Vigilância e Atenção Primária, evento promovido pela Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul.

O Termo de Cooperação irá definir as responsabilidades do Ministério da Saúde, dos governos estadual e municipal, e do WMP Brasil/ Fiocruz na implementação do Método Wolbachia na capital sul-mato grossense. O ministério elaborou, com apoio do WMP Brasil/Fiocruz, o Procedimento Operacional Padrão, documento que descreve as atividades a serem realizadas para expansão desta iniciativa nas cidades onde o método será implementado. Petrolina (PE) e Belo Horizonte (MG) são os próximos municípios a receberem a Wolbachia. 

Em Campo Grande (MS), a implementação do Método Wolbachia será feita de forma gradativa. O município foi dividido em seis áreas de atuação. Os agentes de saúde da primeira área já foram capacitados para começarem as atividades de engajamento comunitário dessa região, que inclui o diálogo com a população sobre a importância do combate ao mosquito Aedes aegypti. Depois, será realizada avaliação da população quanto à aceitação do projeto. Somente após essa etapa é que se inicia a soltura dos mosquitos com Wolbachia, com posterior monitoramento do estabelecimento dos mosquitos com a bactéria. 

O Laboratório Central de Mato Grosso do Sul (Lacen) irá receber os ovos do mosquito com Wolbachia que serão produzidos pelo WMP Brasil, no campus da Fiocruz, no Rio de Janeiro. Serão realizados envios semanais para que seja feita a eclosão dos ovos e, depois, os mosquitos adultos sejam soltos na capital sul-mato grossense. A previsão é que a liberação dos Aedes com Wolbachia comece no próximo semestre. 

Método Wolbachia

A Wolbachia é uma bactéria presente em mais de 60% dos insetos no mundo. Em laboratório, os pesquisadores do WMP conseguiram introduzir esta bactéria, que foi retirada da mosca-da-fruta, dentro dos ovos de Aedes aegypti. Foi comprovado que, quando a bactéria está presente no mosquito, os vírus da dengue, zika, chikungunya e febre amarela não se desenvolvem bem, reduzindo a sua transmissão.

O objetivo do WMP é substituir a população local de Aedes aegypti pelo mosquito com Wolbachia. Isso é possível na medida que a bactéria é transmitida naturalmente da fêmea para seus descendentes, que já nascem com a Wolbachia, garantindo a autossustentabilidade do Método. Esta iniciativa não usa qualquer tipo de modificação genética. 

O Método Wolbachia está em implementação em 12 países do mundo pelo World Mosquito Program (WMP), iniciativa sem fins-lucrativos que trabalha para combater as doenças transmitidas por mosquitos. No Brasil, o Método é conduzido pela Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde. Resultados preliminares do WMP apontam redução de 75% dos casos de chikungunya em Niterói, 76% de dengue na Indonésia e fim da transmissão local de dengue no norte da Austrália. 

 

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