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Especialistas da Fiocruz debatem avanços da pesquisa na Antártica


29/06/2021

Javier Abi-Saab (Agência Fiocruz de Notícias)

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Em 2020, as operações de pesquisa não puderam ocorrer no continente gelado em função das restrições provocadas pela pandemia de Covid-19. Ao mesmo tempo, a atual crise sanitária demonstrou a importância do conhecimento em saúde, da vigilancia, e de integrar a saúde humana, ambiental e animal, para dar respostas aos desafios do presente e do futuro. Por isso, este ano, as equipes se preparam para novas missões de pesquisa e já debatem formas de dar respostas ainda mais robustas ao Sistema Único de Saúde (SUS) e à sociedade. As próximas missões do projeto Fiocruz na Antártica (FioAntar) estão planejadas de outubro de 2021 a março de 2022 e seguirão rígidos protocolos sanitários impostos pela pandemia para garantir a segurança não apenas dos envolvidos, mas também do próprio ambiente antártico. As explorações poderão ser acompanhadas pelo site do projeto.


As próximas missões do FioAntar à Antártica estão planejadas de outubro de 2021 a março de 2022 (Foto: Paulo Lara)

Parte do preparo para as missões consistiu na organização de um seminário interno (18/6) em que cada um dos nove laboratórios que compõem o FioAntar teve a oportunidade de apresentar o andamento das suas pesquisas, assim como de discutir sugestões metodológicas e procurar sinergias com os outros laboratórios e integrantes da iniciativa. As trocas renderam frutíferas discussões: houve compartilhamento de resultados, formação de grupos de trabalho e de estudo, e alinhamento de metodologias e fluxos. Com todas estas energias convergindo, surgiram propostas para aprimorar as entregas que o FioAntar pretende oferecer ao SUS e à sociedade brasileira. 

O alto potencial de entrega de resultados desse projeto está associado ao modelo em que foi concebido e que tem sido considerado um grande diferencial na condução da pesquisa: o Fioantar reúne pesquisadores de nove laboratórios da instituição, especializados em bioinformática, genómica, vírus, bactérias, fungos, líquens, micobactérias e helmintos. Trata-se de um projeto multidisciplinar que permite à Fiocruz responder a perguntas científicas sob a perspectiva de diversos campos de pesquisa e de forma integrada.  

O vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde, Marco Krieger, que esteve no encontro, ressaltou a importância e o caráter único de Fioantar dentro do Programa Antártico Brasileiro. “Temos uma posição bastante importante e um papel diferenciado, inclusive com uma visão de emergência sanitária um pouco anterior a uma das maiores emergências sanitárias que a humanidade já viveu. Vai ser relevante continuar levando a bandeira da Fiocruz, pois, além do laboratório, nossa responsabilidade aumenta com essa importante ação de biovigilância”, disse o vice-presidente. O vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, Rodrigo Correa, também esteve presente no seminário e destacou a importancia da prospecção da biodiverdade antártica.

Os desafios do FioAntar são diversos e vão desde o aprimoramento do processo de georreferenciamento das amostras até a capacitação e o envolvimento de toda a equipe e dos laboratórios na análise metagenômica. Ao longo da discussão, a maioria dos desafios encontrou propostas e linhas de ação direcionadas a melhorar a qualidade da entrega do projeto. Uma destas propostas é a concentração das informações levantadas pelos diversos subprojetos  em uma metodologia de avaliação dos riscos dos microrganismos identificados para a saúde humana, ambiental e animal. “Essas metodologias que estruturam os dados obtidos em campo com dados de bibliografia, podem nos permitir resultados potentes com capacidade de influenciar a comunidade científica internacional e a sociedade”, disse Martha Lima Brandão, pesquisadora do Laboratório de Paleoparasitologia.

Segundo Martha, o encontro concluiu com a sensação coletiva de “saber aonde estamos chegando e aonde podemos chegar”. De igual forma, o seminário reforçou o legado que este projeto significa para a sociedade. Pesquisadora do Laboratório de Paleoparasitologia, Márcia Chame reforçou: “FioAntar tem o papel de ser um legado para a humanidade. É a cara da Fiocruz por ser ciência de longo prazo. E é estratégico para a soberania nacional. Ou você quer algo mais estratégico do que a biodiversidade?”.

Essas serão as primeiras missões ao continente em que os pesquisadores poderão contar com o suporte do Fiolab para agilizar as análises do material coletado em campo, um laboratório de biossegurança equipado e mantido pela Fiocruz e inaugurado junto com a nova Estação Antártica Comandante Ferraz em janeiro de 2020. O Fiolab, resultado do acordo de cooperação firmado com a Secretaria da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar (Secirm/Marinha do Brasil), é um laboratório de biossegurança preparado para responder às necessidades de vigilância epidemiológica e sanitária do país, e dar suporte às pesquisas, de forma segura, em saúde e ambiente na Antártica. 

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