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Documentário 'Revoada' vai estrear em festival independente na Alemanha


14/10/2022

Fiocruz Amazônia

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O documentário Revoada, que registra as expedições de saúde realizadas pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), na região da Tríplice Fronteira do Amazonas, durante o período crítico da pandemia de Covid-19, em 2021, é um dos indicados ao Prêmio do Festival de Cine Latinoamericano Independiente (Mira), que acontece entre os dias 20 e 23 de outubro, na Alemanha. O filme terá estreia internacional durante o evento e é uma produção amazonense, com roteiro, produção e direção assinados por Marcos Tupinambá e Rafael Ramos. Com 27 minutos de duração, o filme mostra a rotina de pesquisadores da Fiocruz Amazônia embarcados, durante semanas em um barco-laboratório, no Alto Solimões, para a realização de coletas de amostras para diagnóstico de Covid-19, teste de antígeno, PCR, identificação de novas cepas do vírus, vacinação e orientação a profissionais de saúde sobre a importância da vacina e as medidas profiláticas contra a doença.


Filme mostra a rotina de pesquisadores da Fiocruz Amazônia no trabalho contra a Covid-19 (foto: Divulgação)

Contratado pela diretora da Fiocruz Amazônia, a médica sanitarista Adele Schwartz Benzaken, para registrar a viagem, o publicitário e produtor audiovisual Marcos Tupinambá conta que logo percebeu o quanto a missão seria importante não só do ponto de vista institucional como também documental e artístico. “O documentário é um retrato das dificuldades vividas no cotidiano das populações ribeirinhas da Amazônia para ter acesso aos serviços de saúde. Já tive outra experiência bem-sucedida com a doutora Adele, em outro projeto que ela coordenava sobre HIV em comunidades indígenas e quando me convidou para produzir um vídeo institucional, juntamente com outro colega, o Aldemar Matias, identificamos que o material tinha potencial para ser muito mais do que um vídeo institucional e sim um documentário cinematográfico”, afirma Tupinambá.

O produtor observa que o olhar cuidadoso sobre as causas da saúde de populações vulnerabilizadas da Amazônia faz de Adele Benzaken uma profissional supersensível. “Logo, ela topou nossa proposta de dar um tratamento ao material mesmo em se tratando de um documentário institucional. A gente lida com situações extremas aqui na nossa região, com dificuldades logísticas, entre outras, e esse trabalho das missões da Fiocruz foi de extrema importância ainda mais num momento único da história da humanidade, como o da pandemia de Covid-19”, relata. Além do contexto social amazônico, a história foca também no lado humano dos protagonistas reais da missão, que são os pesquisadores da Fiocruz Amazônia, entre eles o pesquisador Felipe Naveca, virologista da unidade da Fundação, que comandava a missão.

“Identificamos dentro da própria equipe da Fiocruz histórias de sofrimento por perdas familiares em razão da Covid-19 e decidimos cruzar essas vivências de pessoas que ao mesmo tempo em que trabalhava em favor da vida, no cotidiano daquelas comunidades buscando resultados para suas pesquisas, também enfrentavam dramas pessoais em virtude da pandemia”, comenta. O resultado foi um documentário humano e envolvente, que ganha projeção internacional com a estreia no Mira. Rafael Ramos, diretor do filme, explica que dirigir a documentário foi desafiador. “Foi a primeira vez que estive na área da Triplice Fronteira e nos deparamos com adversidades que vão além das distâncias e da precariedade dos recursos, tivemos que lidar com o negacionismo que chega em todas as comunidades distantes, prejudicando o trabalho da Ciência”, complementa.

Outro desafio para Rafael foi o de encontrar o equilíbrio do documentário. “Eu venho do cinema e minha pegada é menos institucional. Tentei ao máximo encontrar o equilíbrio entre mostrar o trabalho da instituição e ao mesmo tempo ser um produto acessível para qualquer tipo de público. A oportunidade de estreia do Revoada no Mira, para outros públicos não só aqui no Brasil, é, para mim, o mais gratificante de tudo isso”, afirma.

O Mira está em sua oitava edição e acontecerá este ano na cidade de Bonn Beuel, na Alemanha. O filme foi escolhido entre 1.200 produções de países como Estados Unidos, México, Colômbia e Argentina. No total, 59 produções foram indicadas.  

Protagonismo

Um dos protagonistas da história, o virologista Felipe Naveca coordenou os trabalhos das equipes que atuaram durante as expedições da Fiocruz. “Fiquei bastante feliz com o documentário ter sido indicado para participar dessa mostra de cinema independente porque ele foi feito com bastante carinho por todos nós, que fomos filmados pela equipe responsável pela produção, mostrando a face difícil que era enfrentar os desafios da pandemia frente não só aos desafios do ponto de vista científico, mas do ponto de vista humano”, define. Para o pesquisador, o filme cumprirá também uma importante missão: a de mostrar que é feita Ciência de qualidade no Amazonas com muito esforço e dedicação de todos. “Para muita gente que não tem ideia do que aconteceu aqui, a catástrofe vivida no Amazonas por conta da pandemia é algo que não pode ser esquecido”, reforçou.

Para a diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken, o momento é de agradecer a todos que, direta ou indiretamente, participaram do trabalho e sobretudo aos parceiros que viabilizaram a realização do projeto. “Acredito muito na força da palavra e da imagem. Neste sentido, tenho sempre a preocupação de registrar por meio da ferramenta audiovisual as atividades de projetos desenvolvidos na Amazônia, como forma de registro e de comunicação para o Mundo, para que conheçam nossa realidade. Não poderia ser diferente com o projeto das missões ao Alto Solimões num momento tão difícil quanto o da pandemia de Covid-19. Para nós, a indicação é motivo de orgulho e satisfação, um reconhecimento ao nosso trabalho”, afirma a diretora. O projeto conta com o apoio do Programa Unidos Contra a Covid-19, Mapfre, AFF (Aids Healthcare Foundation), Global Public Health Institute at the Univesity of Miami, 99, ICS (Instituto Clima e Sociedade) e Fundação Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS).

Expedições

A Fiocruz Amazônia realizou expedições de saúde entre os meses de agosto e novembro de 2021. Elas serviram de marco para o trabalho de extensão das ações de saúde desenvolvidas no auge da pandemia de Covid-19 no Brasil. Nesse período, a Fiocruz Amazônia teve uma atuação decisiva na avaliação genômica das amostras positivas de exames de Covid-19 na capital e no interior do Estado, não só no Alto Solimões (Tríplice Fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru), como também nas regiões do Baixo Amazonas e Alto Rio Negro, para onde seguiram também missões do barco-laboratório.

Durante a missão realizada no Alto Solimões, foram testadas 925 pessoas e aplicadas 536 doses de vacina para Covid-19, na área do Porto de Tabatinga. Durante essa missão também foram doados 1.000 testes de antígeno e 200 kits de equipamentos de proteção individual (EPIs) para agentes de saúde locais. Diretora da Fiocruz Amazônia, Adele Benzaken acompanhou a missão e destaca a importância desse olhar para o interior do Amazonas, em áreas longínquas e de difícil acesso, e a mobilização das instituições públicas e privadas no apoio a essas ações. De acordo com Felipe Naveca, o trabalho realizado no Alto Solimões teve uma importância estratégica, dada a proximidade com as fronteiras de países amazônicos. 

No Baixo Amazonas, testes de antígenos e PCR para análise de variantes do coronavirus foram levados para as comunidades ribeirinhas da região do Baixo Amazonas. Para os moradores, a chegada da missão foi motivo de alegria e agradecimento. No Alto Rio Negro, a missão ocorreu entre os dias 18 e 25 de novembro de 2021, onde foram testadas 323 pessoas para Covid-19.

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