Início do conteúdo

Declaração de São Paulo sobre Saúde Planetária é lançada com Fiocruz entre signatários


08/10/2021

Cristina Azevedo (Agência Fiocruz de Notícias)

Compartilhar:

Com a Fiocruz entre os signatários, foi lançada nesta quarta-feira (6/10), a Declaração de São Paulo sobre Saúde Planetária, uma iniciativa da Aliança de Saúde Planetária e da Universidade de São Paulo, em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). A declaração é considerada o primeiro documento da comunidade global de saúde planetária a descrever as ações necessárias para alcançar o que chama de “a grande transição: uma transformação justa para um mundo que otimize a saúde e o bem-estar de todas as pessoas e do planeta”. 

Publicado nesta quarta-feira na revista científica The Lancet, nos preparativos para a cúpula da biodiversidade COP-15 e as negociações sobre mudanças climáticas da COP-26, o documento recebeu o endosso de mais de 260 organizações de 47 países, representando 19 setores da sociedade, que incluem o Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Internacional), a Associação de Saúde Pública Americana, a Academia Brasileira de Ciência, o World Business Council for Sustainable Development e a Fiocruz, entre outros. A expectativa é que a adesão aumente agora que foi publicado. 

“A declaração ocorre em um momento crítico, em que nossa biodiversidade enfrenta uma pressão sem precedentes. Ela pede que governos, o setor privado, a sociedade civil e o público se comprometam com a grande transição”, disse Achim Steiner, chefe do PNUD, no lançamento da declaração, transmitida pela internet. “É a primeira vez que a comunidade de saúde planetária se reúne com uma só voz”. 

Savanas como farmácias naturais 

A Declaração de São Paulo foi produzida durante a Reunião Anual de Saúde Planetária 2021, que aconteceu de 25 a 30 de abril em São Paulo, e concluída após uma consulta com quase 350 participantes de mais de 70 países. Um de seus organizadores, Antonio Mauro Saraiva, professor da Escola Politécnica da USP, lembrou que a declaração foi desenhada de forma a ser o mais inclusiva possível: “Desde as primeiras discussões em 2019, a situação global piorou muito", disse, lembrando os efeitos das mudanças climáticas e da pandemia. “Ela encoraja a todos a desempenharem um papel, a ver como cada indivíduo ou grupo pode contribuir nessa grande transição”. 

Também no lançamento, Sam Myers, diretor da Aliança de Saúde Planetária, destacou a necessidade de mudanças profundas para restaurar e regenerar os sistemas naturais dos quais dependemos. Hindou Oumarou Ibrahim, presidente da Associação de Mulheres e Povos Autóctones do Chade, ressaltou que ao destruirmos as savanas, estamos também destruindo "os supermercados onde tiramos nossos alimentos e as farmácias de onde tiramos nossos remédios”. O empresário Paul Polman, coautor de Net Positive: how courageous companies thrive by giving more than they take, defendeu que a sustentabilidade da economia e dos negócios deva estar relacionada ao bem-estar da sociedade e da natureza, destacando como um imperativo moral.  

Donald Li, presidente da Organização Mundial dos Médicos de Família (Wonca), lembrou que os médicos são os primeiros a verem o impacto da degradação do meio ambiente na saúde humana. E Nicole de Paula, diretora-executiva do Women leaders for Planetary Health, ressaltou a necessidade de ter "orçamentos inteligentes”, com recursos públicos empregados “no que realmente importa” e de combater as desigualdades. 

Fiocruz na declaração 

O evento destacou ainda iniciativas em Brasil, Costa Rica e Sudão. Em vídeo, signatários de vários países contaram por que aderiram ao documento ou o que vêm fazendo. “Nós temos trabalhado para enfatizar a importância de um desenvolvimento sustentável tanto ambientalmente quanto socialmente”, disse Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz. 

A declaração descreve ações concretas para diferentes setores, incluindo profissionais de saúde, com recomendações como aproveitar práticas de conhecimento dos povos indígenas, considerar os determinantes sociais e ambientais na saúde e defender o acesso público a serviços de saúde. 

“O profissional de saúde, quando o paciente chega, não faz o link com a questão da natureza, dos recursos ambientais, o contexto em que esse indivíduo ou essa família vivem. É preciso conhecer o território. As condições em que uma pessoa vive vão se refletir na sua saúde. A saúde planetária traz isso”, explicou Sandra Hacon, pesquisadora em Saúde Pública e Meio Ambiente da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) e que acompanhou o processo da Declaração de São Paulo. 

Sandra contou que a Fiocruz já vinha participando desde 2019. “Ele envolve todos os movimentos de classe, artistas, comunidades tradicionais. Implica reavaliarmos ações não só em nível global, mas local também, porque se não se muda em nível local, o que se faz não terá ressonância global. E a gente precisa dessa ressonância”, disse.

Mais em outros sítios da Fiocruz

Voltar ao topoVoltar