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Representações Midiáticas da Saúde

Livro: Representações Midiáticas da Saúde

Autores: Igor Sacramento, Wilson Couto Borges

▶️ Veja aqui o vídeo de lançamento.

Como podemos refletir sobre o lugar que a mídia ocupa nas configurações das representações de saúde e doenças? Diante dos muitos desafios e debates levantados pela pandemia do novo coronavírus, a proliferação da cobertura midiática de saúde passou a assumir um papel de grande importância no cotidiano global. É nesse contexto que Igor Sacramento e Wilson Couto Borges, pesquisadores e professores do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz), lançam Representações Midiáticas da Saúde, livro que integra a coleção Temas em Saúde.  

Nos estudos analíticos presentes na obra, os autores contemplam questões do corpo que dialogam com a reconfiguração – causada pela pandemia – da ideia de fatores de risco. “A Covid-19 traz uma reinserção da noção de grupo de risco, classificando indivíduos, sujeitos e grupos sociais como aqueles que correm maior risco, como no caso dos idosos, pessoas com doenças cardiovasculares preexistentes e também pessoas obesas, que é um dos pontos da nossa análise nesse livro”, analisa Igor Sacramento.

Além da obesidade, o título propõe contribuições para demais dimensões das representações midiáticas da saúde, como as noções de corpo em forma, cirurgia bariátrica, a cultura do fitness e a dismorfia corporal (marcada pela insatisfação obsessiva de uma pessoa com seu próprio corpo). Em orientações de pesquisas e participações em bancas de pós-graduação, os autores percebiam que os estudos das representações em geral - e, particularmente, das representações midiáticas - estavam constantemente associados ou a uma ideia de espelho – ou seja, de uma reflexão sobre a realidade – ou a uma ideia de distorção. “Mas é importante destacar que a representação é, sobretudo, um campo de disputas por poder, inclusive o poder de representar”, pondera Igor. 

Dessa forma, os autores alertam que as simplificações causadas por dicotomias como verdadeiro x falso, original x cópia, correto x errado inviabilizam uma agenda de pesquisas que possa analisar o jogo de representações a partir de suas disputas e interesses. Para eles, não existe ser humano sem representação, já que a existência de cada um de nós é marcada por símbolos e pela linguagem.

Nesse contexto, Wilson Borges ressalta que, diante da centralidade que a comunicação ocupa nesse processo, é fundamental entendermos o que significa esse estudo das representações. Segundo o autor, são várias as pesquisas que mostram o quanto a comunicação é olhada pela lógica da saúde, mas que é possível ir além nas análises. “O que fazemos nesse trabalho é colocar a comunicação em diálogo com a saúde. Mostramos que a representação midiática sobre a saúde é o nosso foco, mas que a questão da representação transcende o campo da saúde. Ele vai atuar e vai interferir em todas as áreas da vida social”, defende. 

O corpo no jornal, na TV e no YouTube
Em cinco capítulos, o volume atravessa, de forma acessível e objetiva, diferentes momentos nas análises de representação. No início, eles propõem um “passeio teórico” sobre a noção de representação. Em seguida, investigam as construções discursivas de identidades e diferenças nas representações midiáticas sobre saúde e doença: o eu e o outro; o nós e o eles. Nos capítulos três, quatro e cinco são apresentadas análises mais específicas em torno das relações entre os discursos de promoção da saúde e as práticas de controle sobre as formas corporais. 

Entram nessas abordagens diversas mídias: o veículo impresso, os programas de entrevistas e entretenimento de televisão, o YouTube. Entre os espaços analisados estão o jornal O Globo, Encontro com Fátima Bernardes, Programa da Eliana e entrevistas comandadas por Jô Soares, além de EuVejo, canal do YouTube que fala de problemas da relação com o corpo. “O que a gente busca destacar é qual o lugar da mídia na construção de efeitos não só simbólicos da representação, mas também na hierarquia e na definição de fatores e grupos associados a risco. E sobre essa demarcação de fronteiras entre aceitável e inaceitável, o normal e o patológico, o bom e o mau. Refletimos sobre o papel das várias mídias não só como ferramenta, mas especialmente como palco dos acontecimentos da vida contemporânea”, reflete Igor Sacramento. 

A origem do livro dialoga com o nascimento do grupo de pesquisa coordenado pelos autores no Icict/Fiocruz: o Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (Nechs). Segundo eles, Representações Midiáticas da Saúde é um dos resultados do projeto de pesquisa O Imperativo da Saúde: corpo, estilo de vida e performances de gênero na cultura da mídia (décadas de 1980/2010), que tem como objetivos analisar os processos de representação dos corpos em relação a ideais de saúde, boa forma e bem-estar. Em 2018, a pesquisa foi contemplada pelo edital universal do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que auxiliou o desenvolvimento dos estudos. 

Sobre os autores
Graduado em Comunicação Social, Igor Sacramento é mestre e doutor em Comunicação e Cultura pela Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ECO/UFRJ). É pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Comunicação e Saúde (Laces) do Icict/Fiocruz, onde é também professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS). É docente do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ. É bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq, e coordena, com Wilson Borges, o Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (Nechs). É pesquisador do Observatório Saúde na Mídia (Laces/Icict/Fiocruz) e editor científico da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis), vinculada ao Icict/Fiocruz. É autor e organizador de diversos livros, incluindo Saúde e Jornalismo: interfaces contemporâneas (coorganizado com Kátia Lerner), publicado pela Editora Fiocruz em 2014. A obra foi finalista do Prêmio Jabuti 2015, na categoria Comunicação.  

Graduado em Comunicação Social, Wilson Couto Borges é especialista em História do Brasil, mestre em Ciência Política e doutor em Comunicação, sendo todos os títulos pela Universidade Federal Fluminense (UFF). É pesquisador do Laboratório de Pesquisa em Comunicação e Saúde (Laces) do Icict/Fiocruz, onde é também professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS). Coordena, com Igor Sacramento, o Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde (Nechs). Compôs a equipe de analistas da pesquisa conjunta Ministério da Saúde/Secretaria de Vigilância em Saúde/Fiocruz sobre monitoramento de H1N1 e Dengue. É pesquisador do Observatório Saúde na Mídia (Laces/Icict/Fiocruz).

Livro inaugura lista de propostas aprovadas em edital para Temas em Saúde
O livro é, ao lado de Manual de Sobrevivência para Divulgar Ciência e Saúde, a primeira publicação oriunda de chamada pública da Editora Fiocruz para novos títulos da coleção Temas em Saúde. Em abril de 2019, foram lançados dois editais para encerrar o ciclo de comemorações dos 25 anos da Editora. A chamada para compor a coleção recebeu 122 propostas de publicação, sendo 33 aprovadas, incluindo a de Igor Sacramento e Wilson Borges. Clique aqui para mais informações sobre o resultado do edital. 

R$ 15,00 (impresso) | R$ 9,00 (digital) | 180 páginas

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Primeira edição: 2020
ISBN (impresso): 978-65-5708-028-3
eISBN (digital): 978-65-5708-089-4

Apresentação
1. O Estudo das Representações 
2. O Eu e o Outro nas Representações Midiáticas da Saúde 
3. A Epidemia de Obesidade e a Falta de Amor no Jornal O Globo 
4. O Corpo em Forma e a Cirurgia Bariátrica em Entrevistas para a TV 
5. A Televisualidade e o Testemunho sobre Dismorfia Corporal no YouTube
Considerações Finais 
Referências 
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