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05/09/2019

Vacinação: saúde, direito e cidadania


Vinicius Ferreira / IOC

Aliadas da população na prevenção de adoecimentos e mortes, as vacinas têm a missão de proteger o corpo humano: elas “ensinam” o sistema imunológico a combater vírus e bactérias que desafiam a saúde pública. Empenhados em conhecer melhor as doenças que afetam a população, cientistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) fizeram uma pequena pausa em suas pesquisas para deixar um importante recado à sociedade. Oito especialistas lembram que para os agravos a que se dedicam dentro dos laboratórios, a melhor forma de prevenção já existe: a vacinação. Febre amarela, poliomielite, gripe, sarampo, rubéola, rotavírus, coqueluche, meningite, tuberculose e hepatites são alvos do calendário de vacinação brasileiro, com oferta gratuita de imunização pelo Sistemas Único de Saúde (SUS) em cerca de 40 mil unidades básicas de saúde em todo o país.

Assista e compartilhe o recado dos especialistas:

No vídeo, os pesquisadores chamam a atenção para o fato de que a vacinação não beneficia somente a pessoa que recebeu a dose. Com a diminuição da circulação dos vírus e bactérias que causam as doenças, a vacina beneficia a população como um todo – incluindo aquelas pessoas que tenham algum tipo de restrição ao uso da vacina, como alergias ou doenças imunes, e até recém nascidos. Exemplo de êxito da imunização, a varíola se tornou a primeira doença erradicada do planeta. Anteriormente, a doença, capaz de matar cerca de 30% dos infectados, dizimou boa parte da população do Rio de Janeiro no início do século 20.

Poliomielite e sarampo no centro das atenções
Até meados de 1980, a poliomielite causava paralisia em quase 100 crianças por dia no planeta, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Somente no Brasil, foram registrados quase 27 mil casos da doença entre 1968 e 1989, ano da última notificação no país. Em 1994, as Américas receberam o certificado de eliminação da doença. Porém, no início de julho, o Ministério da Saúde brasileiro alertou que mais de 300 municípios enfrentam risco de retorno da poliomielite por conta dos baixos índices de vacinação.

Com o sarampo a história não é diferente. Enquanto de 1990 a 2000, o país registrava mais de 177 mil casos, campanhas de vacinação levaram o país a receber o certificado de eliminação da doença em 2016. No entanto, desde o início do ano, o país enfrenta um surto da doença: já são quase 700 casos confirmados de sarampo em Roraima, Amazonas, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Rondônia e Pará, segundo dados do Ministério da Saúde.

De 6 a 31 de agosto será realizada a campanha nacional de vacinação contra sarampo e poliomielite, com uma grande mobilização de imunização no sábado, 18 de agosto – a sede da Fiocruz, em Manguinhos, no Rio de Janeiro (RJ), será um dos pontos de vacinação. Para esta ação, o público-alvo são as crianças de 1 ano a menores de 5 anos.

Óbitos por febre amarela e gripe
Prevenível por meio de vacinação desde o final da década de 1930, a febre amarela vitimou milhares de brasileiros nos últimos anos, com centenas de óbitos. Devido à baixa cobertura vacinal, o país contabilizou somente entre 2016 e 2018 mais casos do quem em 55 anos de história: foram 1.150 casos e 407 mortes de 1960 a 2015, contra 2000 notificações e 670 óbitos até maio deste ano.

Em relação à gripe a situação é a mesma. Mesmo com campanhas anuais de vacinação, muitas pessoas não têm comparecido aos postos de saúde para receber o imunizante. O resultado, mais uma vez, é o aumento de casos e mortes. Até 18 de julho, o país registrava quase 4.680 casos de influenza, com mais de 839 óbitos — o que supera todo o ano passado, quando foram contabilizadas 2.674 notificações e 496 mortes.

Sobre a vacinação no SUS
A população brasileira tem acesso gratuito a todas as vacinas recomendadas pela OMS – incluindo imunizantes direcionados a crianças, adolescentes, adultos e idosos. Ao todo, são 19 vacinas que combatem mais de 20 doenças. Há quase três décadas, a Lei nº 8.069, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente, torna obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. E, de acordo com o decreto nº 78.231, de 1976, é dever de todo cidadão submeter-se e os menores dos quais tenha a guarda ou responsabilidade, às vacinações obrigatórias definidas pelo calendário nacional de imunizações.

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