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A primeira eleição na Fiocruz e a legitimidade da lista tríplice


03/11/2020

Por: Ricardo Valverde/ CCS Fiocruz

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Parte 2  

No final de 1989, houve a primeira eleição para presidente da Fiocruz, com quatro candidatos: Akira Homma, o médico e biofísico Carlos Morel, o pesquisador José Rodrigues Coura e o próprio Arlindo. Os nomes de Akira, Arlindo e Morel, pela ordem os mais votados, foram apresentados no início de 1990 ao ministro da Saúde, Alceni Guerra, por meio de uma lista tríplice, seguindo o mesmo caminho do que é feito nas eleições para reitores das universidades federais. No entanto, o presidente da República, Fernando Collor de Mello, que havia vencido a eleição nacional no ano anterior e acabara de assumir o cargo, alegou que o processo não estava previsto no então Estatuto da Fiocruz.

A não aceitação do resultado, em 1990, levou a uma forte reação da comunidade, apoiada por outras instituições das áreas de saúde e ciência. Diante desse impasse, Guerra então convocou representantes da Fundação para uma reunião em Brasília. A partir daí, houve uma rápida articulação interna e o Conselho Deliberativo da Fiocruz indicou o pesquisador Luiz Fernando Rocha Ferreira da Silva, então o mais antigo vice-presidente em exercício, como presidente interino.

O diálogo com o ministro começou a pôr fim ao impasse e, em junho de 1990, ocorreu a nomeação do virologista Hermann Schatzmayr, considerado apaziguador e de consenso, além de um pesquisador respeitado, para a Presidência da Fiocruz. Anos mais tarde, ao recordar aquele momento, o virologista disse que “na época tínhamos acabado de isolar o vírus do dengue 2 e recebi um telefonema de Brasília solicitando que eu fosse com urgência para lá. Levei todo o material de dengue 2, mas não era sobre isso que queriam tratar comigo. O ministro da Saúde queria me nomear presidente da Fiocruz. Levei um susto. Aquilo não era meu perfil”. Depois de conversar com a família ele aceitou o cargo, já que o impasse e a falta de um presidente efetivo estavam criando dificuldades na gestão e no dia a dia da Fundação.

Em 1992, com o impeachment de Collor e a posse de Itamar Franco, teve início uma movimentação da comunidade da Fiocruz que visava garantir a nomeação de um dos nomes da lista tríplice. Crescia a pressão interna, com o que Hermann concordava, e os três integrantes da lista assinaram o documento “Nosso compromisso é com a Fiocruz”. Como Akira, naquele momento, estava envolvido com a Opas para a criação, no Brasil, do Programa Nacional de Imunização, e com outros projetos de desenvolvimento de vacinas, decidiu declinar da participação na lista tríplice, embora a aprovasse. A Fundação então remeteu os nomes dos dois remanescentes da lista (Arlindo Fábio e Carlos Morel) ao ministro da Saúde, Jamil Haddad. Ele aceitou a proposta e nomeou Morel, que havia sido vice-presidente de Pesquisa da Fundação na gestão Sergio Arouca, como presidente. O processo eleitoral de 1989 havia finalmente sido respeitado. 

Desde então, todas as eleições na Fiocruz foram respeitadas pelo Governo Federal. Com apoio maciço de toda a comunidade da instituição, em 2003, o governo aprovou o novo Estatuto da Fiocruz, reforçando ainda mais a legitimidade do processo eleitoral e conferindo suporte legal a ele.
 

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