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01/02/2018

Prevenção e tratamento do HPV


Fonte: IFF/Fiocruz

O que é o HPV?

É um vírus que se adquire durante relações sexuais. Como é muito comum, a maioria das pessoas que tiveram relações sexuais (estima-se cerca de 80%) se contamina durante a vida. Como é muito comum, isso costuma acontecer logo no início da vida sexual. Ele é encontrado mais frequentemente na região genital de homens e mulheres, mas existem mais de 100 tipos conhecidos e alguns podem ser encontrados na pele e outras regiões do corpo. Aqui vamos falar apenas das questões relacionadas à infecção genital e seu aspecto mais relevante, que é sua relação com o câncer do colo do útero.

O que o vírus pode causar?

Na maioria das pessoas não causa nada. Nossas defesas naturais costumam impedir que ele produza alguma doença, mas um pequeno percentual (cerca de 5%) vai ter alguma manifestação da infecção. Destas, a maioria terá uma manifestação transitória e benigna da infecção, que pode ser um preventivo levemente alterado ou verrugas genitais (ou condilomas acumindados). Cerca de 1% terá uma manifestação relevante, representada por uma lesão precursora do câncer do colo: as lesões de alto grau ou neoplasias intraepiteliais cervicais (NIC II e III). Estas são as lesões mais importantes, pois, se não detectadas e tratadas, podem progredir até o câncer do colo do útero em alguns anos.

Sintomas

A infecção pelo HPV, normalmente, não causa sintomas. A manifestação visível (verrugas) pode causar algum desconforto, mas as lesões internas (em vagina e colo do útero) são completamente assintomáticas. Por isso as mulheres devem se submeter ao exame preventivo para rastreio das lesões precursoras (que antecedem) o câncer do colo mesmo quando estão se sentindo bem. 

Diagnóstico

As verrugas são facilmente percebidas pelas pacientes e diagnosticadas por um médico durante o exame clínico. Já o diagnóstico da infecção pelo HPV quando não há verrugas não tem qualquer utilidade, já que não há tratamento. O foco do diagnóstico está nas lesões precursoras do câncer do colo, pois há tratamento para preveni-lo. Isso pode ser feito de forma muito simples através do preventivo e outros exames quando estes sugerem uma lesão desse tipo. O preventivo deve ser realizado a cada três anos, após dois resultados normais com intervalo de um ano, a partir dos 25 e até os 64 anos. Quando há uma suspeita no preventivo de uma lesão precursora, a mulher deve submeter-se a uma colposcopia. Esse exame é igual ao exame ginecológico comum, mas o médico irá examinar o colo do útero através de uma lente de aumento. Se ele encontrar uma lesão precursora, poderá realizar o tratamento na hora. Se tiver alguma dificuldade, poderá solicitar novos exames para esclarecer.  

Tratamento

Não existe tratamento com comprovação científica de eficácia para a infecção pelo HPV quando não há lesão precursora ou verrugas. Nesta situação, fazemos o esclarecimento e recomendamos que a mulher mantenha seu exame preventivo em dia, como recomendado acima. Caso surja uma verruga ou seu preventivo apresente alguma suspeita de lesão precursora, o que não é o mais frequente, ela deverá seguir a orientação de seu médico.

O tratamento das verrugas é variado e deve ser escolhido conforme a vontade da mulher e experiência do médico. Estes podem ser a aplicação de uma substância ácida no próprio consultório, aplicação de medicamentos sob a forma de creme pela própria paciente ou até a retirada cirúrgica ou cauterização elétrica, em casos especiais (múltiplas e extensas lesões).

Já as lesões precursoras podem ser tratadas destrutivamente (por várias formas) ou retiradas cirurgicamente. A maioria dessas lesões em mulheres jovens (até 40 anos) é retirada sob anestesia local durante a colposcopia. Em algumas situações, mais comuns em mulheres mais maduras, pode ser necessária uma cirurgia um pouco mais profunda, que deve ser feita em centro cirúrgico: a conização do colo do útero. Ambas são realizadas pela vagina e com baixo risco de complicações.

Prevenção

A infecção pelo HPV é de difícil prevenção, pois depende do contato de pele doente com pela sadia e não depende da ejaculação. Assim, a camisinha deve ser usada durante toda a relação sexual. Ter um número reduzido de parceiros sexuais também pode contribuir para a redução do risco dessa infecção. Já a prevenção do câncer de colo deve ser feita pela realização regular do preventivo conforme descrito acima. Mais recentemente estão disponíveis vacinas contra os tipos mais comuns de HPV que contaminam a região genital. São dois produtos: um com os dois tipos mais comumente relacionados ao câncer do colo do útero e outro com esses tipos e mais dois tipos, mais comumente relacionados às verrugas genitais. Estima-se que mulheres que tomaram uma dessas vacinas antes de se contaminarem pelo HPV têm redução de até 70% na probabilidade de desenvolverem o câncer do colo do útero. Entretanto, como ainda permanece algum risco, mulheres vacinadas também devem manter a prática do exame preventivo.

Panorama da doença no Brasil

Como no resto do mundo, a infecção é muito frequente, mas inócua na maioria das pessoas. O que é preocupante é a inexistência de um rastreio organizado para a prevenção do câncer do colo do útero como existente nos países que reduziram muito a incidência dessa doença. Assim, o sucesso dessa ação depende da procura pelas mulheres. Essa é prejudicada por dificuldades de acesso ao preventivo, atrasos ou negligência com seu resultado, além de dificuldades para realização da colposcopia e tratamento das lesões precursoras. Isto tem atrasado a redução da incidência e da mortalidade por câncer de colo em nosso país. Uma boa perspectiva é a incorporação da busca ativa de mulheres na faixa etária recomendada para realização do preventivo conforme a periodicidade mencionada por equipes de saúde da família.

O papel da Fiocruz

A Fiocruz, na área de atenção à saúde, mantém um setor de colposcopia e tratamento de lesões precursoras no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), recebendo mulheres referidas formalmente por unidades básicas de saúde da Zona Sul do Rio de Janeiro, da Unidade Básica de Saúde Germano Silval Faria (Ensp/Fiocruz) e da Clínica da Família Victor Valla.

A Fundação, através do IFF, também desenvolve ações em colaboração com o INCA, dentre as quais a qualificação de ginecologistas para o diagnóstico e tratamento das lesões precursoras do câncer do colo do útero e a revisão e atualização das diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero.

Texto revisado pelo pesquisador:

Fábio Russomano, médico do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz)

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