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Pós-menopausa e baixa escolaridade levam à obesidade


03/06/2005

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Estudo relaciona menopausa e baixa escolaridade ao excesso de gordura

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

A obesidade é considerada hoje uma epidemia mundial. No Brasil, o índice de sobrepeso em mulheres na pós-menopausa é elevado. Um estudo feito na Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro, comprovou esse índice e revelou uma relação direta entre o excesso de gordura no organismo e a baixa escolaridade. A pesquisa é parte de uma dissertação de mestrado defendida no Instituto Fernandes Figueira (IFF), unidade da Fiocruz. A idéia agora é realizar um novo estudo, incluindo outras variáveis de avaliação, para se obter detalhes mais aprofundados sobra a amplitude do problema.

La Señora Gorda, de Alfredo Sabat

Desenvolvido pela ginecologista Patrícia Pereira de Oliveira, o trabalho teve como objetivo principal investigar a osteoporose em mulheres na pós-menopausa. A pesquisadora avaliou as voluntárias por ultra-sonometria (análise da massa e da flexibilidade óssea) para estabelecer formas de prevenção ao risco de fratura naquelas mulheres. "Ela também estudou diversos outros fatores, como a obesidade, determinada a partir das medidas antropométricas, que detectam possíveis alterações na quantidade e distribuição da gordura corporal", explica a médica Lizanka Paola Figueiredo Marinheiro, do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do IFF, que orientou a pesquisa.

Para a escolha das participantes foi feita uma divulgação do estudo na ilha. Depois de amplos esclarecimentos sobre o trabalho, segundo os princípios éticos da pesquisa científica, as voluntárias foram escolhidas de acordo com os critérios de inclusão (diagnóstico de menopausa) e de exclusão (impossibilidade de se submeter à ultra-sonometria). Foram selecionadas 385 mulheres, com média de idade de aproximadamente 64 anos. A maioria era branca (57,1%), viúva ou separada (45,71%), analfabeta (40,25%) e de baixa renda.

A avaliação da obesidade foi baseada no grau de adiposidade (quando o peso corporal é normal, mas a proporção de gordura nele existente é excessiva). A medição foi feita pelo índice de massa corporal (IMC), definido por peso em quilogramas dividido pela altura em metros elevada ao quadrado. Do total, 39% tinham sobrepeso e 25,7% eram obesas (IMC acima de 30).

Lizanka explica que a menopausa é a parada de funcionamento dos ovários, que deixam de produzir os hormônios estrógeno e progesterona e de eliminar óvulos, o que leva o corpo da mulher a interromper a menstruação. Nesse período, a quantidade de energia que a pessoa precisa para que o organismo funcione em repouso (metabolismo basal) diminui. "Com isso, o acúmulo de gordura aumenta. A baixa de estrogênio, a diminuição da quantidade de exercícios físicos, própria da idade, e a depressão também comum em mulheres nessa faixa etária são outros fatores que estimulam a obesidade", comenta a médica.

De acordo com os resultados do estudo, a prevalência de sobrepeso e de obesidade entre a população feminina na pós-menopausa residente na Ilha de Paquetá é alta e correlaciona-se diretamente com a baixa a escolaridade da população. "A pouca escolaridade está relacionada com a baixa renda. Indivíduos com renda per capita mais baixa consomem alimentos mais baratos, que em geral são de maior valor calórico. A falta de informação sobre uma boa alimentação também influencia o aumento de gordura no corpo", diz Lizanka. Ela pretende fazer novos estudos em Paquetá, porém mais ligados à obesidade, já que o questionário aplicado nessa pesquisa não foi direcionado especificamente para o problema.


Paquetá

Ilha de Paquetá, no Rio de Janeiro

Com cerca de 10,9 quilômetros quadrados, Paquetá, é uma das 43 ilhas da Baía de Guanabara e faz parte do município do Rio de Janeiro desde 1883. O local é considerado um dos mais pitorescos e agradáveis da cidade, tendo como meios de transporte as bicicletas e as charretes. Sua população é homogênea, com uma característica de vida muito particular, o que aumenta o valor da pesquisa. "As revistas científicas indexadas costumam dar grande valor aos estudos feitos com populações fechadas, que possuem homogeneidade e por isso são diferenciadas", afirma a pesquisadora.

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