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Pesquisadora da Fiocruz ganha prêmio internacional de paleopatologia


05/05/2022

Informe Ensp

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A pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) Sheila Mendonça foi contemplada com a indicação para o Eve Cockburn Mentoship Award, da Paleopathology Association (PPA), outorgado a pessoas que se dedicam à formação de novos profissionais, ao ensino e à promoção da paleopatologia. “Receber essa homenagem e reconhecimento da Paleopathology Association foi uma surpresa e, ao mesmo tempo, motivo de grande orgulho”, salientou a pesquisadora.  A indicação para o prêmio é feita por pesquisadores nacionais e internacionais, associados ao Paleopathology Association, uma comunidade global composta de pesquisadores e estudantes com formação em antropologia, arqueologia, medicina, biologia e zoologia, administrado por um Comitê Executivo eleito de membros do PPA. A pesquisadora teve indicação unânime por todos os membros da comissão.

Sheila Mendonça: paleopatologia é a denominação genérica utilizada para os estudos da saúde e da doença no passado (Foto: Divulgação)

 

“Ter sido aprovada por unanimidade para esse prêmio tem grande significado para mim. Primeiro porque, durante décadas, me mantenho firme em minhas metas e confiante num campo de pesquisas para o qual contribuí significativamente; e essa indicação confirma que estou no trajeto certo. Segundo porque, pela primeira vez, esse prêmio, que é bi-anual e tem, este ano, sua oitava edição, está sendo atribuído, pela primeira vez, a alguém da América do Sul, o que certamente é reconhecimento de nosso esforço para fazer mais que uma carreira pessoal, mas trabalhar por um ideal coletivo. Terceiro, e talvez o mais importante, porque o nome da premiação (Eve Cockburn) reporta-se à pessoa que, junto com seu marido e parasitologista Aidan Cockburn, ao virem ao Brasil nos anos 1980, estimularam o começo dessa área de pesquisas na Ensp e apoiaram nossos colegas em seus primeiros trabalhos”, comentou. 

Sheila Mendonça demonstrou interesse na paleopatologia ainda como estudante de Medicina, na Universidade de Estado do Rio de Janeiro (Uerj), quando tinha curiosidade e interesse pelos aspectos evolutivos da espécie humana, que a levaram, também, a buscar a Arqueologia. “O campo que unia a Medicina e a Arqueologia ainda era incipiente no Brasil quando iniciei meus estudos de doenças em materiais arqueológicos”, relembrou a professora, que colaborou para a expansão desse campo, além de contribuir na formação dos primeiros profissionais que vieram a dedicar-se à Ppleopatologia e, hoje, lecionam na UFRJ, na USP e outros locais.

Posteriormente, a pesquisadora ingressou na Ensp/Fiocruz, consolidando uma colaboração que já desenvolvia com Luiz Fernando Ferreira e Adauto Araújo e, com o apoio institucional da Ensp, puderam fomentar esse campo de estudos, não apenas no Brasil, mas também na América do Sul. “A partir de 2005, estimulados pela Paleopathology Association, nossa equipe criou, e vem apoiando até agora, os congressos da Paleopathology Association na América do Sul, que se alternam em diferentes países do continente.  Desde então, nosso trabalho tem sido incansável no sentido de fomentar e manter a rede de pesquisadores e estudantes da área e nossas relações internacionais”.

Paleopatologia

Sheila Mendonça explicou que paleopatologia é a denominação genérica utilizada para os estudos da saúde e da doença no passado. “Dentro desse campo, que é vasto, temos várias especialidades que vão desde os estudos de anatomia patológica dos ossos antigos até a descoberta de parasitos do passado através do seu DNA conservado em ossos humanos antigos (estudos sobre a peste negra, por exemplo). 

Segundo a pesquisadora, estudos como esse, que se iniciaram no século XVIII, “vem permitindo retraçar as trajetórias das doenças, determinar suas origens, associar seu surgimento aos passos evolutivos de espécies diversas, entender como doenças zoonóticas tornaram-se humanas, entender como e quando surgiram e se endemizaram doenças de diferentes tipos, estudar as origens e condições em que a violência humana manifestou-se e como se expressou”, dentre vários outros temas que não são diferentes dos estudados hoje em saúde pública. 

A pesquisadora explica que, graças à paleopatologia, temas sobre saúde humana têm sido veiculados em materiais educativos, já que a arqueologia vem conquistando mais espaço dentre o público em geral, principalmente o público infantil. Segundo ela, temas como esse fazem a sociedade entender a evolução das doenças do passado até hoje, além das medidas preventivas e os cuidados gerais.  

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