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Farmanguinhos: essencial para o Brasil


08/03/2018

Alexandre Matos (Farmanguinhos/Fiocruz)

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Maior laboratório farmacêutico oficial vinculado ao Ministério da Saúde, Farmanguinhos é mais do que uma fábrica de medicamentos, é um instituto de ciência e tecnologia em fármacos. Desde que foi criado, em 1976, exerce papel estratégico para o Brasil, cobrindo toda a cadeia produtiva de um medicamento, desde a pesquisa básica, passando por desenvolvimento tecnológico, até a produção propriamente dita. Além disso, a unidade possui ainda uma área destinada especificamente para estudos da biodiversidade nacional com vistas ao desenvolvimento de fitomedicamentos.

Desta forma, além de pesquisar, desenvolver e produzir medicamentos essenciais para a população brasileira, o Instituto atua, ainda, na luta pela redução de custos de medicamentos, permitindo a ampliação do acesso de mais pessoas aos programas de saúde pública.

Farmanguinhos é uma referência na produção de medicamentos (Arquivo)

Nesses cerca de 40 anos de atividade, o Instituto fabricou mais de 20 bilhões de unidades farmacêuticas para tratar os diferentes tipos de enfermidades, dentre as quais HIV/Aids, tuberculose, malária, câncer, hipertensão arterial, diabetes, anemia, inflamações, doenças do Sistema Nervoso Central, dentre outras. Ao longo dos anos, Farmanguinhos tem acompanhado a mudança do perfil epidemiológico da população brasileira, adequando seu portfólio de medicamentos.

Essencial para o Brasil

Em toda a sua história a instituição tem comprovado sua capacidade tecnológica. A entrada da unidade no campo de antirretrovirais, na década de 90, por exemplo, permitiu ao país se tornar uma referência mundial na política de acesso universal a essa categoria de medicamentos. Com o desenvolvimento do Efavirenz, o Instituto ajudou o Brasil a obter, em 2008, o primeiro licenciamento compulsório deste importante antirretroviral, considerado um marco na história da assistência farmacêutica do país.

No ano seguinte, sua capacidade foi novamente desafiada, quando, no auge da pandemia de Influenza A (H1N1), a unidade produziu em caráter de urgência mais de 200 mil tratamentos do antiviral Oseltamivir. O sucesso obtido com esse esforço reiterou a importância de Farmanguinhos como uma instituição essencial para as políticas de assistência farmacêutica do Brasil.

Novos desafios se apresentam e a unidade segue mantendo seu alto padrão de qualidade. Sob esse aspecto, o Instituto obtém todas as certificações exigidas pelos órgãos regulatórios nacionais e internacionais. Entre os certificados, destaque para o de Boas Práticas de Fabricação (BPF); a ISO 9001; e a certificação ambiental internacional ISO 14001. Além desses, a unidade acumula prêmios de qualidade em gestão, pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos.

Nos últimos anos, devido a um reposicionamento na política de assistência farmacêutica do Ministério da Saúde, houve uma queda brutal nas demandas por medicamentos. Ainda assim, a unidade está apta a atender demandas emergenciais solicitadas pelo governo brasileiro. A unidade tem capacidade de produzir 34 medicamentos de diferentes classes terapêuticas. O portfólio será ampliado com a internalização de tecnologia de novos medicamentos, provenientes de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP).

Parcerias

Farmanguinhos tem participado de parcerias com laboratórios nacionais e internacionais, a fim de absorver tecnologias de medicamentos considerados estratégicos para o país. Além de atender às demandas do Sistema Único de Saúde (SUS), a iniciativa também fortalece a indústria farmoquímica nacional, reduzindo custos com produtos e a dependência por importações.

A unidade atua também em pesquisa de novos fármacos (Arquivo)

Neste sentido, a unidade finaliza este mês a obra de readequação do seu parque fabril com vistas à produção dos primeiros medicamentos frutos de PDP: o imunossupressor tacrolimo (usado para evitar rejeição de órgãos transplantados), pramipexol (usado por pacientes com doença de Parkinson) e o Atazanavir (antirretroviral usado por pacientes que vivem com HIV/Aids). Com a liberação das áreas pela agência reguladora, a unidade estará apta a fabricar os lotes pilotos desses três medicamentos. A previsão é de que o primeiro deles já ocorra no primeiro semestre deste ano.

Além disso, o Instituto mantém cooperações com países da África, Ásia e Europa. A unidade transferiu para a Índia a tecnologia do Artesunato+Mefloquina, antimalárico que combina dois fármacos. Também com a Índia, a unidade mantém parceria de desenvolvimento produtivo para absorver a tecnologia do tuberculostático 4 em 1, assim denominado por reunir quatro princípios ativos em um único comprimido. O medicamento reduzirá o número de comprimidos e, com isso, espera-se que aumente a adesão ao tratamento pelos pacientes, principal desafio contra a tuberculose. Um acordo de transferência tecnológica com a Ucrânia, que se encontra em fase final, também permitirá absorver a tecnologia de insulina humana recombinante. Farmanguinhos participa, ainda, do consórcio internacional para o desenvolvimento de formulação de medicamento pediátrico para tratamento da esquistossomose, o praziquantel.

Conhecimento técnico-científico

A unidade da Fiocruz também atua no campo da difusão do conhecimento técnico-científico. Desde 2009, a unidade conta com um Mestrado Profissional; com uma pós-graduação em Tecnologias Industriais Farmacêuticas (TIF); e com a primeira pós-graduação no Brasil em Gestão da Inovação em Fitomedicamentos – nas modalidades presencial e à distância. O instituto vive a expectativa de criar o primeiro Doutorado Profissional no país na área farmacêutica.

Seja na produção emergencial, na internalização de uma tecnologia de maior complexidade, na pesquisa de novas moléculas ou na difusão do conhecimento técnico-científico, o Instituto de Tecnologia em Fármacos tem contribuído de forma estratégica para fortalecer cada vez mais o sistema de saúde do país.

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