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Evento sobre educação celebra Orgulho LGBTQIA+ na Fiocruz


05/07/2021

Erika Farias (CCS/Fiocruz)

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“Até para termos orgulho, precisamos estar vivas”. Essas foi uma das frases ouvidas durante o encontro on-line Orgulho LGBTQIA+: a educação em tempos de resistência, promovido pelo Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, no dia 29 de junho, com transmissão pela Videosaude Distribuidora da Fiocruz. O evento contou com tradução em Libras (Língua Brasileira de Sinais).

Foto com integrantes do Comitê Pró-Equidade, convidados do evento e intérprete de Libras

Representando o Comitê, a educadora comunitária do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) Biancka Fernandes abriu o evento falando sobre a atuação da Fiocruz na busca pelo conceito ampliado de saúde, assegurando equidade e cidadania à população. “Ontem, dia 28, Dia do Orgulho, mais de 1.050 pessoas trans foram beneficiadas pelo nosso serviço de Justiça Itinerante em Maré e Manguinhos”, contou.

Primeira musa trans da Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro, Kamilla Carvalho falou sobre a importância da representatividade. “Eu amo carnaval, é uma festa que agrega populações e eu fico muto feliz de representar o público LGBTQIA+”, contou. Na sequência, Kamilla realizou uma intervenção artística e se apresentou como passista.

“Ainda temos tantas pessoas por aí perdendo suas vidas, seu direito básico à existência. Então, ter a Fiocruz engajada nessas questões é importante para marcar esse reconhecimento”, afirmou a mediadora do evento, a professora da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e integrante do Comitê Pró-Equidade, Simone Ribeiro.

Educação e resistência

A estudante do terceiro ano e coordenadora do Coletivo Se Joga LGBTQI+ da EPSJV, Maria Clara Rangel, contou que, além da educação com as matérias tradicionais de formação, a Escola conta com disciplinas que estimulam o raciocínio crítico dos alunos. “Quando a gente fala em formação, acho que o mais importante é isso: formarem um indivíduo pensante, sensível às diversas realidades. Esses debates sobre diversidade se fazem essenciais nesses ambientes”, disse.

- Um espaço coletivo, além de ser de acolhimento e liberdade, também precisa ser de organização e luta. Porque ali, apesar dos ataques (ameaças direcionadas aos LGBTs foram escritas no banheiro da Escola), nós ainda temos um lugar muito seguro para vivermos com liberdade de sermos quem somos. Mas e na rua? No ambiente de trabalho? – argumentou a jovem.

Para a doutora em Ciência da Literatura e professora da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dani Balbi, há uma necessidade de luta não apenas por recomposição das instituições de ensino, esvaziadas por cortes orçamentários, mas correlacionando-a à luta pela liberdade da prática pedagógica. “Sobretudo para a efetivação de uma prática pedagógica que tenha no centro de sua formulação a inclusão de um debate de diversidade qualificado”, afirmou.

“O desafio que o mês de junho nos traz é como nós, LGBTs, podemos usar este momento para falar de nós mesmos”, salientou o doutor em Educação e professor do Colégio de Aplicação João XXIII da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Felipe Bastos. Para Felipe, as datas são importantes, mas a violência não escolhe tempo. “Ao longo de todo o ano passado, ao menos 237 pessoas foram violentamente assassinadas no Brasil devido ao fato de serem LGBTQIA+. Hoje estamos aqui falando disso. Amanhã, como será a resistência?”, questionou o professor.

Comitê

O Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz foi criado em 2009, para consolidar uma agenda institucional pelo fortalecimento dos temas étnico-raciais e de gênero na Fundação, colaborando para uma constante atualização e reorientação de suas políticas, bem como de suas ações, seja nas relações de trabalho, seja no atendimento ao público e na produção e popularização do conhecimento. Periodicamente, o Comitê realiza atividades de formação e iniciou essa série de encontros virtuais diante das recomendações de distanciamento social para o enfrentamento ao novo coronavírus.

Fiocruz é Diversidade

Uma instituição de saúde pública cuida de pessoas. A Fiocruz acredita no conceito de saúde ampliado, em que ter saúde não é apenas o contrário de estar doente. Saúde é um aspecto amplo e que envolve diversas esferas da vida pessoal e em sociedade. Promover cidadania, equidade de gênero e raça e acesso igualitário a oportunidades é também promover saúde. O Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, assim como outras frentes de atuação da instituição, entre as quais pesquisa, ensino, assistência, inovação e comunicação, está em constante desenvolvimento para promover saúde ampla para seus mais de 10 mil trabalhadores e para a população brasileira. Todos permanentemente em defesa da vida.

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