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Estudo investiga papel dos anticorpos contra Covid-19 no leite materno


17/08/2021

Eduardo Gomes (Fiocruz Amazônia)

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Em Manaus, a população estimada de gestantes é de 28,4 mil mulheres e de puérperas, 4,7 mil. Segundo dados do Vacinômetro Covid-19 Manaus, até o momento, somente 6.606 gestantes e 1.680 puérperas receberam a primeira dose da vacina. Coordenado por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (Fiocruz Amazônia) e da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), um estudo está investigando a importância dos anticorpos anti-Sars-CoV-2, presentes no leite materno, na proteção do bebê contra Covid-19.

Atualmente, o projeto procura voluntárias puérperas para participar da pesquisa (foto: Eduardo Gomes/Fiocruz Amazônia)

A equipe do projeto PROTECTCoV-19 recruta grávidas, a partir da 28º semana de gestação, e puérperas, com idade maior ou igual a 18 anos, para participar do estudo, que pretende saber o papel dos anticorpos do leite materno na proteção contra Covid-19. Até o momento, 276 mulheres já foram inseridas no projeto. O recrutamento continuará acontecendo, até a equipe atingir a marca de 800 participantes.

A química de alimentos, Lirna Souza, de 33 anos, resolveu participar do estudo logo que soube de sua realização, pois acredita que além de encontrar respostas para seus questionamentos, ajudará também nas descobertas científicas. “Quando vi as informações sobre o projeto, já pensei em mandar mensagem para me voluntariar e participar. Existe aquela curiosidade de sabermos se realmente a gente vai produzir os anticorpos após a vacinação e se vamos passar para o bebê através do leite. Além de ser uma curiosidade de mãe, participar desse estudo vai ser bom para a pesquisa, para a ciência e para outras pessoas que possuem esse mesmo questionamento”, relata.

Atualmente, o projeto PROTECTCoV-19 procura voluntárias puérperas para participar da pesquisa. Para participar do estudo, as interessadas devem preencher o formulário online.

Depois de preencher o formulário, a participante receberá visita domiciliar para conhecer todas as etapas da pesquisa, incluindo a coleta do leite e amostra sanguínea. A inclusão na pesquisa está vinculada à assinatura de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).

Para a Biomédica, Sabrina Maia, de 23 anos, que compõe a equipe do projeto, o contato com as grávidas e puérperas, durante as coletas, tem sido significativo. “Essa experiência tem sido de muito aprendizado. É muito significativo essa troca com as mulheres, especialmente por abordamos a importância da amamentação e da vacinação, para a proteção dos bebês”, destaca.

Segundo os pesquisadores, já existem estudos demonstrando que em grávidas e puérperas vacinadas são detectados anticorpos contra Sars-CoV-2 no leite materno (foto: Eduardo Gomes/Fiocruz Amazônia)

Segundo os pesquisadores, a vacinação de grávidas e puérperas é uma ação de grande avanço na luta contra a Covid-19. Segundo os coordenadores do projeto, Pritesh Lalwani e Jaila Borges, já existem estudos demonstrando que em grávidas e puérperas vacinadas são detectados anticorpos contra Sars-CoV-2 no leite materno, o que provavelmente beneficiará o bebê que é amamentado.

Para Pritesh Lalwani, pesquisador da Fiocruz Amazônia, é necessário que o aleitamento materno seja observado não somente do ponto de vista nutricional, mas também como proteção aos bebês. “Leite não somente é uma fonte de nutrição, mas também fonte de anticorpos que a mãe passa para o bebê. A vacinação ainda está baixa na população de gravidas e puérperas. O aleitamento materno ajuda a proteger os bebês nos primeiros meses de vida, quando a resposta imunológica está sendo formada”, explicou o pesquisador.

Nos próximos 30 dias, os pesquisadores pretendem divulgar os primeiros resultados deste estudo, mostrando um retrato da distribuição dos anticorpos no leite materno. O projeto PROTECTCoV-19 ganha novo apelo no mês de agosto, marcado por campanhas que simbolizam o mês do aleitamento materno no Brasil e a semana mundial da amamentação.

Agosto Dourado

A campanha Agosto Dourado simboliza a luta pelo incentivo à amamentação. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por ano, cerca de 6 milhões de vidas são salvas por causa do aumento das taxas de amamentação exclusiva até o sexto mês de idade.

A Semana Mundial de Aleitamento Materno, ocorreu de 1 a 7 de agosto, nesta edição com o tema Proteger a amamentação é uma responsabilidade de todos. O tema está alinhado com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que destacam os vínculos entre amamentação e sobrevivência, saúde e bem-estar de mulheres, crianças e nações.

A história da campanha teve início em 1990, em um encontro da Organização Mundial de Saúde com a Unicef, momento em que foi gerado um documento conhecido como Declaração de Innocenti. Para cumprir os compromissos assumidos pelos países após a assinatura deste documento, em 1991 foi fundada a Aliança Mundial de Ação pró-Amamentação (Waba).

Em 1992, a WABA criou a Semana Mundial de Aleitamento Materno e, todos os anos, define o tema a ser explorado, além de lançar materiais que são traduzidos em 14 idiomas.

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