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Cooperação Social promove primeiro debate sobre educação e saúde


03/09/2021

Nathalia Mendonça (Cooperação Social/Fiocruz)

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O 1º Seminário de Educação e Saúde da Cooperação Social da Fiocruz foi transmitido ao vivo no dia 30 de agosto pela plataforma Cidades em Movimento, uma iniciativa do projeto de Promoção de Territórios Saudáveis em Centros Urbanos, da coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fundação. 

No evento virtual, que continua acessível no Canal da plataforma no YouTube, coordenadores e coordenadoras de cursos, oficinas e iniciativas formativas do órgão debateram princípios e diferenciais da atuação em cooperação social aplicados ao campo da educação e seus desdobramentos nos processos de promoção de saúde e produção científica. 

 

Na programação, os módulos: “Ecomuseu de Manguinhos: arte e saúde no agir em cooperação social”, apresentado por Felipe Eugênio, da Cooperação Social, pesquisador e militante no território de Manguinhos; “Jovens e produção de conhecimento: mentoria e aprendizados em pesquisa", por Sofia Barreto, integrante da equipe da Agenda Jovem Fiocruz (AJF) e “Saúde ambiental e produção audiovisual: a experiência do curso de meio ambiente para jovens da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha e da Baía de Guanabara", apresentado por  Rejany Ferreira, geógrafa, trabalhadora da Cooperação Social Fiocruz e integrante da equipe do Observatório da Sub-Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara. O evento teve mediação de André Lima, integrante do Conselho Intersetorial de Manguinhos, pesquisador e trabalhador da Cooperação Social.  

 

‘Cooperação Social, Territórios Urbanos e Saúde: Diálogos e Reflexões’

Escrito por pesquisadores e professores, o livro Cooperação Social, territórios urbanos e saúde: diálogos e reflexões busca sistematizar o que foi desenvolvido pela equipe da Cooperação Social em seus processos formativos – em sua maioria, construídos em parceria com outras Unidades Técnico-Científicas da Fiocruz e organizações populares. A publicação é direcionada a profissionais de saúde e pessoas que atuam em projetos sociais em territórios urbanos vulnerabilizados, além daqueles que tenham interesse nesse campo de pesquisa. O lançamento do livro será em outubro deste ano como parte da programação da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) na Fiocruz, e será distribuído gratuitamente. Leonardo Bueno, pesquisador da Coordenação de Cooperação Social da Presidência e um de seus organizadores, comentou sobre o processo de construção e elaboração do livro.

 

“A gente abre o livro expondo que a Cooperação Social tem esse duplo sentido: tanto de ser um setor da presidência da Fiocruz, o setor dos antigos projetos sociais da instituição, e, ao mesmo tempo, uma forma de atuar nos territórios e dentro da própria Fiocruz. A gente conseguiu evoluir da lógica de ‘projetos sociais’ para essa construção de cooperação social, que é basicamente trabalhar esses projetos numa lógica de intervenção com a sociedade civil, visando a promoção da saúde, a partir do conceito das determinações sociais da saúde”, explicou.

“Nesse duplo sentido, também tem a lógica do agir em cooperação social que valoriza essa construção do diálogo, essa troca de saberes, numa perspectiva solidária e horizontal de produção da ciência e isso se reflete também nas experiências que estão relatadas neste livro”, completou Leonardo.

Diálogos sobre Educação e Saúde em Territórios Urbanos

Sofia Barreto trabalha na Cooperação Social e compõe a equipe da Agenda Jovem Fiocruz (AJF). Em sua fala, trouxe dados e informações do projeto “Jovens Investigadores em Juventude e Saúde''. A convocatória, aberta em agosto de 2019 com recursos do edital Programa Fiocruz de Fomento à inovação: Inova Fiocruz, teve como objetivo apoiar a produção de conhecimento sobre juventudes e saúde pela própria juventude. Foram selecionados onze projetos de investigação de jovens na área das ciências humanas. 

 

Sobre o campo de atuação da AJF, Sofia destacou os objetivos de sua atuação institucional: “A Fiocruz tem já um histórico de trabalho com a juventude seja na área de serviço, na área de educação, com projetos e pesquisas também e o objetivo da Agenda é articular esses trabalhos que já são realizados propondo diretrizes sobre juventude, diretrizes políticas baseadas no Estatuto Nacional da Juventude. Nosso objetivo é também incidir no campo das políticas públicas e, principalmente, na área da saúde”, afirmou.

 

 

“Quando a gente pensa sobre a noção de juventude, a gente está se debruçando em um conceito socialmente construído. Não estamos falando só de uma faixa etária ou de uma fase da vida. Pensar na juventude é também compreender as representações sociais e políticas de uma geração dentro da história”, comentou Sofia.  

Tratando da história do Ecomuseu de Manguinhos, Felipe Eugênio, que coordena a instituição, destacou a importância da forma de atuação em cooperação social em territórios vulnerabilizados. "A busca por atuar junto com os territórios sob alta vulnerabilidade social, sob situações de excepcionalidade dos direitos civis e é basicamente uma busca por construir saúde nesses territórios ou ter como horizonte expectativas sobre território saudável”, justificou.

Tendo a arte e a cultura como determinantes intersetoriais sociais da saúde, o Ecomuseu de Manguinhos da Rede de Empreendimentos Sociais para o Desenvolvimento Socialmente justo, Democrático e Sustentável (RedeCCAP) tem origem no Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja - Manguinhos). É um museu de atuação territorial e tem como meta torna-se um museu sobre literatura de favelas e periferias no território de Manguinhos, tratando da história social local. Entre suas atividades, destacam-se a produção de documentários, a exposição Manguinhos Território em Transe, o Festival Manguinhos Amplifica Direitos e o Festival Manguinhos tem Cultura.

 

Rejany Ferreira, geógrafa, trabalhadora da Cooperação Social Fiocruz e integrante da equipe do Observatório do Sub-Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara, encerrou o seminário com a experiência  de oficinas e seminários para jovens moradores de territórios da Bacia Hidrográfica do Canal do Cunha, realizadas desde 2011. As oficinas tinham como objetivo problematizar as condições de vida, saúde e ambiente desses territórios com ênfase na questão do acesso e usos da água, e o saneamento nessas localidades. “A gente vem apresentando o trabalho que nós estamos realizando desde 2009, dialogamos com essa juventude para que possamos nos aproximar dela e ela possa se aproximar dos espaços de participação”, comenta Rejany. 

 “Quando a gente pensa em saneamento, a gente pode dizer que ele não existe, mas ele é inadequado, pensando nas favelas da cidade do Rio de Janeiro. E aí, quando se pensa em solução, já imaginamos mega obras que sairiam muito caro e obrigariam que houvesse remoções nessas áreas para construir um saneamento no padrão recomendado, mas existem tecnologias sociais ambientais que podem ser instaladas nessas áreas e elas conseguiriam impactar positivamente a questão do saneamento dessas regiões, tais como sistemas de produção de baixo impacto, a fossa de bananeira, entre outros”, exemplificou. Rejany explicou que o trabalho do observatório se realiza a partir da articulação entre a sociedade civil organizada, a academia e os gestores públicos; além de incidir em políticas públicas, na produção do conhecimento e no desenvolvimento de tecnologias sociais em saúde e monitoração de resultados e impactos. 

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