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Conquistas de profissionais negros são destaque no VII Trajetórias Negras


03/12/2021

Erika Farias (CCS/Fiocruz)

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Em alusão ao Dia da Consciência Negra, foi realizada na última terça-feira (23/11) a sétima edição da roda de conversa Trajetórias Negras na Fiocruz. O projeto, promovido pelo Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, tem como objetivo valorizar a presença de profissionais negros e negras na instituição a fim de destacar sua trajetória acadêmica, revelando dificuldades e conquistas numa sociedade calcada no racismo estrutural. O encontro on-line foi transmitido pela VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz. (Assista ao vídeo aqui) e contou com intérpretes de Libras.

A coordenadora para Cooperação Internacional do Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), Flávia Paixão, e o coordenador de recrutamento e retenção do Laboratório de Pesquisa Clínica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Toni Araújo, foram os convidados da edição. A mediação foi realizada pela assessora de Inovação Tecnológica do INI e integrante do Comitê, Mirian Cohen.

“É importante desvelar a trajetória de profissionais negros e negras da instituição, porque nós estamos vivendo um contexto social, político, educativo e cultural muito difícil, repleto de violência e discriminação. Por conta disso, nossa luta contra os retrocessos se faz viva, dinâmica, criativa e potente”, afirmou a educadora do Museu da Vida, da Casa de Oswaldo Cruz (MV/COC), e coordenadora colegiada do Comitê, Hilda Gomes, ao abrir o evento. Miriam Cohen, responsável pela mediação, reforçou a necessidade de se fornecer educação étnico-racial para fortalecer a luta antirracista. “Essa é uma pauta que soma conhecimento, mas que se torna libertadora”, disse.

Trajetórias

Primeira a se apresentar, a coordenadora para Cooperação Internacional no Instituto Gonçalo Moniz (IGM/Fiocruz Bahia), Flávia Paixão, contou um pouco sobre sua trajetória. Flavia abriu sua apresentação falando de sua família. “Tive um eixo central muito forte. Minha vó, uma trabalhadora que foi pensionista do fundo rural, e minha mãe, que entendia a educação como meio de superação. Sob a liderança dessas duas mulheres, eu e meus dois irmãos fomos para a Universidade Estadual de Feira de Santana, e foi lá que a Bahia me deu régua e compasso”, contou Flávia.

Na sequência, o coordenador de recrutamento e retenção do Laboratório de Pesquisa Clínica do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), Toni Araújo, falou um pouco sobre sua história. “A gente, com pele preta, sempre vai e volta nesse sentido das nossas lutas, conquistas e sonhos. E a nossa ancestralidade é sempre vigorante”, afirmou o coordenador. Toni contou que teve uma percepção do racismo tardia. “Só fui entender anos depois que as inúmeras violências que enfrentei eram racismo”, explica.

No encerramento do evento, Hilda reforçou que, geralmente nesta data, surgem muitos comentários sobre por que não valorizar a ‘consciência humana’. “Ora, enquanto o racismo estrutural, institucional e individual existir, a gente precisa continuar falando sobre a Consciência Negra. Porque são os nossos corpos que tentam o tempo todo invisibilizar”, concluiu.

Comitê

O Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz foi criado em 2009, para consolidar uma agenda institucional pelo fortalecimento dos temas étnico-raciais e de gênero na Fundação, colaborando para uma constante atualização e reorientação de suas políticas, bem como de suas ações, seja nas relações de trabalho, seja no atendimento ao público e na produção e popularização do conhecimento. Periodicamente, o Comitê realiza atividades de formação e iniciou essa série de encontros virtuais diante das recomendações de distanciamento social para o enfrentamento ao novo coronavírus.

Uma instituição de saúde pública cuida de pessoas. A Fiocruz acredita no conceito de saúde ampliado, em que ter saúde não é apenas o contrário de estar doente. Saúde é um aspecto amplo e que envolve diversas esferas da vida pessoal e em sociedade. Promover cidadania, equidade de gênero e raça e acesso igualitário a oportunidades é também promover saúde. O Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, assim como outras frentes de atuação da instituição, entre as quais pesquisa, ensino, assistência, inovação e comunicação, está em constante desenvolvimento para promover saúde ampla para seus mais de 10 mil trabalhadores e para a população brasileira. Todos permanentemente em defesa da vida.

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