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Autismo foi debatido em simpósio no IFF


20/06/2017

Por: Suely Amarante (IFF/Fiocruz)

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O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma síndrome que afeta vários aspectos da comunicação, além de influenciar também no comportamento do indivíduo. Segundo dados do CDC (Center of Deseases Control and Prevention), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, existe hoje um caso de autismo a cada 110 pessoas. Dessa forma, estima-se que o Brasil, com 200 milhões de habitantes, possua cerca de dois milhões de autistas. A síndrome tem, pouco a pouco, saído da obscuridade, mas o estigma e o preconceito, porém, ainda são alguns dos desafios de quem convive de perto com o problema.

Com objetivo de promover uma abordagem multidisciplinar sobre o tema, o Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), através do Serviço de Neurologia promoveu, no início do mês, a primeira edição do Simpósio Adailton Pontes: Transtorno do Espectro Autista. A inciativa foi uma forma de homenagear o neurologista pediátrico Adailton Pontes, que faleceu em junho de 2016. “A ideia da realização do simpósio partiu, justamente, de estar completando um ano da perda do Dr. Adailton. Todos nós sabíamos que seria um dia de muita tristeza. Ao invés de ficarmos chorando, resolvemos transformar a dor em alegria e realizar o evento sobre TEA, assunto que ele sempre estudou com muita seriedade e amor e deixou um grande legado para o Serviço de Neurologia do Instituto”, enfatizou a neuropediatra Tânia Saad.

Considerado um dos desvios comportamentais mais estudado e debatido, o autismo tem ainda suas causas desconhecidas, levando pesquisadores a se posicionarem em dois grandes segmentos de teorias que se opõem: a psicogenética e a biológica. Nesse sentido, a programação, que fez uma abordagem multidisciplinar sobre o TEA, foi dividida em dois momentos. O primeiro foi reservado para uma reflexão sobre a etiologia da síndrome, que iniciou com algumas considerações genéticas, perpassando por situações ligadas a erros inatos do metabolismo, além das considerações neuropsiquiátricas do TEA e como abordá-las.  “Pesquisas reforçam, como fatores desencadeadores, distúrbios genéticos e história familiar, apesar de não podermos descartar outras causas. Dessa forma, a fala do dr. Juan Llerena, sobre fatores genéticos e da drª. Fernanda Góes, sobre erros inatos do metabolismo foram pontos de partida para a nossa discussão”, reforçou Tânia Saad.

Sendo um quadro comportamental, o autismo é uma condição onde o diagnóstico é puramente clínico e observacional e, neste processo, é importante ter o apoio enfático das escolas e creches com relatórios, descrevendo como a criança interage e responde aos estímulos do ambiente e solicitar, muitas vezes, aos pais ou cuidadores mais próximos, fotos, imagens, vídeos e depoimentos que ajudem a equipe que avalia a conhecer mais profundamente o comportamento da criança. Nessa perspectiva, a atuação de um grupo multidisciplinar é imprescindível. Para melhor compreender a realização desse trabalho, profissionais de fonoaudiologia, psicologia, terapia ocupacional e pedagogia foram convidados. “Essa atuação é o ‘carro chefe’ desse transtorno, a psicoterapia, que atua mais precocemente no tratamento desses pacientes é um diferencial, pois ajuda a identificar os sinais mais precoces, como atraso na fala, privação de interação social, entre outras falhas cognitivas que são importantes para a condução do tratamento do TEA” salientou Tânia Saad.

Ao encerrar o simpósio, os profissionais do Serviço de Neurologia do IFF e os familiares de pacientes prestaram uma homenagem ao neuropediatra Adaiton Pontes. “Adailton foi muito importante nas pesquisas voltadas para o campo das neurociências. Ele exerceu a medicina com muita sabedoria, competência e humildade”, lembrou o neuropediatra do Instituto Leonardo Azevedo. O momento também foi oportuno para a inauguração da placa Sala do Saber Adailton Pontes. “Essa sala era o lugar que ele mais ficava, estudava e tinha o seu grupo de estudo, com isso, materializamos para sempre, ele aqui. Como ele mesmo dizia: ‘invisibilidade não quer dizer ausência’, essa é a forma de mantê-lo sempre pertinho de nós”, complementou, emocionada, a neuropediatra Tânia Saad. A médica disse ainda, que existe a pretensão da realização de outras edições do simpósio Adailton Pontes. “Pretendemos tornar a data do dia dois de junho, um marco na história do IFF e a forma de fazermos isso é consolidar essa atividade científica no calendário do instituto”, finalizou Saad.

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