Início do conteúdo

Com ciranda, rima e poesia, Fiocruz dá início ao ano letivo 2021

Participantes convidados

09/04/2021

Por: Isabela Schincariol (Campus Virtual Fiocruz)

Compartilhar:

Para inspirar e esperançar, a Fundação Oswaldo Cruz trouxe para a abertura do ano letivo 2021 as inúmeras representações dos ‘Brasis’ em forma de rima, prosa e verso. O artista pernambucano Antonio Nóbrega proferiu a palestra-recital “Brasil Brasis”, permeada por histórias e canções, acompanhado virtualmente por centenas de pessoas. A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, comentou a escolha do tema apontando que Nóbrega é mais do que um artista, “ele é um grande pensador do Brasil. Este é um momento de reinvenções e a arte é uma das formas de pensar os caminhos da sociedade como um todo”, disse ela.   

Nísia manifestou profundo pesar pelas inúmeras vidas perdidas em decorrência da Covid-19 e lamentou o fato de os números expressarem a dramaticidade do momento que o país está vivendo. Ela anunciou que, a partir deste ano, as aulas inaugurais da Fiocruz sempre acontecerão em sete de abril, Dia Mundial da Saúde, como uma forma de destacar a importância dos estudantes – de pós-graduação e formação técnica – refletirem sobre os grandes temas da saúde e saúde coletiva. Ela leu uma carta de homenagem da presidência ao Dia Mundial da Saúde.

Receber os alunos traz esperança e fortalece os valores que guiam a Fiocruz

Além da presidente da Fiocruz, a mesa de abertura da cerimônia contou com a participação da vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Vieira Machado, da Coordenadora-Geral de Educação, Cristina Guilam, da presidente da Asfoc-SN, Mychelle Alves, do representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG) Richalls Martins, e do sociólogo, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais (Anpocs) e professor UFRJ, André Botelho, que é amigo pessoal de Nóbrega e foi o responsável por apresentá-lo durante a aula.

Cristina Guilam rememorou a aula inaugural do ano passado, ocorrida em março, quando se deu o início das restrições impostas pela pandemia no Brasil, apontando que “aquela foi a primeira experiência de uma conexão virtual mais ampla. De lá pra cá nos assustamos muito, mas também aprendemos muito”, enfatizou ela, ressaltando o trabalho incansável de todos os integrantes da área de educação da Fundação. Cristina citou Paulo Freire dizendo que “não existe ensinar sem aprender” e lembrou que esse grande educador completaria 100 anos em 2021.

A vice-presidente, Cristiani Vieira, frisou os desafios que vêm sendo enfrentados pelos trabalhadores da saúde que atuam na linha de frente de combate à Covid-19, “com dedicação integral, exaustos, porém persistindo no seu trabalho”. Segundo ela, receber os alunos é sempre muito especial, mas, “neste momento em particular, traz muita esperança para nós, pois a Fiocruz tem trabalhado para contribuir em todas as frentes, fortalecendo valores que nos guiam, como a defesa da ciência, o direito à vida e à saúde, à educação de qualidade, e na busca por uma sociedade menos desigual e mais justa. Sigamos juntos nessa ciranda pela vida!”.   

Para Richalls Martins,“neste momento em que todos estamos devastados pela tristeza, dor e luto pelo recorde de mortes causadas pela Covid-19, poder nos reinventar e ressignificar a vida com arte é uma forma de sustentação”. Já Mychelle convidou os participantes a refletirem sobre o desafiador cenário brasileiro de educação, abordando aspectos como falta de acesso à internet, perda de aprendizagem, evasão escolar, além da necessidade de ampliação de orçamento para a ciência e tecnologia no país.

Antonio Nóbrega, uma referência em cultura tradicional brasileira

Por meio de seus versos, prosas, poesias e canções, Antonio Nóbrega percorreu séculos, manifestações e correntes populares que surgiram e influenciaram a cultura de nosso país. Ele abordou questões históricas, mas trouxe também muitas histórias de raízes populares que vivem e mexem com o imaginário brasileiro. 

Passando pelo jongo, xote, coco, baião, tambor de crioula, samba, xaxado, ciranda, frevo e inúmeros outros gêneros e formas da poesia brasileira, o multifacetado artista discorreu sobre as construções e representações simbólicas da cultura brasileira, enalteceu suas raízes e força. Com os versos de uma embolada, Antônio Nóbrega encerrou sua apresentação defendendo a necessidade compartilhar ideias, defender ideais e ajudar uns aos outros com o manifesto musical em formato de ciranda: “Ninguém solta a mão de ninguém”. 

“Uma onda diz vai, vai. Outra onde diz vem, vem.
E de mãos dadas vão e voltam. Ninguém solta a mão de ninguém.
Nossa ciranda, da maré é um movimento. Em tempos de isolamento a ciranda vai rodar.
E vai fazer entre nós mais uma ponte. Alargando o horizonte, dos sertões até o mar.
Nossa ciranda faz a onda, faz um laço. E no mundo dá um abraço, e abraçada vai lutar
Contra o racismo, flagelo da humanidade. Pela luz, fraternidade, pelo mundo vai rodar.
Dança no passo, da ciência pro futuro. Não dá mão ao obscuro, aos que negam o benvirá.
E essa dança que nasceu em uma praia ganha o mundo, se espalha, está em todo lugar…”

É importante registrar que Antonio Nóbrega possui um grande conjunto de literatura de cordel com cerca de seis mil exemplares, disponível no “Acervo Brincante de Literatura de Cordel – Coleção Antônio Nóbrega”. Parte das obras, quase 300 publicações que já são de domínio público, estão disponíveis em acesso aberto no portal

Confira o encontro na íntegra:

Mais em outros sítios da Fiocruz

Voltar ao topoVoltar