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Shirley Costa, coordenadora do 'Bahia Olímpica', fala sobre a participação de meninas na ciência


30/07/2020

Por: Simone Kabarite

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Coordenadora do projeto Ciência na Escola da Secretaria Estadual de Educação da Bahia (de 2012 a 2020), criado há 8 anos, Shirley Costa fala sobre o crescimento da participação das meninas na ciência e os reflexos do trabalho que vem realizando nas escolas do estado para estimular o interesse pelo tema, a partir de uma perspectiva de pertencimento. À frente do Bahia Olímpica - novo projeto da secretaria ligado à realização e participação de estudantes em olímpiadas de matemática, astronomia e outras áreas do conhecimento -, Shirley destaca a importância de iniciativas de instituições parceiras para estimular a presença feminina no campo das ciência, bem como para o empoderamento das meninas e o despertar de suas potencialidades.

Como você percebe a participação das meninas na ciência? Houve um aumento do interesse pelo tema?

Sim, houve um aumento do interesse delas, a partir de todos esses movimentos que vêm sendo criados, seja pela Fiocruz ou pela academia, para estimular que meninas também ingressem na carreira científica. Até mesmo meninas que nunca demonstraram interesse, de repente, descobrem competências que antes pensavam não possuir. É bem marcante essa mudança, por exemplo, na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia – FECIBA. Antes as meninas procuravam muito pela área de humanas e artes, agora há um grande número de meninas apresentando projetos bastante interessantes de física, química, biologia, tecnologia e astronomia

Shirley Costa com uma das pesquisadoras que participaram da Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia - Feciba

Como o projeto Ciência na Escola da Secretaria tem atuado para estimular esse interesse?

Em 2012, coordenei a implementação do projeto na Secretaria, que considero um marco no incentivo às meninas na área da ciência. Desde então, percebemos claramente a diferença no interesse na hora que elas apresentam os projetos de ciências. Isso porque, nós fizemos um trabalho intenso de mobilização, com realização de eventos com convidadas que estudaram na rede estadual e hoje são cientistas, para dialogar com as meninas e mostrar as possibilidades nesse campo. Em um deles, levamos a Eliade Lima, uma grande astrofísica baiana que agora atua na Universidade Federal dos Pampas, no Rio Grande do Sul. Hoje estamos implantando o Bahia Olímpica, que possui um programa especial, o Meninas Baianas Olímpicas, cujo intuito é incentivar que elas participem de forma ativa, que mergulhem em áreas, como ciência, física, química, biologia e áreas afins. Nós queremos mostrar que elas são capazes de estar onde elas quiserem, principalmente na ciência.

Muitas vezes esse interesse se dá a partir de questões relacionadas à idade e ao contexto social em que as alunas estão inseridas. Como é feito esse trabalho de associar essas questões para o desenvolvimento de um projeto de ciência e inovação?

Nós trabalhamos com a questão do pertencimento. Procuramos fazer com que os estudantes percebam o ambiente, a comunidade, os aspectos naturais, sociais daquele local e, a partir do olhar crítico, identifiquem projetos de pesquisa que possam ser trabalhados por meio da ciência em prol da comunidade. Geralmente existem diversos problemas que emergem da comunidade, que podem ser direcionados para a área cientifica, e muitas vezes estão esquecidos pelo poder público. Um exemplo foi o projeto “As Nascentes do Rio das Mulheres” de alunas do município chamado Poções, na Bahia. Elas realizaram uma pesquisa sobre o rio chamado Nascente das Mulheres e perceberam que a nascente estava totalmente poluída, com vários problemas. As alunas identificaram que muitas mulheres da região usavam a água do rio para lavar roupa e que, com a poluição, não puderam mais ganhar seu sustento a partir dele. As meninas passaram a fazer esse trabalho de pesquisa, que ganhou muita repercussão, destaque nacional e internacional. As alunas chegaram a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, onde acontece a Esi Mundi 2019, feira de ciências internacional. Com isso, elas mobilizaram o poder público e fizeram diversas ações para corrigir a poluição da nascente.

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma) da Fiocruz entregou uma versão bônus do ‘‘Prêmio Menina Hoje, Cientista Amanhã’’, que faz parte da 10ª edição do certame, concedido ao trabalho ‘‘Gravidez na Adolescência’’, nas Oficinas Pedagógicas realizadas na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia - Feciba. Como foi o interesse pela área após o Prêmio?

A chegada do Prêmio foi um banho de ânimo! As meninas levaram para a escola mais uma possibilidade e passaram a perceber que existem, sim, diversos meios de tornar pública a sua pesquisa, cujo tema interessa a meninas, mulheres e a comunidade.

A coordenadora da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente e do programa Mulheres e Meninas na Ciência, Cristina Araripe, com Shirley Costa nas Oficinas Pedagógicas realizadas na Feira de Ciências, Empreendedorismo e Inovação da Bahia - Feciba

Qual é a importância do programa Mulheres e Meninas na Ciência da Fiocruz?

É muito importante ter uma instituição séria, reconhecida pela atuação na ciência, como a Fiocruz, desenvolvendo um programa que valida e incentiva a participação das meninas na área. Ao criar o ‘Prêmio Menina Hoje, Cientista Amanhã’, a Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente da Fiocruz reforça a necessidade de incentivar as meninas a seguir a carreira científica, bem como respalda o trabalho que desenvolvemos.

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