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Roda de conversa debateu a produção de conhecimento nas favelas durante a SNCT


27/10/2020

Por: Nathalia Mendonça (Cooperação Social da Fiocruz)*

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A Roda de conversa Favela e Ciência: Ações integradas promoveu durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) na última sexta-feira (23/10) um encontro virtual para tratar da trajetória acadêmica e as experiências de produção de conhecimento nas favelas partindo das narrativas de ex-alunos do Curso de Formação de Monitores do Museu da Vida. 

Ribamar Ferreira, que já foi diretor do Museu da Vida e coordenador do projeto Ciência Móvel, foi o mediador da roda e Isabel Mendes, da Coordenação de Eventos da Fiocruz, fez a recepção dos convidados. Ribamar recordou que foi no ano de 1999 em que iniciaram as conversas e articulações que deram origem ao curso de monitores. 

“Conversamos com parceiros e vimos o potencial que o projeto tinha para engajar jovens no ambiente da Fiocruz. A instituição que sempre foi aberta a desenvolver trabalhos com população do território, mas o programa teve esse papel de incentivar que pessoas enxergassem na Fiocruz um espaço que era seu e permitir sua entrada massiva no campus”, contou. Segundo ele, a Fiocruz vem construindo sua história a partir do compartilhamento de saberes com diferentes grupos sociais e em diálogo com os territórios nos quais está inserida, se valendo da compreensão de que as instituições públicas pertencem à população, e não exclusivamente ao governo. 

O Centro de Estudos e Ações Solidárias da Maré (Ceasm) foi uma das organizações de base sociocomunitária que esteve presente na própria concepção do curso de formação. A historiadora Cláudia Rose Ribeiro atua como professora da rede pública e é co-fundadora do Ceasm e do Museu da Maré, e foi uma das convidadas da roda. Em sua fala, defendeu que os moradores de territórios populares participem da vida da instituição a partir do seu olhar e enfatizou a importância e o papel da militância nessas localidades.  

“Eu vejo que a inovação do Museu da Vida e particularmente do curso de monitores foi, não na perspectiva de levar a ciência para as favelas, mas de abrir o espaço para que a favela estivesse dentro da Fiocruz construindo junto essa noção, essa perspectiva, esse conceito de ciência”, argumentou Cláudia. 

Aluna da turma de 2007 do curso, Daiene Mendes é jornalista de formação e co-fundadora do Favela em Pauta. Ela contou um pouco da sua história e de como o programa de formação de monitores impactou sua vida. Daiene também afirmou que, em seu ponto de vista, a favela deve ser vista como um exemplo de mobilização popular. “Eu acredito que dá pra gente construir uma narrativa coletiva de favela onde a gente possa ser sujeito das nossas próprias histórias”, afirmou.

Os ex-alunos Eduardo Oliveira, doutor no ensino de biociências em saúde pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e o pedagogo Leandro Carreira, também participaram da roda. Ambos destacaram a importância do curso para sua formação cidadã e para o despertar do interesse pela vida acadêmica. O encontro pode ser visto abaixo:
 


No ano anterior, a roda de conversa sobre a produção de conhecimento nas favelas ocorreu durante o 26º Fiocruz Pra Você. As narrativas do encontro deram origem aos cinco episódios do Podcast Favela e Ciência, também lançado durante a SNCT. O podcast é uma iniciativa da Cooperação Social da Fiocruz e todos os episódios estão disponíveis no Spotify, Soundcloud, Anchor e outras plataformas. 

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