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04/07/2019

Reciis lança edição com dossiê sobre os 40 anos do Movimento LGBT no Brasil


Capa da revista mostra m homem sem camisa na frente de uma bandeira colorida
As comemorações podem ser um meio de consolidar ou defender uma diferença por lembrar ações e grupos comprometidos com a defesa dos direitos políticos, sociais e civis. Esta questão atravessa o dossiê 40 anos do Movimento LGBT no Brasil: comunicação, saúde e direitos humanos que compõe a edição v.13, n.2da Revista Eletrônica de Comunicação, Informação e Inovação em Saúde (Reciis). O periódico é editado pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz). 

Os artigos originais do dossiê partem de uma compreensão comum em relação às tecnologias de comunicação e informação: os dispositivos midiáticos são lugares nos quais é possível discutir liberdade de expressão e possibilidades de visibilidade/invisibilidade. Estas duas palavras paradoxais se encontram no trabalho Dilemas da visualidade jornalística das violências contra pessoas LGBTQ+ e contra mulheres heterossexuais no Brasil numa reflexão sobre a invisibilidade dos corpos de mulheres heterossexuais na mídia como uma construção da violência simbólica que as tornam seres invisíveis no cotidiano, e a visibilidade do corpo LGBTQ+ como a expressão do que se deve ser punido e excluído das relações sociais. 

Numa perspectiva articulada com o campo da saúde, o artigo Do AZT à PrEP e à PEP: Aids, HIV, movimento LGBTI e jornalismo aborda as mudanças nas relações entre a homossexualidade masculina e a epidemia de HIV/Aids e permanências de preconceitos históricos sobre o tratamento (a partir do AZT) e prevenção (PrEP/PEP).

Política e crimes de ódio: uma rede de cumplicidade 

Os artigos também partem da discussão do tema do dossiê a partir das manifestações públicas de autoridades políticas como nos manuscritos Necropolítica tropical em tempos pró-Bolsonaro: desafios contemporâneos de combate aos crimes de ódio LGBTfóbicos e ‘ós versus eles: ódio biopolítico contra a população LGBT no Twitter de Marco Feliciano. Esses trabalhos propõem que algumas figuras públicas compõem e são ressonâncias de uma rede cúmplice de encorajamento ao crime de ódio contra a população LGBT. 

O dossiê traz o tema da travestilidade na interface com a comunicação no trabalho Travestis e organizações: o papel da comunicação na construção de espaços organizacionais e das reclassificações das identidades trans no contexto da divulgação da décima primeira edição da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID-11) no artigo Notícias sobre a nova classificação das identidades trans: uma análise das fontes citadas em reportagens publicadas no Brasil. A seção se encerra com a entrevista concedida pela doutora Luma Nogueira de Andrade Assujeitamento e disrupção de um corpo que permanece e resiste: possibilidade de existência de uma travesti no ambiente escolar. O testemunho de uma das primeiras doutoras travestis no país se configura como um ponto disruptivo que reconfigura o lugar travesti/prostituição e o corpo travesti/tecnologia. 

A edição v.13, n.2 da Reciis traz também artigos submetidos em fluxo contínuo que tratam de temas diversos como mídia e bioética; o consumo de bebidas açucaradas por adolescentes; websites e doação de gametas; e divulgação científica. A publicação termina com uma resenha do documentário Mulheres das águas, na qual o autor se apropria da narrativa audiovisual de um grupo de pescadoras nos manguezais do nordeste brasileiro para refletir sobre os conceitos contemporâneos de comunidade, gênero e raça. 

Dossiê Saúde, etnicidades e diversidade cultural 

Até o dia 12 de agosto, a Reciis está com chamada pública de submissão de trabalhos inéditos para o dossiê Saúde, etnicidades e diversidade cultural: comunicação, territórios e resistências. A publicação está prevista para dezembro. 

O dossiê pretende contar com contribuições multidisciplinares que discutam a determinação social da saúde dos diferentes grupos étnicos e as relações existentes entre a diversidade sociocultural, possiblidades comunicativas, luta por territórios e estratégias de resistências de grupos étnicos. Saiba mais sobre a chamada pública

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