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Fiocruz faz Paraná participar de prêmio por vigilância de febre amarela


14/10/2021

Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)

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Desde segunda-feira (11/10) e até 10 de novembro deste ano estará aberta a votação internacional para o 5º Prêmio Guangzhou, uma plataforma para o compartilhamento e intercâmbio de práticas inovadoras na implementação local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (ODS) e da Nova Agenda Urbana (NUA). Qualquer pessoa poderá votar nos projetos das 15 cidades que concorrem ao prêmio. O município de São José dos Pinhais (PR), na Região Metropolitana de Curitiba, é um dos concorrentes, com o projeto Tecnologia digital e participação social na vigilância e definição de áreas e ações prioritárias para o controle da febre amarela no Brasil. O projeto é fruto da parceria entre a Plataforma Institucional Biodiversidade e Saúde Silvestre da Fiocruz, a Coordenação-Geral de Vigilância das Arboviroses da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, a Secretaria de Saúde do Paraná e a Unidade de Vigilância de Zoonoses da Secretaria de Saúde de São José dos Pinhais. Acesse a votação.

Cada endereço de IP pode dar até cinco votos por dia. A cidade com mais votos será a vencedora do The Online Popular City. O júri vai selecionar cinco vencedores, que receberão um prêmio em dinheiro no valor de U$ 20 mil. O concurso deste ano recebeu 273 candidaturas de 175 cidades e governos locais em 60 países. O prémio é patrocinado pela Organização Internacional União de Cidades e Governos Locais, pela Associação Mundial das Grandes Metrópoles e pelo governo de Guangzhou, no sul da China. O objetivo do Prêmio Guangzhou é contribuir para a criação de cidades e assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. O vencedor será anunciado na cerimônia de premiação, que será realizada em Guangzhou em 12 de novembro.

No período sazonal da febre amarela, de julho de 2018 a junho de 2019, ocorreram no Paraná epizootias de febre amarela em primatas não humanos (PNH) em 73 municípios. Na ocasião, entre as diversas recomendações e alertas da Secretaria de Saúde do Paraná aos serviços de saúde, foram feitas orientações à população para notificação imediata de morte de macacos às secretarias municipais de saúde e ao Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde do Paraná.

Em 2019, a notificação passou a ser feita pelos moradores e pelos profissionais de saúde em campo, utilizando o aplicativo Siss-Geo (Sistema de Informação em Saúde Silvestre), desenvolvido pela Fiocruz. Junto com o trabalho educativo sobre a febre amarela, a importância da sua imunoprofilaxia e a confirmação dos corredores ecológicos de avanço da febre amarela, metodologia desenvolvida pela Superintendência de Endemias do Estado de São Paulo, foi possível identificar as áreas de risco e prioritárias para a vacinação.

O Siss-Geo, lançado em 2014 e ganhador de diversos prêmios, permite que seus usuários registrem informações georreferenciadas em tempo real sobre animais vivos ou mortos, saudáveis ou doentes, seus vestígios e impactos ambientais. Ao integrar cidadãos ao Programa Nacional de Vigilância em Saúde, o Siss-Geo reforçou a competência do Ministério da Saúde para monitorar surtos de febre amarela, outras zoonoses emergentes e condições ambientais.

A integração das ações locais realizadas pela Unidade de Vigilância de Zoonoses de São José dos Pinhais, juntamente com a Secretaria de Saúde do Paraná e a Coordenação-Geral de Arboviroses do Ministério da Saúde permitiram a identificação e o desenho de corredores de transmissão viral e áreas prioritárias de vacinação. A campanha provou que o uso da plataforma Siss-Geo para monitorar a saúde de primatas não humanos em tempo real é benéfico. A ferramenta dá às autoridades de saúde pública até dois meses de antecedência de um surto, tempo suficiente para vacinar milhares de pessoas. E permite tempo para desenvolver iniciativas de proteção animal que ajudem a proteger a vida selvagem.

“Qualquer pessoa é capaz de gerar informação sobre a saúde dos animais, estando onde estiver. Com o celular, qualquer um pode prevenir doenças e ajudar a monitorar a situação de saúde dos animais”, diz a bióloga Marcia Chame, coordenadora do Centro de Informação em Saúde Silvestre e do Programa Institucional Biodiversidade e Saúde da Fiocruz e uma das idealizadoras do aplicativo.

Márcia ressalta que a ferramenta possibilita que a sociedade conheça a relação entre a saúde silvestre e a saúde das pessoas e repensem a forma de viver. “A conservação da biodiversidade pode trazer melhorias para a saúde e modificar o processo de transmissão de doenças e mitigar os impactos da degradação ambiental, que fazem com que algumas doenças reapareçam. As informações inseridas no aplicativo são analisadas por pesquisadores, que relacionam as ocorrências com diversos dados de infraestrutura socioambiental, modificações ambientais, mudanças climáticas e do uso da terra. Tudo isso para tentar entender como é a dinâmica neste mundo que se transforma, por que algumas doenças têm surtos em certas localidades, desaparecem em umas regiões e permanecem em outras”, observa Marcia.

Segundo Marcia, que vem promovendo capacitações de uso da ferramenta em diversos municípios, o objetivo é estender a utilização do Siis-Geo para todo o país, com o apoio do Ministério da Saúde e das secretarias estaduais e municipais de Saúde. Ela reforça que a ferramenta integra as iniciativas da Fiocruz no que diz respeito à Agenda 2030 da Fundação.

A indicação de São José dos Pinhais contou com o empenho dos médicos veterinários Haroldo Greca Júnior e Cassiana Machado, responsáveis pela implantação do projeto no município. Greca conheceu o aplicativo em 2018, tornando-se imediatamente usuário, e foi naquele momento que ele começou a utilização da ferramenta na cidade paranaense. Greca afirma ter ficando impressionado com a adesão dos moradores e produtores rurais de São José dos Pinhais, que passaram a manejar o aplicativo em favor da saúde de todos. A Guarda Ambiental de São José dos Pinhais e a Unidade de Vigilância de Zoonoses, onde Greca e Cassiana atuam, também tiveram uma participação fundamental na disseminação da ferramenta.

As outras 14 cidades selecionadas para o 5º Prêmio Guangzhou representam todos os continentes. São elas: Unley, na Austrália; Viena, na Áustria; Chongqing, na China; Copenhague, na Dinamarca; Quito, no Equador; Odisha, na Índia; Berhampur, na Índia; Bandung, na Indonésia; União de Municípios, no Líbano; Antananarivo, em Madagascar; Breda, na Holanda; Saint Louis, no Senegal; Cidade do Cabo, na África do Sul; e Los Angeles, nos Estados Unidos.

Mais informações sobre o Prêmio Guangzhou.

Como votar

1 - Acesse http://vote.guangzhouaward.org/vote.html

2 - Procure São José dos Pinhais - Brazil e adicione seu voto clicando cinco vezes no [+], o máximo permitido por dia por IP;

3 - Vá ao final da página e clique em "Submit";

4 - Se quiser participar do Lucky Draw preencha seus dados e continue, caso contrário o seu voto já será computado. No dia seguinte é possível votar mais cinco vezes e assim; sucessivamente até o final da votação, em 10 de novembro. Ao votar a pessoa concorre a um cupom de US$ 100 na Amazon. 

Siss-Geo

O Siss-Geo gera, a partir de registros de animais silvestres, modelos de alertas de ocorrências de doenças para animais silvestre e humanos. As pessoas podem tirar fotos de animais, fazer seus registros e incluir informações adicionais sobre problemas de saúde ou comportamentos atípicos observados. Os registros são georreferenciados pelo GPS do celular, o que ajuda a identificação exata da circulação de patógenos.

O principal trunfo do Siss-Geo é estimular a participação da sociedade no monitoramento de epizootias (termo usado para definir eventos de doenças em animais não humanos, análogo ao conceito de epidemia em pessoas). O aplicativo trabalha com a perspectiva de “ciência cidadã”, que entende que qualquer pessoa pode contribuir com a ciência.

A proposta é bastante simples: cada vez que alguém se deparar com um animal silvestre deve reportá-lo no aplicativo, informando o tipo de animal observado, suas características, localização, características do ambiente e fotos. O aplicativo é gratuito, simples de usar e pode ser baixado nos modelos mais simples de smartphones.

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