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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência na Fiocruz


18/02/2021

Erika Farias (CCS)

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Instituído pela ONU em 2015, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é celebrado desde 2019 na Fiocruz. Aliada com a Agenda 2030¹, a data tem como objetivo colaborar com a redução das desigualdades de gênero nas áreas científicas e garantir o pleno direito à educação de meninas. Este ano, foram três dias de atividades virtuais (10, 11 e 12 de fevereiro). Os dois últimos, com transmissão aberta ao público pelo YouTube oficial da Fiocruz. O evento contou com tradução em Libras, como forma de garantir amplo direito à informação e comunicação.

Mesa de abertura Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência (foto: Divulgação)

 
Mesa Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

A primeira mesa virtual aberta ao público contou com a presença da coordenadora de Divulgação Científica da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz), Cristina Araripe; da representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG), Elizabeth Leite; da representante da coordenação colegiada do Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, Marina Maria; da pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde da Fiocruz (INCQS) e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN), Mychelle Alves; da vice-presidente da Vpeic/Fiocruz, Cristiani Vieira Machado; e da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima. O vídeo da mesa de abertura Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, apresentada por Maria Inês Fernandes, do Gabinete da Presidência, pode ser assistido na íntegra no canal do YouTube da Fiocruz.

Equidade e representatividade

A coordenadora de Divulgação Científica da Vpeic/Fiocruz, Cristina Araripe, abriu o evento apresentando dados sobre as desigualdades de gênero que ainda se expressam na sociedade, em especial na área acadêmica. Segundo a coordenadora, um estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de 2018, mostra que 1/3 das meninas não têm acesso à educação de qualidade. Mulheres representam 33,3% da força de trabalho na pesquisa científica do mundo e apenas 12% das mulheres cientistas participam de academias nacionais. “Nosso evento é um desejo manifesto de muitas mulheres dessa instituição de contribuir com a ciência e o desenvolvimento do país em condições de igualdade de gênero. As mulheres têm direito a participar do desenvolvimento científico, principalmente no século 21”, afirmou. 

“Existem muitos desafios para as mulheres nas áreas das ciências. Alguns só se intensificaram nesse período de pandemia”, disse a representante da Associação de Pós-Graduandos da Fiocruz (APG), Elizabeth Leite. “Os dados são impactantes. As mulheres dedicam o dobro de horas a atividades domésticas em relação aos homens. Justamente por isso, muitos acreditam que por algumas serem mães e cuidarem da casa não conseguirão produzir da mesma forma”, complementa Elizabeth, afirmando que essas são algumas das razões para os homens terem mais possibilidades de se tornarem pesquisadores principais em muitos espaços.

Para a representante da coordenação colegiada o Comitê Pró-Equidade de Gênero e Raça da Fiocruz, Marina Maria, só a necessidade de ter sido criada uma data como essa já mostra como existe um caminho longo a percorrer. A coordenadora relembrou que desigualdades e desafios para o desenvolvimento da carreira de cientista são atravessados, além das questões de gênero, pelas de raça e acessibilidade. “Temos tentado formas de garantir que mais mulheres negras, trans e com deficiência, que meninas e mulheres em sua diversidade, tenham o direito de sonhar, de se desenvolverem e de se tornarem cientistas”, concluiu.

Busca por espaços de liderança

“Para quem tem pouco acesso ou pouco recurso, é difícil passar pela cabeça ser cientista, principalmente por falta de representatividade”. Foi assim que a pesquisadora do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) e presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz (Asfoc-SN), Mychelle Alves iniciou sua fala. A pesquisadora saudou os movimentos feministas e antirracistas negros, por lutarem pela questão da representatividade, fundamental para que meninas sintam que possam ser o que quiserem.
A presidente da Fundação, Nísia Trindade Lima, afirmou que “este é um momento para pensarmos em nossas conquistas e reivindicações, mas também de falarmos dos obstáculos, porque só assim teremos um caminho mais consistente para esse trabalho em prol da equidade.” A presidente ainda dividiu com o público uma referência pessoal que marcou sua busca por mais espaços.

“Para mim é muito significativo ter sido criada pela minha avó, uma mulher inteligentíssima, mas analfabeta. Na minha família materna, minha mãe só cursou até o ginasial e meu tio cursou engenharia na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Sou de uma geração de classe média em que as mulheres começaram a superar esses obstáculos. Mas isso é muito recente no Brasil”, afirmou Nísia Trindade Lima.

No campo científico, a presidente falou sobre a questão de gênero dentro da instituição. “Temos visto mais mulheres participando de grupos de pesquisas, mas sabemos que isso está muito aquém do desejável e do que é possível fazer. Aqui na Fiocruz, a despeito da projeção que temos nos grupos de pesquisa, é um fato que na alta gestão da instituição somos apenas um terço", destacou. Para a presidente, criar condições, estimular e valorizar que mais mulheres estejam em posições de direção deve ser uma política institucional.

Ascenção profissional

“O sentido desse dia é chamar a atenção para a desigualdade de gênero”, apontou a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Vieira Machado. “Uma desigualdade, que se manifesta de diversas formas na sociedade, e que se apresenta de forma contundente na ciência, repercutindo na possibilidade de inserção das meninas na área científica e nas possibilidades de ascensão profissional dessas mulheres”, contou.

Para Cristiani, a Fiocruz, como uma instituição de ciência e tecnologia que já vem discutindo essas questões há bastante tempo e incorporou as diretrizes de igualdade de gênero e raça em seu estatuto, tem um compromisso muito grande com a promoção da equidade de gênero. “Nossa mensagem central é que toda mulher pode ser cientista, toda mulher pode ser o que quiser”, finalizou. 

Confira a cobertura dos três dias de evento na página especial de Mulheres e Meninas na Ciência, no Portal Fiocruz.

¹ A Agenda 2030 é um plano de ação para as pessoas, o planeta e a prosperidade, que busca fortalecer a paz universal. O plano, adotado por representantes dos 193 Estados-membros da ONU, indica 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, os ODS, e 169 metas, para erradicar a pobreza e promover vida digna para todos, dentro dos limites do planeta. São objetivos e metas claras, para que todos os países adotem de acordo com suas próprias prioridades e atuem no espírito de uma parceria global que orienta as escolhas necessárias para melhorar a vida das pessoas, agora e no futuro. Saiba mais aqui

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