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Pandemia limita ações para a erradicação da tuberculose


25/03/2021

Fonte: Informe Ensp

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Todos os anos, o 24 de março, Dia Mundial de Combate à Tuberculose (TB), é marcado, pela Organização Mundial da Saúde (OMS), para intensificar os esforços a fim de acabar com a epidemia global da doença e aumentar a conscientização pública sobre suas consequências devastadoras para a saúde, a sociedade e a economia. Durante a pandemia de Covid-19, estima-se que 1,4 milhão de pessoas a menos receberam tratamento para tuberculose em 2020 do que em 2019, de acordo com dados preliminares compilados pela OMS em mais de 80 países - uma redução de 21% em relação a 2019. O tema da data em 2021 - O relógio está passando - transmite a sensação de que o mundo está ficando sem tempo para cumprir os compromissos de erradicar a TB assumidos pelos líderes globais.

A tuberculose continua sendo a doença infecciosa mais mortal no mundo. Diariamente, quase 4 mil pessoas perdem a vida em decorrência da TB, e cerca de 28 mil adoecem por essa doença evitável e curável. No Brasil, todos os anos, ocorrem aproximadamente 74 mil casos novos e 4.500 óbitos. “A TB está intimamente ligada e enraizada a fatores como pobreza, habitação lotada e inadequada, insegurança alimentar e acesso desigual aos serviços de saúde. Infelizmente, esses fatores não podem ser tratados por uma vacina”, lamenta o pesquisador Paulo Victor Vianna, do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, departamento da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), considerado referência para pesquisas, tratamento e diagnóstico da TB.

Com o advento da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), os compromissos assumidos por líderes globais para eliminar a TB como problema de saúde pública até 2030 estão sob risco. Segundo alguns especialistas, a pandemia eliminou doze anos de progressos na luta global contra a tuberculose. Embora a Covid-19 continue a assustar o mundo, outras doenças transmissíveis, incluindo TB, não devem ser negligenciadas. “Os efeitos da Covid-19 vão muito além da morte e da doença causadas pelo próprio vírus. A interrupção dos serviços essenciais para pessoas com TB é apenas um exemplo trágico de como a pandemia está afetando desproporcionalmente algumas das pessoas mais pobres do mundo, que já corriam maior risco de TB”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que completou. “Esses dados preocupantes apontam para a necessidade de os países fazerem da cobertura universal de saúde uma prioridade-chave enquanto respondem e se recuperam da pandemia, a fim de garantir o acesso a serviços essenciais para tuberculose e todas as doenças.”

Para Paulo Victor, em virtude da adoção de medidas de distanciamento para conter o avanço da Covid-19, novas estratégias devem ser amplamente estimuladas com o objetivo  de manter o vínculo entre paciente e profissional de saúde. Na opinião dele, por exemplo, a adoção do uso da telessaúde é uma importante estratégia para se evitar a interrupção do tratamento. Além disso, por serem doenças transmitidas de uma pessoa para outra pelo ar (uma por vírus e outra por bactéria) e também apresentarem sinais e sintomas semelhantes como tosse, febre, dor no peito, fadiga, a investigação diagnóstica poderia ser amplamente recomendável nos serviços de saúde, com a oferta de exames de diagnósticos tanto para a Covid-19, como para a tuberculose. “Tal estratégia poderia reduzir a subnotificação de casos de TB durante a pandemia de Covid-19”, indicou o pesquisador.

O 24 de março foi determinado pela OMS para marcar o dia, em 1882, no qual o Dr. Robert Koch anunciou a descoberta da bactéria causadora da tuberculose, o que abriu caminho para o diagnóstico e a cura dessa doença. Acesse a campanha de 2021.

Pesquisadores da Ensp/Fiocruz participam de programa da TV Alerj

Para tratar sobre o tema da tuberculose, o programa Debate Virtual da TV Alerj convidou o chefe do Centro de Referência Professor Hélio Fraga da Ensp/Fiocruz, pesquisador Jesus Pais Ramos; e o coordenador do Observatório Tuberculose Brasil, também pesquisador da Escola, Carlos Basília. Ambos falaram sobre o histórico, características, formas de contrair, de transmissão, sintomas, tratamento, vacina e demais abordagens que envolvem a tuberculose.

O programa ainda contou com a participação da deputada estadual Martha Rocha, que falou das medidas previstas na Lei 8.746/2020, que institui a Política Estadual de Controle e Eliminação da Tuberculose no Estado do Rio de Janeiro. 

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