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11/10/2019

Obesidade Gestacional: uma situação de alerta


Por: Mayra Malavé Malavé (IFF/Fiocruz)

Sobrepeso e obesidade são alguns dos principais problemas de saúde pública que atingem a população mundial, sendo catalogadas como "epidemia do século 21" pela Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, o número de obesos aumentou 67,8% entre 2006 e 2018, segundo resultados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) de 2018, do Ministério da Saúde (MS).

Nesta epidemia mundial da obesidade, as mulheres são especialmente afetadas, incluindo as brasileiras. Segundo a mesma pesquisa do MS, 20,7% das mulheres no país são obesas, percentual alarmante ao considerarmos que é um problema de saúde em expansão entre mulheres em idade reprodutiva, com a gestação na lista dos fatores clássicos desencadeantes da doença, segundo publicou a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) em artigo de dezembro do ano passado.

Por esse motivo e no contexto do Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, comemorado no dia 11 de outubro de cada ano, a nutricionista do Ambulatório de Nutrição do Pré-natal do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Roseli de Souza Santos da Costa lembra que o controle de peso antes e durante a gravidez tem efeitos benéficos para a própria gestação e para a saúde da geração seguinte.

A seguir, a especialista fala sobre os riscos da obesidade gestacional e oferece algumas recomendações nutricionais para as mulheres durante a gravidez.

O que é obesidade?

RS: A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo. É uma doença multifatorial, abrangendo fatores genéticos, metabólicos, sociais, ambientais, econômicos, comportamentais, culturais e demográficos. A OMS define a obesidade como a concentração excessiva de gordura que pode prejudicar a saúde do indivíduo, tornando-se um problema de saúde pública.

Quando uma mulher grávida é considerada obesa?

RS: Uma mulher grávida é considerada obesa quando apresenta índice de massa corporal (IMC), que é a divisão da massa (em quilogramas) do indivíduo pelo quadrado de sua altura (em metros), pré-gestacional superior a 30 kg/m2.

Quais são os fatores de risco associados à obesidade gestacional e como ela afeta a saúde do bebê e da gestante?

RS: A obesidade materna e o ganho de peso excessivo na gestação estão associados ao aumento de complicações antenatais, intraparto, pós-parto e complicações neonatais, elevando os riscos de ocorrências como diabetes gestacional, hipertensão, pré-eclâmpsia, os riscos de indução do trabalho de parto, de cesarianas, de hemorragia puerperal, crescimento intrauterino restrito, recém-nascidos grandes ou pequenos para a idade gestacional, além de expor a criança a maior risco de complicações a curto e longo prazo. Em recém-nascidos, além da macrossomia fetal, os mesmos podem apresentar dislipidemia, hipoglicemia neonatal, trauma fetal, defeitos do tubo neural, prematuridade, sofrimento fetal, risco aumentado de aspiração de mecônio. A taxa de malformações fetais é maior em mulheres obesas do que naquelas com peso normal.

Como a obesidade gestacional pode ser prevenida?

RS: O ideal é que a futura mãe já tenha cuidados com a alimentação anteriores à gestação, ou seja, condição nutricional pré-gestacional adequada, pois a gestação pode atuar como desencadeante da obesidade, ou como agravante, quando aquela for pré-existente. Orientação nutricional é parte fundamental. A mulher deve manter hábitos alimentares saudáveis, seguir uma ingestão calórica apropriada, evitando alimentos ricos em gordura e açúcares e praticar, se possível, atividade física.

Quais são os conselhos dietéticos gerais para controlar a obesidade durante a gravidez?

RS: Seguir um plano alimentar saudável, de acordo com as orientações recebidas pelo nutricionista ao longo do ciclo gravídico. O ideal é que a gestante seja encaminhada ainda no primeiro trimestre da gestação para atendimento e acompanhamento com o nutricionista. Durante a gestação deve ser realizado monitoramento do seu ganho ponderal por meio de intervenções nutricionais precoces e eficazes, com orientação individualizada, contribuindo, dessa forma, para o resultado obstétrico mais favorável, reduzindo a morbidade materna e fetal.

E as recomendações nutricionais para mulheres em fase de amamentação?

RS: Basicamente, são as mesmas do período da gestação. Recomenda-se que a alimentação da mãe durante a amamentação deve conter, essencialmente, alimentos in natura ou minimamente processados. Deve-se dar preferência a pratos que incluam alimentos naturais como frutas, legumes, verduras, arroz, feijão, alimentos ricos em cálcio, carnes em geral, ovos e cereais. É importante que a mulher que está amamentando beba, ainda, mais água para uma boa hidratação. Deve-se evitar bebidas alcoólicas e lembrar-se, sempre, que alimentação saudável da mulher, gestante e nutriz, será um investimento para o futuro, tanto dela, quanto do futuro bebê.

Definitivamente, embora a gravidez não seja uma doença, envolve necessidades nutricionais específicas que afetam não apenas a mãe, mas também o desenvolvimento do feto. Portanto, a alimentação adequada da gestante é de vital importância para ela e para a saúde do bebê que está sendo gerado.

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