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11/04/2019

O ressurgimento do sarampo: uma doença evitável


Por: Mayra Malavé (IFF/Fiocruz)

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, em comunicado de imprensa publicado em novembro de 2018, que os casos de sarampo estavam aumentando no mundo, e suas previsões apontavam para o fato de que os casos da doença quase dobraram em um ano. O Brasil não está fora desse surto de sarampo e faz parte dos países com essa virada de 2017 até hoje. Em 2018, o país teve 10.326 casos confirmados da doença, e, somente no mês de fevereiro de 2019, registrou 28 casos. Números da OMS indicam que, em 2017, a doença provocou um estimado de 110.000 mortes no mundo.

Vacina é a opção

Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sarampo era uma doença em vias de alcançar a sua erradicação mundial em 2010. No entanto, o fato de que, na atualidade, os desafios para a eliminação da doença viral em algumas regiões do mundo sejam maiores, coloca o sarampo novamente em foco, tornando-se necessário reforçar a abrangência da vacinação, única estratégia que garante a prevenção.

O pediatra do Instituto Nacional de Saúde da Mulher da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz) Márcio Nehab defende a necessidade da vacinação e afirma que as pessoas que não se vacinam estão colocando em risco aqueles que não podem se vacinar. “O sarampo é uma doença grave, com risco de complicações e morte, sendo a doença com maior transmissibilidade conhecida. Uma pessoa em ambiente fechado pode transmitir para todos os presentes não imunes. Além disso, menores de 6 meses, pessoas com problemas de imunidade, grávidas e pacientes com câncer não podem tomar a vacina, e se tiverem contato com alguém doente podem morrer ou ter sequelas”, ressalta.

O aumento do sarampo no mundo não pode ser associado só a uma causa, estando a sua propagação vinculada a muitas razões. A baixa mundial na cobertura de vacinação, a disseminação de mentiras sobre a vacina na Europa e no Estados Unidos (EUA) e o colapso do setor saúde na Venezuela são peças que se combinaram para o ressurgimento da doença. Mesmo o movimento antivacina sendo uma das causas mais reportadas na Europa e nos EUA, no Brasil, Nehab acredita que “o mais provável é que a baixa cobertura vacinal esteja deixando um mar de susceptíveis, e esses podem contrair a doença”.

Esquema vacinal

Segundo Nehab, para ser considerado protegido, todo indivíduo dever ter tomado duas doses na vida, com intervalo mínimo de um mês, aplicadas a partir dos 12 meses de idade. 'Os postos de saúde disponibilizam gratuitamente, durante o ano todo, imunizações contra a doença, pelo que é necessário conhecer os esquemas de doses conforme o perfil da pessoa e procurar se vacinar". A seguir, o pediatra explica o esquema:

“Para crianças, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam como rotina duas doses: uma aos 12 meses e a segunda quando a criança tiver entre 1 ano e 3 meses, junto com a vacina contra a varicela, podendo ser usadas as vacinas separadas (SCR e varicela) ou a combinada (tetraviral: SCR-V). Crianças mais velhas, adolescentes e adultos não vacinados ou sem comprovação de doses aplicadas devem tomar duas doses com intervalo de um mês. Também podem se vacinar, de forma gratuita, pessoas de até 29 anos, tomando duas doses, com intervalo mínimo de 30 dias, e entre 30 e 49 anos, tomando apenas uma dose. Indivíduos com história prévia de sarampo, caxumba e rubéola são considerados imunizados contra as doenças, mas é preciso ter certeza do diagnóstico. Na dúvida, recomenda-se a vacinação. Indivíduos que não lembram se já foram vacinados podem tomar a vacina sem problemas”.

Estratégia

A atual estratégia da OMS para mudar a situação se concentra no aumento dos esforços para elevar a cobertura de vacinação e alcançar mais de 95% das crianças protegidas em todos lugares. Bem como fortalecer a vigilância epidemiológica, caso contrário, os países vão enfrentar uma luta constante contra um surto após o outro.

No Brasil, no dia 19/3, ao confirmar um novo caso de sarampo endêmico no Pará, que gera a perda da certificação de país livre da doença, o Ministério da Saúde (MS) comunicou que desenvolve um pacote de novas ações para intensificar as campanhas e reverter a baixa das taxas de imunização. O MS informou também que prevê encaminhar medidas de prevenção ao Congresso Nacional, que incluem mobilizar creches e escolas para assegurar a tomada da vacina contra o sarampo e salientar aos pais sobre a responsabilidade de atualizar a caderneta de vacinação dos filhos, além de reforçar o monitoramento da vacinação, através dos programas de integração de renda e das normativas para os trabalhadores de saúde. Ao mesmo tempo, especialistas do órgão trabalham para identificar o padrão de circulação do vírus e, assim, determinar as áreas mais vulneráveis. Com isso, o Brasil iniciará o plano para retomar o título dentro dos próximos 12 meses.

Autismo: o grande mito sobre a vacina

Apesar de ser uma doença facilmente evitável através da vacinação, ainda na atualidade existe certa complacência nas pessoas em relação à disseminação de falsidades sobre a vacina contra o sarampo. Um dos maiores mitos propagados é que essa imunização pode provocar autismo, sendo que, como compartilhado por Nehab, o maior estudo já feito comprova o contrário. Publicada no último mês de março, na revista Annals of Internal Medicine, a pesquisa mostra que, curiosamente, a vacina foi ainda associada a um risco ligeiramente menor de autismo em meninas e em crianças nascidas de 1999 a 2001. Portanto, em relação ao sarampo, no cenário atual de surtos, é muito importante evitar a propagação de rumores e histórias da vacinação, pois não existe comprovação científica da associação da vacina com outras doenças ou transtornos.

Veja no site do IFF mais informação sobre o sarampo: sintomas, transmissão, prevenção, tratamento
 

Fontes consultadas: Organização Mundial da Saúde | Organização Pan-americana de Saúde | Ministério da Saúde | Fiocruz | Live Sience | Annals of Internal Medicine |

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