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Nova espécie de percevejo é batizada em homenagem a pesquisador da Fiocruz


09/05/2022

Max Gomes (IOC/Fiocruz)

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Em publicação na Revista Chilena de Entomología, especialistas do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) descreveram uma nova espécie de percevejo predador – que se alimenta de outros insetos menores e artrópodes. Batizada de Zelurus galvaoi, a descoberta tem em seu nome uma homenagem ao pesquisador Cleber Galvão, chefe do Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos do IOC.
Visão dorsal do espécime macho de Zelurus galvaoi (Foto: IOC/Fiocruz)    

O reconhecimento se deu a partir da importância de Galvão para os estudos da família de insetos Reduviidae, que, assim como os percevejos predadores, compreende também os triatomíneos (insetos hematófagos transmissores da doença de Chagas). “Além do seu grande valor como cientista, um estudioso exemplar em reduviídeos, decidimos homenageá-lo também pela influência em nossas carreiras. Cleber foi meu orientador no doutorado e, atualmente, orienta o segundo autor do artigo, João Paulo Sales Oliveira Correia, nessa empreitada”, destacou o primeiro autor, Hélcio Reinaldo Gil Santana, do Laboratório de Diptera do IOC.

O achado surgiu de uma observação mais detalhada em espécimes oriundos da região amazônica do Peru que estavam depositados desde 1997 na Coleção de Triatomíneos do Instituto Oswaldo Cruz (CTIOC), que abriga também diferentes espécimes de Reduviidae. “O gênero Zelurus chegou a ser bastante estudado em meados do século passado, com o pioneirismo de Costa Lima. Em seguida, em quase duas dezenas de artigos, também foi objeto de estudo do pesquisador Herman Lent. No entanto, poucos trabalhos foram desenvolvidos sobre esses insetos nas décadas seguintes”, pontuou Hélcio, que se dedica há cerca de vinte anos ao estudo de reduviídeos predadores.

Apesar da nova espécie não participar da transmissão de doenças para os seres humanos, as observações sobre o Zelurus galvaoi podem contribuir para o melhor entendimento geral sobre a família Reduviidae, além de constituírem um importante registro da biodiversidade. “É um inseto predador de outros insetos e artrópodes. Por ser da mesma família que os triatomíneos, transmissores da doença de Chagas, estudá-lo pode trazer esclarecimentos importantes sobre a sistemática do grupo”, afirmou o especialista.

Os espécimes utilizados para caracterizar a nova espécie permanecem depositados na Coleção de Triatomíneos do IOC, sob responsabilidade do Laboratório Nacional e Internacional de Referência em Taxonomia de Triatomíneos. A coleção abriga mais de 9 mil exemplares secos de triatomíneos e outros reduviídeos. Saiba mais sobre a CTIOC.

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