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Fiocruz reforça a importância da vacinação contra o sarampo

Mão examinando costas de criança com sarampo

11/05/2022

Erika Drumond (Portal Fiocruz)

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Depois de ter recebido a certificação de país livre do sarampo pela Organização Panamericana de Saúde (Opas), em 2016, e permanecendo assim até 2017, o Brasil passa a registrar, nos últimos anos, o avanço da doença em todo o território nacional. Dados do Boletim Epidemiológico divulgado em janeiro pelo Ministério da Saúde mostram mais de 40 mil casos e 40 mortes causadas pelo sarampo desde 2018  – sendo mais da metade em crianças menores de 5 anos. Este ano, até março, o Ministério da Saúde confirmou 14 infectados, sendo 12 no Amapá e dois em São Paulo, além de 98 casos suspeitos da doença no período. A vacina tríplice viral que imuniza contra sarampo, caxumba e rubéola é um dos principais imunizantes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e sua distribuição é gratuita durante todo ano no Sistema Único de Saúde (SUS). Para evitar o aumento no número de casos, o MS lançou em abril a Campanha de Vacinação contra o Sarampo em 2022 para trabalhadores da saúde, e em maio, para crianças menores de 5 anos.

“O sarampo pode ocorrer em qualquer idade em não vacinados com duas doses acima de um ano ou em quem não teve a doença. A vacinação é fundamental para evitar as complicações e morte. Além de proteger os vulneráveis ao redor que ainda não podem receber as vacinas ou que têm algum problema relacionado a imunidade”, explica o pediatra e infectologista do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Marcio Nehab.

A Fiocruz destaca que o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz) realiza análises de controle da qualidade das vacinas durante todo o ano. No local, os imunizantes passam por testes de análise de protocolo, potência, termoestabilidade, teor de umidade residual e esterilidade, envolvendo os departamentos de Imunologia, Microbiologia e Química. Esse controle de qualidade garante que a vacina proteja a população com segurança.

Cenário atual

Um dos motivos para a volta do sarampo são as baixas coberturas vacinais das crianças no Brasil. Essa queda provoca o aumento no número de pessoas suscetíveis e, consequentemente, ao reaparecimento da doença. O PNI informa que a cobertura vacinal da tríplice viral – que protege contra a doença e é administrada em duas doses – passou a registrar índice insuficiente desde 2017. Naquele ano, o índice foi de 86,2%. 
Em 2021, a cobertura despencou: somente 50,1% do público-alvo no Brasil recebeu a segunda dose da vacina tríplice viral. 

Especialistas defendem que as baixas coberturas vacinais têm como causas a pandemia; o relaxamento das pessoas diante do desaparecimento das doenças e, ainda, pela divulgação de fake news por parte de grupos antivacinas. “Os casos vêm aumentando pelas quedas progressivas nas coberturas vacinais no Brasil e no resto do mundo e as fake news têm um papel importante na disseminação de medo e pânico”, aponta Nehab.

Sintomas

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, muito contagiosa e grave, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade, pessoas adultas desnutridas ou com algum problema de imunidade, como as pessoas transplantadas, as que convivem com o vírus do HIV, ou que estão em quimioterapia), além das gestantes. Independentemente disso, o sarampo afeta indivíduos de todas as idades e não necessariamente com doenças crônicas ou algum problema de imunidade. 

“Então, se você, adulto, não sabe de teve a doença da qual a vacina protege ou se perdeu seu cartão de vacinas, vá a um posto de saúde próximo a sua casa e atualize seu cartão vacinal. Além de se proteger a si próprio, também protegerá o seu entorno”, diz Márcio.

O pediatra e infectologista explica sintomas da doença se iniciam entre 10 e 15 dias após o indivíduo ter tido contato com o vírus. Eles são febre acompanhada de tosse, secreção intensa, nariz escorrendo ou entupido e irritação nos olhos. Após três a quatro dias, podem aparecer outros sintomas, como as manchas vermelhas pelo corpo. 

“Elas se localizam no rosto e atrás das orelhas e, em seguida, se espalham pelo corpo. Após o aparecimento das manchas, a persistência da febre é um sinal de alerta e pode indicar gravidade, principalmente em crianças menores de 5 anos de idade”, frisa. Além disso, quando surgem as manchas, o indivíduo persiste transmitindo o vírus por mais quatro dias. 

Sua transmissão ocorre de forma direta, por meio de gotículas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar próximo às pessoas sem imunidade contra o sarampo. O contágio também pode ocorrer pela dispersão de aerossóis com partículas virais no ar, em ambientes fechados. Essas partículas ficam em suspensão por horas no ambiente.

Histórico 

O sarampo já foi uma das principais causas de mortalidade infantil na década de 1970, e a vacina ajudou a reverter esse quadro. A doença traz risco de hospitalização e complicações, como pneumonias, desidratação, quadros neurológicos graves, bem como o risco de morte.

“Por isso, é superimportante vacinar os filhos para que não passemos a ver doenças antes erradicadas pelo sucesso do Programa Nacional de Imunizações. Além do benefício individual a o benefício coletivo”, afirma.

Desde a década de 1960 o SUS disponibiliza vacinas contra sarampo para a população brasileira: a tríplice viral, que protege contra o sarampo, caxumba e rubéola; e a tetra viral, para imunizar contra o sarampo, caxumba, rubéola e catapora. 

A tríplice viral é uma vacina que contém vírus vivos “enfraquecidos” do sarampo, da rubéola e da caxumba e é geralmente aplicada em duas doses: a primeira, tomada com um ano de idade, e a segunda, com 15 meses. 

 

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