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Estudo avalia condições de saúde de 16 categorias na pandemia


23/06/2021

Fiocruz Pernambuco

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Alteração no sono, mudanças de humor e alteração no consumo de medicamentos ou outras substâncias, foram algumas condições de saúde relatadas por 791 residentes, participantes de uma pesquisa realizada pelo Observatório das Residências em Saúde da Fiocruz Pernambuco, no período de 28 de fevereiro a 30 de abril. O objetivo do estudo foi identificar as condições de saúde e de trabalho desses profissionais diante da pandemia da Covid-19, bem como as mudanças provocadas na formação dos residentes. Atuando em todo Brasil, os participantes responderam a um questionário online.

Em termos percentuais, a pesquisa demonstrou que, ao serem questionados sobre o aparecimento de alterações ou sensações específicas durante a pandemia, uma parte dos residentes respondeu ter tido sempre ou na maior parte do tempo: perturbação do sono (41,47%), oscilações de humor (43,8%), ansiedade (61,06%), ter alterado o consumo de medicamentos e de outras substâncias (24,40%) e/ou se sentido improdutivo (43,87%).

Parte considerável dos residentes (44,2%) também vivenciaram grande número de perdas de alguém próximo, por consequências da infecção pelo Sars-CoV-2 (familiar, colega de trabalho ou usuário), durante a pandemia. Este fato, aponta para os possíveis impactos na saúde das experiências de luto. Além disso, 25,5% dos residentes que participaram da pesquisa respondeu ter tido diagnóstico confirmado laboratorialmente para a Covid-19.

Traçando um breve perfil dos residentes que respondeu à pesquisa, foi constatado que a maior parte dos profissionais foi de mulheres cisgênero (79,27%), indivíduos brancos (54,11%) e na faixa etária de 21 a 29 anos (79,90%). Essa maioria de jovens residentes se explica pelo fato das Residências em Saúde serem uma política de formação voltada, primordialmente, para jovens adultos recém-saídos da graduação, sendo uma estratégia de inserção profissional no sistema de saúde.

Dezesseis categorias de saúde participaram do inquérito, sendo a maior parte da Enfermagem (23,77%), seguido pela Psicologia (14,16%). Quanto à modalidade de Programa de Residência, os residentes médicos representaram 8,22% das respostas, enquanto 80,91% os participantes estavam vinculados aos programas de residência multiprofissional e 10,87% a programas de residência uniprofissional.

A pesquisa também mostrou que durante a pandemia, quando atuaram presencialmente, a maioria dos residentes trabalhou em hospitais (42,86%). Em seguida, na atenção primária à saúde (36,54%), na Rede de Atenção Psicossocial (7,21%) e na Gestão da Atenção à Saúde (6,83%).

Um dado que chama atenção nos resultados obtidos na enquete é o que se refere ao acesso às medidas de proteção. Pouco mais de um ano após o início da pandemia (lembrando que a pesquisa foi realizada de fevereiro a abril de 2021), 13,53% dos residentes disseram não ter água e sabão no local de trabalho, para higienização das mãos sempre que necessário. Reconhecida e amplamente divulgada como ação fundamental para prevenção de contaminação pelo coronavírus, não ter como lavar as mãos é algo inadmissível em qualquer estabelecimento de saúde.

Ainda sobre as medidas de proteção, o acesso aos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) para desempenho de suas funções, como máscaras, luvas e jalecos descartáveis, 25,16% responderam que às vezes são responsáveis por adquirir/improvisar seus próprios equipamentos. Em relação à vacina contra a Covid-19, boa parte dos residentes (85,72%) respondeu ter realizado a imunização completa ou parcialmente. Os participantes foram questionados se o Programa de Residência e os Serviços de Saúde nos quais estavam inseridos, durante a pandemia, ofertaram ações educativas quanto à proteção individual e às novas práticas de cuidado para o enfrentamento à Covid-19, 65,61% respondeu que sim, 31,73% respondeu que não.

Formação

Em decorrência da pandemia e do distanciamento social, as atividades práticas e pedagógicas dos Programas de Residência precisaram passar por mudanças no processo de formação. A pesquisa verificou quem pouco mais da metade das atividades sofreram adaptações pontuais no formato remoto (58,15%), seguidos de 19,60% que responderam que a prática não sofreu nenhuma alteração. Quanto às atividades de tutoria desenvolvidas nos programas de residência, 70,29% dos participantes confirmam que as atividades foram mantidas, no entanto com as devidas adaptações em decorrência das necessidades da pandemia.

Residência e pandemia

Os dados da pesquisa demonstraram que 83% dos residentes avaliam que os programas de residência nos quais estão inseridos contribuíram de alguma forma para os serviços de saúde no enfrentamento à pandemia. Na mesma lógica, no entanto com menor diferença percentual, 49,8% acreditam que houve inovações nos programas de residência. E ainda 51,71% dos pesquisados alegaram que estavam satisfeitos com a sua capacidade de resposta às necessidades de saúde da população enquanto residentes, dentre esses, 32,11% indicaram que poderia melhorar em alguns aspectos.

Outra informação importante foi sobre a Portaria do MS Nº 580, de 27 de março de 2020, que dispõe sobre a Ação Estratégica O Brasil Conta Comigo - Residentes na área de Saúde. Nesse caso, 79,2% dos residentes alegaram que o recurso a título de bonificação contribuiu em algum aspecto, com destaque para: a compra de EPI, transporte e deslocamento para os serviços, auxílio dos custos e necessidades diárias, motivação e reconhecimento de sua atuação. 

Acesse aqui o 1º boletim da pesquisa Condições de saúde e práticas de cuidado dos residentes em saúde no contexto da pandemia da Covid-19.

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