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Especialista tira dúvidas sobre teste da linguinha em recém-nascidos


22/01/2014

Por: Danielle Monteiro/ Agência Fiocruz de Notícias

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A obrigatoriedade do teste da linguinha em recém-nascidos, usado para diagnosticar a chamada língua presa, tem dividido a opinião de especialistas. A proposta de lei já passou na Câmara e está no Senado. De acordo com ela, o exame, que verifica se há uma alteração no frênulo - membrana que conecta a língua ao assoalho da boca -, deve ser realizado por profissionais de saúde em todas as maternidades no país.

O projeto de lei foi criado em decorrência do atendimento de crianças mais velhas com problemas de fala por falta de diagnóstico precoce. Porém, para alguns especialistas, a obrigatoriedade do teste pode levar a despesas desnecessárias, uma vez que ele já faz parte da rotina de pediatras. Ainda segundo esses profissionais, a correção na membrana pode ser feita mais tarde, pois são raros os casos de problemas na amamentação decorrentes da língua presa.

Em entrevista à Agência Fiocruz de Notícias, Nádia Mallet, coordenadora técnica de fonoaudiologia da área hospitalar do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), falou sobre o assunto, apontando as vantagens de tornar o exame obrigatório.

AFN: O teste da linguinha em recém-nascidos deve ser obrigatório? Por quê?
Nádia Mallet: Nunca pensei neste procedimento como obrigatório, mas, no IFF/Fiocruz, a fonoaudiologia sempre teve como conduta, desde 1993, solicitar a equipe da cirurgia pediátrica o procedimento do pique no frênulo muito curto  (frenectomia)  nos recém-nascidos em que o frênulo  curto  impedia o movimento da língua durante a ordenha no peito materno, o que dificulta a pega no peito e pode,  mais tarde, trazer  alteração e /ou distorção durante a aquisição da fala, principalmente nos fonemas linguodentais. 

O Conselho Federal de Fonoaudiologia está empenhado para aprovação da lei que torna o teste da linguinha obrigatório e gratuito em todo o território nacional, assim como é o teste da orelhinha, do pezinho e do olhinho. Os estados da Paraíba, Mato Grosso do Sul, e alguns municípios de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul já aprovaram.

AFN: E a correção na membrana pode ser realmente feita mais tarde ou ela deve ser feita já na maternidade?
Nádia Mallet:  O momento ideal seria ao nascimento nos casos em que esse frênulo é muito curto e se torna um impedidor da pega no peito materno. O procedimento é rápido e praticamente indolor quando é apenas uma membrana fina. Já para a membrana mais fibrosa, é necessário uma pequena sutura (um pontinho) após o pique, a recuperação é rápida. Nos casos em que o frênulo curto não venha a atrapalhar a amamentação, é necessário que a criança seja reavaliada por uma fonoaudióloga precocemente quando for iniciar a função da mastigação, e quando da aquisição da fala, para que seja logo detectado se há ou não alteração e/ou ausência na articulação de alguns fonemas.

AFN: Quanto por cento dos casos são diagnosticados em recém-nascidos?
Nádia Mallet: Pesquisa realizada em São Paulo (2011) constatou que em cada 100 bebês, 15% apresentavam alteração no frênulo lingual. Outra pesquisa realizada nos Estados Unidos (2002) constatou que cerca de 16% dos bebês que apresentavam problemas na amamentação tinham a língua presa.

AFN: O teste obrigatório pode levar a cirurgias desnecessárias de corte da membrana?
Nádia Mallet: Todo procedimento deve seguir um protocolo e todos os profissionais envolvidos deverão estar de acordo, e discutir caso a caso, para que não aconteçam procedimentos desnecessários.

AFN: Quais são as outras vantagens e desvantagens de tornar o teste obrigatório?
Nádia Mallet: É importante que os profissionais de saúde tenham conhecimento das consequências negativas no desenvolvimento sensório motor oral da criança de zero a dois anos de idade que nasceu com o freio de língua muito curto e não foi corrigido a tempo de evitar tantos transtornos em cada etapa do seu desenvolvimento oral. A obrigatoriedade traria essa conscientização.

Leia mais no site da Agência Fiocruz de Notícias.

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