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Encontro da rede BLH reuniu no IFF representantes dos países de língua portuguesa


22/11/2019

Por: Everton Lima (IFF/Fiocruz)

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A 2ª Reunião da Rede de Bancos de Leite Humano da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (rBLH-CPLP) foi realizada, entre os dias 12 e 14 de novembro, no Rio de Janeiro. A sessão aberta ao público ocorreu (12/11) no Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz). O objetivo do evento foi dar continuidade ao trabalho iniciado em Cabo Verde, em outubro de 2018, durante a realização da 1ª Reunião da rBLH-CPLP, e oferecer como contribuição aos sistemas de saúde dos países que integram a CPLP os seguintes produtos: a instalação da Coordenação Técnica da rBLH-CPLP na Secretaria Executiva da rBLH, situada na Fiocruz; a instituição do Comitê Interpaíses da rBLH-CPLP; e a pactuação do Plano de Trabalho da rBLH-CPLP para o período 2019-2021, em conformidade com o disposto no Plano Estratégico de Cooperação em Saúde da CPLP. “Esses produtos se voltam para o processo de qualificação da atenção à saúde em termos de segurança alimentar e nutricional, com ênfase nos compromissos assumidos na Agenda 2030, em especial as metas que visam a redução da morbimortalidade infantil e a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis”, explicou o coordenador do Laboratório de Telessaúde da rBLH do IFF/Fiocruz e responsável por conduzir o encontro, Franz Novak.

Após a exibição de um vídeo sobre a cooperação técnica da rBLH no contexto da saúde global, foi iniciada a solenidade de abertura com a fala do diretor do IFF/Fiocruz, Fábio Russomano. “O BLH é o cartão de visitas internacional do Instituto, sua atuação na cooperação nos orgulha e ensina como desempenhar nosso papel nacional na promoção da saúde de mulheres, crianças e adolescentes. Não mediremos esforços para consolidar e ampliar as atividades de trocas de experiências, formação de pessoas e produção de conhecimento para a promoção do aleitamento materno e segurança nutricional de bebês prematuros”, alegou. Em seguida, o diretor do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (INCQS/Fiocruz), Eugênio de Almeida, falou sobre a parceria com a rBLH. “O INCQS realiza uma parceria para melhoria do controle de qualidade dos bancos de leite e também na participação de estudos das doenças que levam a interrupção do leite materno, atuando assim, na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, hoje infelizmente em ascensão”, alertou.

O coordenador da rBLH, João Aprígio Guerra de Almeida, agradeceu a todos que apoiam e ajudam a construir a Rede. “Essa é uma rede feita por pessoas, é uma construção coletiva. O envolvimento de vocês fez, faz e continuará fazendo toda a diferença. Isso nos orgulha!”, declarou. A coordenadora da Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde (MS), Janini Ginani, disse que falar de rBLH é falar de vida, esperança e de mães que vão conseguir prover o melhor alimento para seus filhos. “Eu tenho certeza que a redução da mortalidade infantil no Brasil está ligada à implantação dos bancos de leite, por isso, quero saudar todos vocês que lutam todo dia pela causa. Esse é o melhor produto exportação que podemos ter no nosso país. Estamos juntos nessa grande missão de salvar as nossas crianças”, afirmou.

O diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador Ruy Pereira, contou que, atualmente, a ABC possui cerca de 700 projetos de cooperação internacional sendo implementados em 68 países. “Essa iniciativa da rBLH é para a ABC um dos mais importantes projetos de cooperação técnica internacional no Brasil. Temos uma tarefa de efetivamente dar uma dimensão global a rBLH”, comentou. O diretor do Centro de Relações Internacionais em Saúde (Cris/Fiocruz), Paulo Buss, mencionou o papel do IFF/Fiocruz e da rBLH. “O Brasil, as crianças, mães, pais e famílias têm que ser agradecidas ao Instituto e a rBLH pelo serviço de excelência prestado”, analisou. Para finalizar a mesa de abertura, o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz), Marco Menezes, completou: “o leite materno é um alimento natural e renovável, possuindo sustentabilidade ambiental, produzido sem causar poluição, embalagens desnecessárias e desperdícios, e vai diretamente ao lactante. A experiência da rBLH no Brasil estar sendo compartilhada com outros países nos orgulha!”.

Perspectiva brasileira sobre o BLH na CPLP

Para ampliar a compreensão sobre o significado da cooperação técnica internacional em banco de leite humano que o Brasil desenvolve de forma horizontal e participativa com os países que compõem a CPLP, foi um iniciado um debate sobre O olhar do Brasil para a Cooperação Técnica Internacional em BLH na CPLP. “A saúde vem adquirindo relevância porque faz parte do ideário da Agenda 2030, é um dos objetos de desenvolvimento sustentável e não é mais vista apenas como sinônimo de ausência de doença, mas como bem-estar para todos, em todas as idades. Por todos os lados analisados, a importância dessa grande iniciativa é indiscutível, pois contribui, entre outros pontos, com a redução de infecções e amplia a chance de sobrevivência da criança com qualidade”, destacou Paulo Buss. Ele também propôs estreitar a relação do IFF/Fiocruz com os países que compõem a CPLP e ressaltou que a Fiocruz estará junto à ABC na cooperação internacional nos próximos anos.

Com a palavra, Ruy Pereira falou que a missão que une a ABC e a Fiocruz é melhorar a qualidade da saúde além do Brasil. O embaixador citou que a rBLH já possui 332 pontos de bancos de leite espalhados e que espera ampliar rapidamente a rede em mais países. “Trabalhamos com a Fiocruz há mais de 30 anos no estabelecimento da rBLH, primeiro na dimensão latino-americana e caribenha, depois africana, agora ampliamos na dimensão ibero-americana e esperamos ir em breve para a asiática, que é um dos desafios que temos pela frente e que faremos juntos como sempre fizemos”, frisou.

Na sequência, o tema abordado foi a Evolução e perspectivas dos Bancos de Leite Humano nos países que integram a CPLP. Representando o Brasil, a gerente do BLH do IFF/Fiocruz, Danielle Aparecida da Silva, apresentou a história e avanços da rede, que surgiu em 1943, quando o primeiro BLH foi implantado no Brasil e tinha como base o leite humano como medicamento e a comercialização do mesmo. Danielle informou que, em 1984, com a mortalidade infantil, o MS buscava uma ferramenta para a diminuição dos índices quando encontrou o BLH do Instituto e decidiram, junto à Fiocruz, investirem em pesquisas e desenvolvimento tecnológico. “No ano seguinte, aconteceu a reestruturação do BLH do IFF/Fiocruz e surgiu o Modelo Brasileiro, onde o leite humano passou a ser entendido como um alimento funcional e o trabalho com a solidariedade ganhou destaque com a doação de leite materno. O modelo passou a ter dois macroprocessos: os cinco bancos de leite que já existiam no Brasil tornaram-se casas de apoio para promoção e proteção ao aleitamento materno, e o processo e controle de qualidade microbiológico do leite humano”, explicou.

Com a remodelação, em 1988, foi necessária uma nova legislação e, com o MS, foi lançada a Primeira Regulamentação Técnica para BLHs. Com o crescimento da iniciativa, em 1998, foi realizado o 1º Congresso de Bancos de Leite Humano, em Brasília. “Nesse Congresso foi lançada a ideia do trabalho em rede, assim a rBLH tornou-se a primeira rede temática do Sistema Único de Saúde (SUS), onde todas as unidades trabalhariam da mesma forma na promoção do aleitamento materno, sob as mesmas regras e regulamentação”, alegou Danielle, que contou que, em 2003, foi criado o Dia Nacional de Doação de Leite Humano e a data escolhida foi o dia 1º de outubro devido à abertura da primeira unidade no país.

Simultaneamente aos avanços e ações da rede, novos produtos foram lançados, como o Programa de Certificação do Quadro Funcional para os Processos de Trabalho, com ensino presencial e a distância com foco na atualização das equipes que atuam nos bancos de leite. O programa já possui mais de 4.200 técnicos qualificados no Brasil, Cabo Verde e Moçambique. “Uma característica da nossa rede é que todos os movimentos que fazemos, sejam eles técnicos, políticos e/ou eventos para mobilização social, fazemos de forma integrada, em conjunto com todas as unidades”, encerrou Danielle.

O encontro também contou com apresentações das representes dos países que fazem parte da CPLP: Idelmira Nsuru (Guiné Equatorial), Elisangela Alfredo (Guiné-Bissau), Elisa Gaspar (Angola), Sonia Bandeira (Moçambique), Irina Spencer (Cabo Verde), Maria Amado (São Tomé e Príncipe) e Sara Brito (Portugal), que falaram sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido em seus respectivos países. Outras sessões exclusivas para os integrantes da rBLH-CPLP foram realizadas (13 e 14/11), como uma visita ao INCQS/Fiocruz, ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) e ao Castelo Mourisco. Os representantes também participaram do Encontro Nacional de Aleitamento Materno, onde Irina Spencer relatou a experiência do Banco de Leite Humano de Cabo Verde.

* Foto: Marcio Barbosa

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