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30/04/2019

Editora Fiocruz lembra o marco da ciência brasileira em diversos títulos

Carlos Chagas

Fonte: Editora Fiocruz

Em um dos momentos mais importantes de sua história, a ciência brasileira recebia, há 110 anos, a informação oficial da descoberta de uma nova enfermidade: a doença de Chagas. Em 22 de abril de 1909, Oswaldo Cruz anunciava à Academia Nacional de Medicina que um então jovem pesquisador assistente do Instituto que levava seu nome, o médico Carlos Chagas, havia descoberto o protozoário Trypanosoma cruzi no sangue de uma menina, na área rural de Lassance, em Minas Gerais.  

Atenta à importância de celebrar esse marco da pesquisa em saúde no Brasil, a Editora Fiocruz favorecerá o acesso a livros relacionados à doença e a Carlos Chagas, além de outros títulos selecionados de seu catálogo. Para comemorar os 110 anos da descoberta, a Editora dará descontos de 25%, no período de 29 de abril a 10 de maio, nos livros relacionados à doença e a Carlos Chagas, além de demais títulos selecionados de seu catálogo.  

Lançados há duas décadas, quando a descoberta do agravo completava 90 anos, os três volumes do Atlas dos Vetores da Doença de Chagas apresentam, em edições bilíngues (português e inglês), um rico panorama da doença, abordando importantes avanços no conhecimento sobre os triatomíneos, insetos que atuam como vetores na transmissão da doença. Os livros contam com capítulos escritos por especialistas e cientistas de países como Brasil, Argentina, Venezuela, Costa Rica, Uruguai, Cuba, Jamaica e México, além de figuras, tabelas e extensa bibliografia para consulta. 
 
Também como parte das comemorações dos 90 anos da descoberta da doença, a Editora lançou, em 2000, Doença de Chagas: manual de experimentação animal, organizado por Tania C. Araújo-Jorge e Solange Lisboa de Castro. A obra apresenta, em forma de manual, uma visão global de questões ligadas ao protozoário, que ainda desafia cientistas em todo o mundo sobre a melhor forma de diagnóstico, tratamento e prevenção. 
 
No centenário da descoberta, em 2009, três títulos da Editora marcaram as comemorações. Clássicos em Doença de Chagas: histórias e perspectivas no centenário da descoberta, organizado por profissionais vinculados à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), reuniu especialistas de várias instituições e campos do conhecimento para comentar a importância de artigos associados à descoberta científica da enfermidade, indicando diretrizes, desafios e perspectivas que ainda cercam a moléstia.

Doença de Chagas, Doença do Brasil: ciência, saúde e nação, 1909 – 1962, de Simone Petraglia Kropf, historiadora e pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC), analisa a transformação da doença e reconstrói a trajetória de Chagas e seus estudos sobre a enfermidade. Ao conjugar os processos históricos ligados à medicina, à ciência e à saúde pública no Brasil, a autora mostra como a própria caracterização da doença de Chagas foi, ao longo dos anos, associada à imagem do país. 
 
Em conjunto com a também historiadora Aline Lopes de Lacerda, Simone Petraglia Kropf foi responsável ainda por Carlos Chagas: um cientista do Brasil, livro finalista do Prêmio Jabuti 2010 na categoria biografia. Repleto de imagens e documentos sobre a vida e a obra do médico e sanitarista, o livro contempla capítulos sobre a infância de Chagas, sua formação médica e sua atuação como pesquisador, professor, diretor do Instituto Oswaldo Cruz e gestor na área de saúde pública federal.

A obra reflete ainda sobre os muitos títulos e premiações do cientista e sua importância para a continuidade das pesquisas sobre doenças associadas à pobreza em países tidos como periféricos. "O maior legado de Carlos Chagas é a visão de que a ciência deve atender às demandas da sociedade (no caso, a saúde pública) e que cabe ao Estado brasileiro garanti-la e promovê-la", defende Kropf.  

Ainda segundo a pesquisadora, as comemorações em torno dos 110 anos do anúncio da descoberta refletem a excelência acadêmica e o compromisso social que marcam a trajetória da Fiocruz. “Trata-se da oportunidade de refletir sobre a ciência e a saúde brasileiras tanto em seu passado quanto em seu presente e seu futuro. A descoberta da doença de Chagas, marco da ciência de Manguinhos, é o emblema de uma ciência que produz conhecimentos inovadores e, ao mesmo tempo, está compromissada com a saúde da população brasileira”, avalia. 
 
Doença de Chagas no Brasil e no mundo

Classificada como uma das principais doenças negligenciadas (tidas como endêmicas em populações em situação de baixa renda), a doença de Chagas continua sendo uma enfermidade crítica em diversas áreas do Brasil e do mundo, sobretudo pelo problema da subnotificação. Apesar dos muitos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença continua a apresentar altos números. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), indicam que, em todos os países das Américas, mais de seis milhões de pessoas vivem com Chagas, sendo que a maioria não sabe que está infectada, o que pode dificultar políticas públicas para o pleno combate à doença e à proliferação do transmissor. 
 
Assim como dengue, bouba, tripanossomíase humana africana (conhecida como doença do sono), leishmaniose, hanseníase, malária, raiva, esquistossomose, entre outras, a enfermidade descoberta por Chagas é identificada também como uma doença tropical e continua a apresentar altos números e ocorrências. Somente no Brasil, estima-se que mais de um milhão de pessoas estejam infectadas, sendo que a notificação compulsória da doença se restringe, na quase totalidade do país, somente à forma aguda (menos grave e primordialmente assintomática). Já a fase crônica, que tem maior letalidade e sintomas mais severos nas formas cardíaca ou digestiva, não é de notificação obrigatória. 
 
No início deste ano, o Ministério da Saúde divulgou, por meio de sua Secretaria de Vigilância em Saúde, um boletim informando a situação epidemiológica da doença de Chagas aguda (DCA) no período 2012-2016. Foram 1.190 casos notificados em todo o Brasil durante o período, sendo 664 em homens e 526 em mulheres. Por ano, a média foi de 238 casos, com o estado do Pará concentrando a grande parte: 1.026 do total de casos. Ainda na região Norte, Amapá e Amazonas também registraram altos números, com 47 e 43 incidências, respectivamente. No Nordeste, Maranhão, com 13, e Rio Grande do Norte, com nove, também tiveram registros. As regiões Sudeste (quatro notificações), Sul (três, sendo todas no Rio Grande do Sul) e Centro-Oeste (três, todas concentradas em Goiás) agregaram poucos casos de DCA.

Já nos casos de morte relacionados à doença de Chagas no período de 2014 a 2016, dados mapeados e divulgados pelo Ministério da Saúde colocam o estado de Goiás (o único do país com notificação compulsória da fase crônica) como recordista de incidências. A taxa de mortalidade registrada em 2016 foi de 10,68 por 100 mil habitantes no estado da região Centro-Oeste. Distrito Federal, com 6,45; Minas Gerais, com 5,33; Tocantins, com 4,31; e Bahia, com 3,75, completam os cinco estados com maior taxa de mortalidade. 
 
Recentemente, a iniciativa Medicamentos para Doenças Negligenciadas (DNDi, sigla em inglês para Drugs for Neglected Diseases initiative) anunciou, após estudos clínicos realizados na Bolívia, a descoberta de um tratamento para a doença com duração mais curta (duas semanas para adultos em fase crônica) e efeitos colaterais significativamente menores do que o tratamento tido como padrão, que dura oito semanas.

Na Fiocruz, além das contínuas pesquisas, o Instituto Oswaldo Cruz (IOC) promove, periodicamente, encontros e debates para destacar e divulgar as mais recentes iniciativas de diagnóstico, tratamento e atenção integral à enfermidade. Como parte do calendário de 110 anos da descoberta de Chagas, o IOC realiza, ao longo do primeiro semestre deste ano, a sétima edição do "Ciclo Carlos Chagas de Palestras", reunindo especialistas, pesquisadores, estudantes e pacientes com o intuito de manter viva a discussão e os muitos desafios em torno da doença de Chagas.

LIVROS

Atlas dos Vetores da Doença de Chagas (volumes I, II e III)
Organizadores
: Rodolfo U. Carcavallo, Itamar Galíndez Girón, José Jurberg, Herman Lent
Lançamento: 1998/1999
Volume 1 – 392 páginas
Volume 2 – 340 páginas
Volume 3 – 396 páginas
 
Doença de Chagas: manual de experimentação animal
Organizadoras
: Tania C. Araújo-Jorge, Solange Lisboa de Castro
Ano de lançamento: 2000
368 páginas
  
Carlos Chagas: um cientista do Brasil
Autoras
: Simone Petraglia Kropf e Aline Lopes de Lacerda
Ano de lançamento: 2009
308 páginas

Clássicos em Doença de Chagas: histórias e perspectivas no centenário da descoberta 
Organizadores
: José da Rocha Carvalheiro, Nara Azevedo, Tania C. de Araújo-Jorge, Joseli Lannes-Vieira, Maria de Nazaré Correia Soeiro, Lisabel Klein
Ano de lançamento: 2009
556 páginas

Doença de Chagas, Doença do Brasil: ciência, saúde e nação, 1909 – 1962
Autora
: Simone Petraglia Kropf    
Ano de lançamento: 2009
600 páginas

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