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Dengue: retorno do tipo 2 preocupa especialistas


07/02/2020

Por: Gabriella Ponte (Bio-Manguinhos/Fiocruz)*

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O sorotipo 2 do vírus da dengue, responsável pelas epidemias de dengue no Brasil em 2007, 2008 e 2009, está voltando a circular no país neste verão e especialistas estão em alerta. Ano passado foi o segundo com o maior número de casos de dengue notificados desde o início da série histórica, em 1975, com um crescimento de 517% em relação a 2018. Foram registrados mais de 1,5 milhão de casos da doença, em sua maioria em Minas Gerais, São Paulo e no Espírito Santo, com 754 óbitos. A reentrada do sorotipo 2 do vírus, após anos de circulação dos sorotipos 1 e 4, é a principal explicação para o aumento. E esse quadro pode vir a se repetir, principalmente no Sudeste, cuja taxa de incidência é de 1.151,8 para cada 100 mil habitantes.

A circulação do sorotipo 2 da dengue em 19 cidades foi detectado em São Paulo e o estado está em alerta. De acordo com o governo do estado, foram contabilizados 610 casos de dengue até o dia 15 de janeiro. O especialista da Secretaria de Estado de Saúde do Rio (SES-RJ) Alexandre Chieppe, destacou que “o sorotipo 2 do vírus da dengue não circula no estado do Rio desde 2008, grande parte da população nunca teve contato com o patógeno, não desenvolveu anticorpos e, por isso, está mais exposta”. A Secretaria de Estado de Saúde do Rio disse que está preparada para atender com agilidade e precisão as pessoas que adoecerem.

“A incidência, número de casos novos, de quadros classificados como graves de dengue é maior nas pessoas que já tiveram dengue anteriormente por outro sorotipo”, explicou a pediatra Elvira Lago, da Assessoria Clínica de Bio-Manguinhos. “Cada sorotipo promove imunidade específica para seu tipo. No caso da pessoa ter contraído o tipo 1, 3 ou 4 poderá contrair o sorotipo 2”, completou.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e Ministério da Saúde, devemos suspeitar de dengue quando ocorre febre alta (40°C) acompanhada de pelo menos dois dos seguintes sintomas: dor de cabeça intensa, dor atrás dos olhos, dores musculares e articulares, náusea, vômito, inchaço nas glândulas e manchas pelo corpo. “Os sintomas geralmente permanecem por 2 e 7 dias, após o período de incubação e de 4 a 10 dias depois da picada do mosquito infectado. Já no caso de doença grave os sinais de alerta ocorrem entre 3 e 7 dias após os primeiros sintomas e incluem: dor abdominal intensa, vômito persistente, respiração rápida, sangramento na gengiva, fadiga, agitação e vômitos com sangue”, alerta a pediatra.

O principal cuidado é o combate ao mosquito transmissor Aedes Aegypti. As recomendações da OMS devem ser seguidas: cobrir, esvaziar e limpar semanalmente recipientes domésticos que possam armazenar água; aplicar inseticidas apropriados para recipientes de armazenamento de água ao ar livre; proteção da casa e de seus moradores, usando telas nas janelas, roupas de mangas compridas, materiais tratados com inseticidas e vaporizadores; reforçar a participação da comunidade e a mobilização para sustentar o controle de vetores; aplicar inseticidas, através de pulverização durante os surtos, como medida de emergência para controle dos mosquitos transmissores.

Não existe tratamento específico para a dengue, segundo o Ministério da Saúde e OMS. Em caso de suspeita, é fundamental procurar um profissional de saúde para o correto diagnóstico. A assistência em saúde é feita para aliviar os sintomas. “Estão entre as formas de tratamento: fazer repouso; ingerir bastante água; não tomar medicamentos por conta própria; a hidratação pode ser por via oral (ingesta de líquidos pela boca) ou por via intravenosa se necessário e indicado pelo médico”, conclui a especialista.

* Com informações da Agência Brasil

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