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Leishmaniose

Leishmaniose

As leishmanioses são um conjunto de doenças causadas por protozoários do gênero Leishmania e da família Trypanosomatidae. De modo geral, essas enfermidades se dividem em leishmaniose tegumentar americana, que ataca a pele e as mucosas, e leishmaniose visceral, que ataca órgãos internos.

Conhecendo a Leishmaniose

Infográfico sobre leishmaniose

Sintomas

As leishmanioses tegumentares causam lesões na pele, mais comumente ulcerações e, em casos mais graves (leishmaniose mucosa), atacam as mucosas do nariz e da boca. Já a leishmaniose visceral, como o próprio nome indica, afeta as vísceras (ou órgãos internos), sobretudo fígado, baço, gânglios linfáticos e medula óssea, podendo levar à morte. Os sintomas incluem febre, emagrecimento, anemia, aumento do fígado e do baço, hemorragias e imunodeficiência. Doenças causadas por bactérias (principalmente pneumonias) ou manifestações hemorrágicas são as causas mais frequentes de óbito nos casos de leishmaniose visceral, especialmente em crianças.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito por exame direto ou cultivo de material obtido dos tecidos infectados (medula óssea, pele ou mucosas da face) por aspiração, biópsia ou raspado das lesões do paciente. Há também métodos imunológicos que avaliam a resposta de células do sistema imunológico e a presença de anticorpos anti-Leishmania. Nessa categoria, estão incluídos o teste cutâneo de Montenegro e exames de sangue. 

Prevenção

Não há vacina contra as leishmanioses humanas. As medidas mais utilizadas para a prevenção da doença se baseiam no controle de vetores e dos reservatórios, proteção individual, diagnóstico precoce e tratamento dos doentes, manejo ambiental e educação em saúde.

As principais orientações são o uso de repelentes, evitar os horários e ambientes onde esses vetores possam ter atividade, a utilização de mosquiteiros de tela fina e, dentro do possível, a colocação de telas de proteção nas janelas. Outras medidas importantes são manter sempre limpas as áreas próximas às residências e os abrigos de animais domésticos; realizar podas periódicas nas árvores para que não se criem os ambientes sombreados; além de não acumular lixo orgânico, objetivando evitar a presença mamíferos próximos às residências, como marsupiais e roedores, que são prováveis fontes de infecção. 

Tratamento

Para todas as formas de leishmaniose, o tratamento de primeira linha no Brasil se faz por meio do medicamento antimoniato de meglumina (Glucantime). Outras drogas, utilizadas como segunda escolha, são a anfotericina B e a pentamidina. Todas essas drogas têm toxicidade considerável.

Transmissão

A leishmânia é transmitida ao homem (e também a outras espécies de mamíferos) por insetos vetores ou transmissores, conhecidos como flebotomíneos. A transmissão acontece quando uma fêmea infectada passa o protozoário a uma vítima, enquanto se alimenta de seu sangue. Tais vítimas, além do homem, são vários mamíferos silvestres, como a preguiça, o gambá, roedores, canídeos, e domésticos, como cão, cavalo etc.

Os flebotomíneos são pequenos insetos voadores, de cor amarelada. No Brasil, são conhecidos por diferentes nomes de acordo com sua ocorrência geográfica, como tatuquira, mosquito palha, asa dura, asa branca, cangalhinha, birigui, anjinho, entre outros.

Atuação da Fiocruz

Laboratórios do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) realizam pesquisa, desenvolvimento tecnológico, inovação e formação de recursos humanos em diferentes áreas referentes à leishmaniose. O Laboratório de Referência Internacional para Tipagem de Leishmania, também do IOC, faz exames de modo a subsidiar as atividades voltadas à pesquisa e apoio à vigilância epidemiológica da doença. O Instituto Nacional de Infectologia (Ipec), por sua vez, é responsável por estudos nas leishmanioses humanas e animais; atua na formação de recursos humanos; realiza exames de referência; oferece tratamento e acompanhamento de pacientes; além de ensaios para identificação etiológica.

No que se refere a insumos, o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos) produz reativos para diagnóstico das leishmanioses humana e animal, inclusive o teste rápido DPP® Leishmaniose Visceral Canina, o único disponível no mercado atual para detecção da doença em cães, oferecendo o resultado em cerca de 15 minutos.

A Fiocruz Minas, por sua vez, possui diversos serviços de referência em leishmanioses e vem atuando juntamente com a Secretaria de Vigilância e Saúde do Ministério da Saúde na capacitação de pessoal, assessoria e suporte nas ações de epidemiologia e controle dos insetos em áreas de risco no Brasil. Além disso, desenvolve projetos de pesquisa e de desenvolvimento tecnológico; atua na formação de recursos humanos, com capacitação de profissionais de saúde; oferece atendimento médico ambulatorial especializado e apoio diagnóstico a pacientes com suspeita de leishmaniose tegumentar e leishmaniose visceral e atua como referência laboratorial para hospitais e serviços de saúde de Minas Gerais. 

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias, texto revisado pelos pesquisadores Maurício Vilela, entomologista do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), e Sergio Mendonça, do Laboratório de Imunoparasitologia do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz)
Tipo de doença:
Doenças infecciosas; Doenças negligenciadas; Doenças parasitárias; Doenças tropicais; Zoonose
Agente causador:
Leishmania spp; Leishmania chagasi; Leishmania Viannia braziliensis; Leishmania amazonensis
Agente transmissor:
Flebótomos; Flebotomíneos; Mosquito palha ; Tatuquira; Birigüi; Cangalinha ; Lutzomia longipalpis

Perguntas e respostas

Não existe comprovação de cura da leishmaniose visceral canina. É importante ressaltar que a leishmaniose visceral não é transmitida pelo contato direto entre cão e humano.

No caso da leishmaniose tegumentar, o médico irá avaliar o paciente e os sinais e sintomas da doença, como as feridas na pele ou dentro do nariz. O médico poderá pedir exames de laboratório para confirmar o diagnóstico.

Sim, existe cura. No entanto, é importante que o diagnóstico seja feito o mais cedo possível.

A pessoa com leishmaniose visceral apresenta febre que dura mais de uma semana e aumento do baço e às vezes do fígado, que resultam em aumento progressivo do volume abdominal (“barriga”) ao longo das semanas.

Na forma cutânea da leishmaniose tegumentar, geralmente ocorre uma ou várias “feridas” (úlceras) na pele. Em geral, as úlceras da leishmaniose são arredondadas e têm as bordas elevadas e avermelhadas.

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