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Workshop discutiu a resistência aos inseticidas

Haroldo Bezerra e Martha Quiñones

18/08/2017

Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)*

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A resistência aos inseticidas, em especial no que se refere ao mosquito Aedes aegypti, é motivo de preocupação diante da ampla transmissão de doenças como dengue, zika e chikungunya. A formação de uma rede de vigilância e de manejo da resistência aos inseticidas por vetores de doenças, porém, ainda é um objetivo em construção. A Organização Pan-americana da Saúde (Opas/OMS) deu um passo importante nesse sentido com a proposta de estabelecimento de uma rede, apresentada durante um workshop internacional realizado entre os dias 08 e 10 de agosto de 2017, no Rio de Janeiro. Instituições de 17 países das américas participaram da iniciativa – pelo Brasil, estavam presentes o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que desempenha ação pioneira no tema, e o Ministério da Saúde.

A iniciativa estimula a ampliação das estratégias de capacitação profissional e o suporte ao desenvolvimento de planos de trabalho conjunto entre os países. Além disso, pretende tornar mais fácil o compartilhamento de dados epidemiológicos, de recursos tecnológicos e de informações sobre produtos utilizados no controle químico de vetores. “Para fortalecer e melhorar as atividades de controle do vetor, precisamos monitorar a resistência ao inseticida. A rede vai integrar laboratórios de referência regionais e nacionais para a realização de monitoramentos sistemáticos da resistência pelas principais populações de vetores de doenças nas Américas”, explicou Haroldo Bezerra, assessor de entomologia em saúde pública da Opas/OMS. “É fundamental que uma reunião como esta aconteça no Brasil, que tem enfrentado muitos desafios em relação a doenças transmitidas por vetores. A rede de colaboração vai permitir mensurar os desafios enfrentados pelos países em relação à resistência”, destacou Martha Quiñones, assessora do Programa Mundial de Malária da OMS.

Além de participar das discussões para a formulação da nova rede, durante o evento o IOC apresentou panoramas das pesquisas em andamento sobre a resistência a inseticidas relacionada ao Aedes aegypti. Chefe do Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do IOC, José Bento Pereira Lima fez um apanhado sobre ensaios disponíveis atualmente para avaliação da resistência aos inseticidas em populações de vetores. O pesquisador destacou as técnicas para avaliação de mosquitos adultos adotadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que utiliza papel impregnado com inseticidas, e pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, que preconiza o uso do bioensaio em garrafa. “O encontro foi muito positivo, pela primeira vez, estamos diante da possibilidade concreta da formação da rede regional sobre a resistência aos inseticidas, com o apoio fundamental da OMS e da Opas”, o pesquisador enfatizou. A relevância da iniciativa é reforçada pela vice-diretora de Laboratórios de Referência e Coleções Biológicas do IOC, Elizabeth Ferreira Rangel. “Temos um acúmulo de conhecimento em aspectos teóricos e em práticas que poderão ser compartilhados com outros países”, afirmou.

O pesquisador Ademir Martins, também do Laboratório de Laboratório de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores, destacou as contribuições da Rede Internacional de Resistência a Inseticidas (WIN, na sigla em inglês) para o tema. Desde 2016, a Rede tem se dedicado à elaboração de diversos estudos – a iniciativa agrega 19 instituições internacionalmente reconhecidas por pesquisas sobre vetores, incluindo o IOC/Fiocruz. As pesquisas incluem estratégias de aprimoramento da gestão da resistência e do controle de vetores de arboviroses emergentes.

* Edição: Raquel Aguiar (IOC/Fiocruz)

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