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Tese propõe sistema de vigilância para tuberculose


02/06/2005

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Sistema de vigilância de base territorial ajuda a enfrentar a tuberculose

Para enfrentar a tuberculose, é preciso identificar as regiões geográficas onde a população  está mais exposta à doença, em de vez de concentrar esforços apenas em reduzir o risco individual. Identificar áreas com características que facilitam a transmissão da tuberculose ou onde a doença tem maior incidência pode ser uma ferramenta útil para o planejamento de ações contra a enfermidade. É o que mostra a tese de doutorado do estatístico especialista em saúde pública Wayner Vieira de Souza, do Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães (CPqAM), unidade da Fiocruz em Pernambuco. Souza comprovou que é viável implementar um sistema de vigilância de base territorial sobre a tuberculose. 

O estudo, que gerou um artigo recém-publicado na Revista de Saúde Pública, contou com a colaboração de pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e de duas unidades da Fiocruz no Rio de Janeiro: o Centro de Informação Científica e Tecnológica (Cict) e a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp). O trabalho foi realizado em Olinda, município da região metropolitana do Recife com alta incidência de tuberculose. A média anual é de 111 casos por 100 mil habitantes, com taxa de letalidade superior a 10%. Isso significa que a incidência de tuberculose em Olinda é aproximadamente o dobro da média nacional e a mortalidade devido à doença na cidade é mais de três vezes superior à média do país.

De acordo com o artigo, "processos sociais intrinsecamente relacionados às características do espaço onde ocorrem" ajudam a explicar o problema da tuberculose em Olinda. Por isso, os autores ressaltam a necessidade de localizar geograficamente as populações que devem ser priorizadas nas intervenções de combate à tuberculose.

Munidos de dados sobre casos de tuberculose na cidade e técnicas estatísticas de análise espacial com o emprego de Sistemas de Informações Geográficas (SIG), os pesquisadores produziram mapas de distribuição da doença no território. "É possível visualizar que as regiões centro-sul e noroeste da cidade são as que se apresentam como de maior gravidade em termos da ocorrência da tuberculose, enquanto as áreas norte e leste (litorânea) são as de menor gravidade", diz o artigo.

Na pesquisa, foi considerada a divisão de Olinda em 299 setores, segundo o censo demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi possível determinar em que setores ocorreram cerca de 1.680 dos quase dois mil casos de tuberculose registrados na cidade de 1996 a 2000. Os trinta setores com a mais alta incidência de tuberculose concentravam 25% dos casos e tinham apenas 9,5% da população de Olinda. Além disso, constatou-se que os setores onde havia indivíduos que precisaram tratar novamente a doença, assim como domicílios com mais de um caso registrado, também concentravam grande número de ocorrências da moléstia e, portanto, constituíam áreas de risco para tuberculose.

Segundo os autores, a localização espacial desses casos de retratamento ou repetidos no mesmo domicílio não pode ser negligenciada, já que eles configuram situações de risco para a saúde coletiva. Esse mapeamento "permite refinar o foco de atenção para microáreas prioritárias e carentes de intervenções intensivas, como forma de enfrentar o problema da tuberculose com emprego racional de recursos", diz o artigo.

Estima-se que no Brasil existam hoje 42 milhões de pessoas infectadas pela bactéria causadora da tuberculose. Nas duas últimas décadas, houve no país cerca de 112 mil óbitos devido à doença. Para fazer frente a esses números, o Ministério da Saúde tem um Plano Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT). O objetivo da pesquisa de Souza, que propõe um sistema de vigilância de base territorial contra a tuberculose, é servir como subsídio para o PNCT.

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias

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