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RedPOP 2023 reúne grande público em evento de encerramento


21/07/2023

Carlos Pinho e Leonardo Minardi 

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O congresso RedPOP 2023, o maior evento de divulgação científica da América Latina, chegou ao fim reunindo um numeroso público em uma série de atrações abertas na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro. Houve atividades científicas e culturais, museus itinerantes, campanhas de vacinação e uma comemoração pelo Dia Nacional da Ciência (16/7). A programação reuniu pesquisadores, estudantes, autoridades e muitas pessoas que passavam pelo local. Para o vice-diretor de Patrimônio Cultural e Divulgação Científica da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), Diego Vaz Bevilaqua, coordenador-geral da Comissão Organizadora da RedPOP23, o Brasil assume cada vez mais seu papel de protagonista na América Latina.

A tenda artística recebeu variadas atividades ao longo do evento (Foto: Rogério Villar)

 

“Conseguimos realizar o maior congresso da RedPOP até hoje, não apenas em relação ao número de pessoas, mas também no conjunto de eventos, como os minicursos, a programação acadêmica, as visitas técnicas e um grande evento público na Quinta, que é uma forma de dar essa devolutiva para a sociedade, aproveitando a semana de divulgação científica. Então, o balanço geral é de amplo sucesso e estamos ansiosos para, daqui a dois anos, retornarmos, no México”, avaliou Bevilaqua.

A Tenda da Ciência da Fiocruz levou atividades teatrais, de dança e contação de histórias, com destaque para os contadores de histórias do Museu da Vida da Fundação, que apresentaram 17 biografias de personalidades femininas, selecionadas do livro Histórias de ninar para garotas rebeldes – fábulas sobre mulheres extraordinárias, de Elena Favilli e Francesca Cavallo, que tiveram grande interação popular, em especial das crianças. No mesmo espaço ocorreu a performance teatral As vozes do oceano, realizada inteiramente por mulheres, com danças, sons e interpretação. A performance mostrou a vida marinha e alertou sobre os riscos e a destruição do ecossistema com o plástico nas águas. As pesquisadoras do LAB Ciência e Dança, grupo de estudos e experimentações que promove divulgação científica a partir da integração e estímulo entre ambas as áreas, convidou o público a dançar. O grupo surgiu durante a pandemia em virtude da necessidade de se mover em isolamento social. 

Museus itinerantes tomam conta da avenida

O evento contou com a participação de museus itinerantes que representaram diversas instituições de pesquisa e ensino. Por meio do Ciência Móvel, o Museu da Vida da Fiocruz levou arte e ciências sobre rodas, com direito a um posto de vacinação, um giroscópio humano, a exposição Rios brasileiros e até mesmo uma tartaruga gigante, que serviu de montaria para quem passava. “É importantíssimo ter esse evento aberto ao público, num local de fácil acesso, divulgando a ciência. Temos crianças, adolescentes, adultos e idosos num evento que talvez não teriam acesso se fosse exclusivamente num museu. Aqui, mostramos que a ciência pode ser divertida e o museu pode ser interativo. Isso faz toda diferença”, destaca a graduanda em Física Raquel Souza, de 23 anos, no espaço Ciência Móvel.

O Girotec levou ciência e diversão para o público (Foto: Davi Gomes)
 

O Museu Ponto UFMG proporcionou jogos que desafiavam a lógica e a matemática. A unidade móvel tem cinco salas que mostram a relação entre o homem e o meio ambiente – o circuito começa na sala Energia, segue para Natureza, Projeção 3D, Submarino e termina com Consciência, convidando para uma reflexão sobre o que é possível fazer para preservar o mundo à nossa volta.

Enquanto isso, a Caravana da Ciência, do Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj), realizou experimentos em diversas áreas de conhecimento – jogos matemáticos, espelhos côncavos e convexos, uma estrutura de eletroímã, uma bicicleta geradora de energia, exposições de animais aquáticos, pinos invisíveis que mostram como um corpo não ocupa o mesmo lugar que outro, uma maquete de energia alternativa, um relógio solar e o mais inusitado de todos: uma cadeira de pregos.

A professora Lenice Pereira conheceu o evento pelas redes sociais e participou de cada atividade com seu filho, João Henrique, de 11 anos. Os museus itinerantes, segundo ela, foram os espaços que mais despertaram a curiosidade e encantaram o menino, e na Caravana da Ciência, o contato com as diferentes formas de energia. “Estamos gostando muito de vivenciar esse contato com a natureza e a conscientização de forma prática, conhecendo, por exemplo, outras formas de energia e como cuidar dos nossos mares, para termos um mundo melhor para nós e para nossos filhos e netos”.

No Girotec as pessoas puderam ter a experiência de estar em um giroscópio humano, aparelho que consiste em várias rodas que giram em diferentes direções em oposição à força exercida. Ele é usado, por exemplo, no treinamento de astronautas. A estudante Maria Eduarda Barbosa, de 19 anos, que nunca havia participado deste experimento, pôde conhecer a teoria na prática, e com muita diversão. “A experiência foi muito boa e acho muito importante essa iniciativa toda, em especial para famílias e crianças que não contam com boa qualidade de vida, que são de áreas periféricas, com pouco acesso a eventos gratuitos como esse, tão importante para a convivência e aprendizado”, destaca. 
 
O que é ciência?

Na Tenda da Ciência ocorreram diversas apresentações, de exposição de arte, minicurso a ações interativas. Um dos projetos mais visitados foi o Quiz anti-fakenews: uma proposta interativa de reflexão e combate à desinformação, de João Del Voso e Lavínia de Oliveira, do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF). A experiência buscou entender o conhecimento e percepção das pessoas em relação à ciência e o quanto a desinformação permeia a sociedade a partir de uma pesquisa estatística referente à extensão dos saberes populares em se tratando de ciências em forma de quiz. Ao final da atividade, que atraiu principalmente as crianças, os participantes foram convidados a responder à pergunta 'o que é ciência para você?'". Dentre tantas mensagens, a de um menino de oito anos dizia ser “a cura para a Humanidade”.

“Acho que a importância dessa atividade é a sua função provocativa, estimular a reflexão para além da simples recepção da informação que chega. Ajudar no pensamento crítico das pessoas a partir de questões como ‘o que você toma como verdade?’”, contou João Del Voso.     

Celebrando o Dia Nacional da Ciência

O Domingo com Ciência na Quinta, promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) em parceria com a RedPOP2023 e instituições parceiras, reuniu pesquisadores, estudantes e transeuntes em um dia ensolarado de descobertas. Todos que por ali passavam entravam nas tendas para descobrir mais sobre física, química, biologia e matemática, no Dia Nacional da Ciência.

Um dos parceiros do evento, o Museu de Astronomia (MAST) realizou uma “Viagem ao Sol”, com diversas atividades, como a observação da estrela através de quatro telescópios, como construir seu próprio relógio solar, um desconfiômetro de óculos e como observar o eclipse lunar, que este ano ocorre dia 14 de outubro.

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) levou a coleção digital do Museu Nacional, uma exposição de animais chamada Conhecendo os mamíferos, o setor de mastozoologia do Museu Nacional apresentou um experimento sobre a química do glitter (aquele mesmo do Carnaval), um quiz sobre ciência, revelou os segredos da histologia do peixe-zebra e respondeu a questão “para onde vãos os medicamentos?”. Várias outras instituições também apresentaram atividades na Quinta da Boa Vista, como a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), o Instituto Vital Brasil (IVB), o Espaço Ciência Viva (ECV), a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf).

Autoridades celebram a volta da ciência

Para o diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, o evento marcou uma nova era para a ciência no país. “Acho que estamos respirando novos ares. Estamos com pessoas em posições de poder que entendem que a ciência é fundamental para um país, e dentro desse contexto, realizar esse evento aqui na casa do Museu Nacional, é muito emocionante”, citou. Ele também comparou esse processo com a reconstrução do Museu Nacional, que sofreu com um grave incêndio em 2018, destruindo a maioria de seu acervo. “Antes do incidente tivemos um evento bem aqui, na fachada do museu, então retornar para esse lugar é algo muito significativo”, acrescentou.

O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Renato Janine Ribeiro, afirmou que “esse retorno presencial é importante do ponto de vista do afeto, das pessoas e da vida. É um encontro fabuloso, porque vemos a ciência sendo mostrada e tocada. Eu mesmo brinquei em um jogo em que te esperam e você tem que adivinhar quantos espetos estão encostando em você, e a explicação por trás disso. É uma conquista para todos nós”.

Para a coordenadora do evento público, Ana Carolina Gonzales, o objetivo foi cumprido. “Promover um encontro entre a ciência e a sociedade. Só é possível construir uma cultura científica quando a sociedade se sente partícipe do conhecimento. A população precisa se tornar parte do processo de produção do conhecimento científico”, acrescentou.

No encerramento das atividades, no domingo, Tatiana Roque, da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Prefeitura, celebrou o retorno da secretaria, que havia sido extinta no governo anterior e falou sobre o papel da cidade no setor. “Para o Rio de Janeiro, é fundamental que a ciência e a tecnologia sejam uma maneira da gente revitalizar a cidade. Queremos transformar o Rio na capital da tecnologia e a ciência é fundamental para isso”. Ela terminou seu discurso com uma frase simples, mas extremamente simbólica: “a ciência voltou”.

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