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Presidência da Fiocruz lamenta com profundo pesar o falecimento do pesquisador Milton Ozório Moraes

Milton Ozório Moraes no campus Manguinhos da Fiocruz de terno e gravata

09/11/2022

Ricardo Valverde (Agência Fiocruz de Notícias)

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A Presidência da Fiocruz lamenta profundamente o falecimento do pesquisador Milton Ozório Moraes, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Moraes morreu nesta quarta-feira (9/11), em decorrência de um câncer. Ex-chefe do Laboratório de Hanseníase do IOC, Moraes tinha 51 anos e era considerado um dos maiores estudiosos em fisiopatologia da hanseníase.

Moraes tinha graduação (1992) e mestrado (1996) em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e doutorado em Biologia Celular e Molecular (2000) pela Fiocruz. Ele fez estágio de pós-doutorado no Centro Médico da Universidade Leiden, na Holanda (2001). Moraes foi pesquisador-titular da Fiocruz, professor-adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coordenador do programa Inova Fiocruz como assessor da Vice-Presidência de Produção e Inovação em Saúde e coordenador-geral-adjunto de Educação da Vice-Presidência de Ensino, Informação e Comunicação. No IOC também coordenou o Programa de Pós-graduação Stricto sensu de Biologia Celular e Molecular entre 2006 e 2010.

Suas pesquisas envolviam genômica funcional e análise da expressão gênica em larga escala, epidemiologia genética de doenças infecciosas e análise de polimorfismo genético em genes de citocinas. Em 2021 recebeu o Troféu Bacurau do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase e em 2022 a organização mexicana Fundação Carlos Slim reconheceu sua trajetória científica ao lhe conferir o prêmio internacional Carlos Slim de Saúde.

Ele ingressou no Instituto Oswaldo Cruz em 2002, como pesquisador no Laboratório de Hanseníase e se dedicou a entender a fisiopatologia da doença utilizando uma abordagem multidisciplinar com ênfase em biologia molecular, genética e imunologia com contribuições relevantes ao entendimento dos mecanismos genéticos e imunológicos de subversão da resposta imune exercido por micobactérias. Também foi gerente da Plataforma Tecnológica de Genotipagem e Expressão Gênica do Programa de Desenvolvimento Tecnológico de Insumos para a Saúde (PDTIS), na qual auxiliou o desenvolvimento de projetos de pesquisa e formação de recursos humanos na área de biologia molecular e genômica. Moraes era pesquisador do CNPq e membro da Academia Brasileira de Ciências.

Moraes introduziu experiências solidárias que favoreceram a nucleação de programas de pós-graduação na Fiocruz e em universidades e também participou ativamente de uma experiência pioneira em Moçambique com o curso de Ciências da Saúde. Moraes orientou alunos de iniciação científica, mestrado e doutorado de diversos estados e também muitos estrangeiros, de Moçambique, Argentina, Bolívia, Peru, Colômbia e Índia.

Ele teve cooperações em áreas que exploram a imunopatologia e a suscetibilidade a doenças negligenciadas de pesquisa básica e aplicada, participou de redes de pesquisa de genômica e foi membro de comitês internacionais como o Antimicrobial Resistance (AMR) e o Maltalep. O pesquisador teve 170 artigos publicados em periódicos revisados por pares e foi editor associado da Leprosy review e da Frontiers in Immunology e de periódicos como Lancet Global HealthLancet Infectious DiseasesPLOS pathogens e Journal Infectious Diseases

Entre os destaques recentes de sua trajetória está a criação de um assistente de diagnóstico baseado em inteligência artificial, que pode ajudar a identificar casos suspeitos de hanseníase. Chamada de AI4Leprosy, a iniciativa foi desenvolvida em parceria com um time internacional de cientistas, a Microsoft AI for Health e a Fundação Novartis. O pesquisador também desenvolveu e registrou, junto à Avnisa, em parceria com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), um kit de diagnóstico de hanseníase baseado na detecção de DNA de Mycobacterium leprae.

Milton Ozório Moraes era carioca, filho de Lucia e Milton, pai de Amanda, Bruna, Manuela e Henrique e casado com Daniela. O velório está marcado para esta quinta-feira (10/11), das 11h30 às 14h30, na capela 6 do Crematório e Cemitério da Penitência (Rua Monsenhor Manuel Gomes 307, segundo portão), no Caju.

Leia também: Para sempre, Milton
 

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