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30/05/2019

Museu da Vida comemora 20 anos

Atores da peça O Rapaz da Rabeca e a moça Rebeca

Fonte: COC/Fiocruz

“Somos esse mundo mágico, um oásis, localizado em uma das áreas de maior pobreza da cidade, em um bairro com um dos índices mais baixos de qualidade de vida. Diante de tanta hostilidade, as pessoas sentem amor quando estão aqui”. Com essas palavras, a atriz Letícia Guimarães que atua há 16 anos no Museu da Vida da Fundação Oswaldo Cruz definiu a instituição na cerimônia que comemorou os 20 anos do espaço em 25 de maio. A data foi marcada por uma programação especial, que incluiu o lançamento do livro Ciência em Cena: teatro no Museu da Vida, piquenique científico e festival de teatro.

Diretor da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), unidade da Fiocruz à qual o Museu da Vida está vinculado, Paulo Elian destacou a importância do espaço, dedicado à divulgação e à popularização da ciência e da saúde. “Este projeto singular soube compreender o seu lugar nesta instituição e neste país. Este museu não tem classificação, mas tem funções claras: estética, conhecimento e visão críticas. É um lugar em que atuam cidadãos. O Museu da Vida não busca respostas, busca perguntas e elementos de provocação. Vida longa ao nosso Museu! ”, disse durante o evento. 

A atuação do Museu da Vida como um espaço que aproxima a população da ciência também foi ressaltada pelo ex-presidente da Fiocruz Paulo Gadelha, que participou ativamente da criação do espaço. Ele afirmou que o projeto de Museu da Vida traz consigo os valores centrais da Fundação. “A ciência não pode ficar enclausurada, precisa ser co-construída. A estética e a imaginação são partes da ciência. Esse é o espírito da Fiocruz, da Casa de Oswaldo Cruz e do Museu da Vida”, declarou Gadelha. “Não é à toa que escolhemos ‘Vida’ como o nome do museu. A vida e a qualidade de vida são a expressão maior da saúde”, completou. 

Gadelha lembrou ainda que o Museu da Vida acompanhou o movimento de renovação dos museus de ciência ocorrido no início dos anos 2000. Essa constante renovação continua sendo uma principais marcas do espaço. Com o aporte financeiro de 10 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Museu da Vida vai reconfigurar toda a área de visitação pública no campus da Fiocruz e ampliar, em até três vezes, o circuito de visitação, com a oferta de novas exposições e outras iniciativas de divulgação científica e de valorização do patrimônio histórico. A iniciativa integra o Plano de Requalificação do Núcleo Arquitetônico e Histórico de Manguinhos (NAHM) e pretende conformar o campus da Fiocruz em um campus-parque. 


O lançamento do livro ‘Ciência em cena: teatro no Museu da Vida’ contou com a roda de conversa Trajetória do projeto (Foto: Maria Buzanovsky)

Ciência em Cena: teatro no Museu da Vida 

O que a ciência tem a ver com a arte? Como o teatro pode ajudar na divulgação da ciência? A relação entre ciência e teatro na Fiocruz se confunde com a própria história do Museu da Vida, que incluiu peças e esquetes teatrais nas atividades de divulgação científica e cultural.  Durante o lançamento do livro ‘Ciência em cena: teatro no Museu da Vida’ [clique aqui e confira], as editoras da publicação Thelma Lopes, que participou da concepção do projeto, e Carla Almeida, pesquisadora da COC, falaram sobre a iniciativa, que já produziu e encenou mais de 16 peças e atingiu mais de 60 mil espectadores. “Essa vocação estética e artística está na figura de Oswaldo Cruz, patrono da Fiocruz, basta olharmos para o Castelo da Fiocruz. Não há como negar que é um símbolo estético e que, de alguma maneira, destoa dessa paisagem da Avenida Brasil, do barulho, desse lugar em que as pessoas não se olham, existe um Castelo imponente que, de alguma maneira, nos convida a contemplação, a olhar o tempo de uma outra forma”, disse Thelma.

Carla Almeida lembrou que a publicação é uma construção diversa e coletiva, com vários autores e múltiplas linguagens. “A história do Ciência em Cena tem mais de vinte anos, pois começou antes do Museu da Vida inaugurar oficialmente. Contamos essa história a partir dos retalhos que conseguimos juntar, e essa é uma história em aberto, que os próximos abram aquela porta – da Tenda da Ciência - e continuem escrevendo”, ressaltou Carla. 

Para receber seu público, o Museu da Vida conta com locais para as suas atividades teatrais. Com capacidade para 120 espectadores, a Tenda da Ciência Virgínia Schall é o principal deles. Além da Tenda, há também o Epidaurinho, um pequeno e acolhedor teatro de arena, que ocupa uma área subterrânea próxima à Tenda. O Castelo Mourisco, a Cavalariça e outros espaços, dentro e fora do Museu, também são cenários para as incursões nas artes cênicas. “A imaginação que une o fazer das ciências e das artes moveu o trabalho com teatro para a divulgação e popularização da ciência desde o início. A garra, a alegria e a consciência crítica que moveram este trabalho foram fundamentais para o êxito que hoje assistimos”, destacou Alessandro Batista, chefe do Museu da Vida.

De acordo com a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, é fundamental a comunicação e a divulgação sobre ciência, e o teatro exerce essa função de forma diferenciada. “As linguagens artísticas oferecem um potencial diferenciado neste tipo de divulgação. A arte toca as pessoas de uma outra forma, alcança, emociona, mexe com o público, é profundo nas pessoas, e nós precisamos disso. Em temos difíceis a gente precisa mais ainda, os jovens precisam disso. Isso é capaz de renovar e dar um novo sentido à vida. O Museu da Vida e o Ciência em Cena são uma das áreas mais criativas e inovadoras da instituição”,  finalizou Cristiani, parabenizando a equipe do Museu da Vida, do Ciência em Cena. 

O ator e produtor cultural Gustavo Ottoni, que atuou no Museu da Vida entre 1996 e 2011; e Wanda Hamilton, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), também participaram do lançamento da publicação. 

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