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Matrizes alternativas de água é tema de pesquisa conjunta com a Austrália


25/04/2018

Kath Lousada | VPPCB

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No início do mês de abril, a Fiocruz recebeu pesquisadores da Organização de Pesquisa da Comunidade Científica e Industrial (CSIRO, sigla em inglês), da Austrália, para dar início a um processo de trabalho conjunto em linhas de pesquisas que abordam as matrizes alternativas de água e os riscos de saúde. A ação é resultado do convênio firmado por ambas as instituições em 2017.

Além de participarem de uma programação institucional para conhecer o Campus Manguinhos e os trabalhos desenvolvidos na Fiocruz, Jatinder Sidhu e Simon Toze (CSIRO) integraram o workshop “Água, saneamento e saúde”, organizado pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp) em parceria com o Instituto Oswaldo Cruz (IOC). O evento também contou com o apoio das Vice-Presidências de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS) e de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB).

O workshop objetivou a elaboração de planos de trabalho e a ampliação da rede de pesquisa sobre tal temática. A atividade proporcionou ainda a interlocução da CSIRO com a Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (SVS/MS), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Fluminense (UFF) e unidades da Fiocruz. 

Na abertura do evento, Rosa Souto e José Paulo Leite deram as boas-vindas em nome da Ensp e do IOC, respectivamente. Rodrigo Correa-Oliveira, vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas, apresentou os marcos da atuação da Fiocruz nas áreas de pesquisa, ensino e promoção da saúde, com destaque para a qualidade das atividades desenvolvidas nos Institutos e unidades da fundação. 

Rodrigo fez menção aos 120 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), evidenciando os 35 INCTs que contam com a participação da Fiocruz e os que são coordenados pela instituição, o que despertou interesse por parte dos pesquisadores visitantes. “Este workshop pode abrir janelas importantes de cooperação da Fiocruz com o CSIRO e várias áreas de pesquisa, uma vez que as duas instituições atuam em um número significativo de temas importantes para a saúde”, afirmou o vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas.

Como resultado desta articulação inicial, foram estruturadas três propostas de trabalho que contam também com a parceria da Universidade Federal de Pernambuco. “Os planos que estão sendo desenvolvidos estruturam as bases para a implementação de linhas de pesquisa em três vertentes: análise de risco em água de chuva coletada em telhados, análise de risco para o uso de águas pluviais e recarga gerenciada de aquíferos”, explica Tatsuo Shubo, pesquisador da Ensp/Fiocruz que realizou visita técnica à CSIRO, na Austrália, com a pesquisadora Marize Miagostovich (IOC/Fiocruz) para aprofundar o conhecimento em análise quantitativa de risco microbiológico em matrizes alternativas de água, dando origem ao convênio.

A divisão Land & Water da CSIRO atua na área de gestão de recursos hídricos e no desenvolvimento de tecnologias para o uso racional da água e reutilização de efluentes tratados e águas das chuvas. Na Fiocruz, existem linhas de pesquisa que trabalham com o tema água de chuva, no entanto, a abordagem da análise quantitativa de risco microbiológico em fontes alternativas de água – incluídos nesta definição, além da água de chuva colhida em telhados, as águas pluviais, esgoto tratado, águas cinzas e os mixes destas - é pioneira na instituição. 

A importância do tema para o setor da saúde foi reconhecida pela representante da SVS/MS, Adriana Cabral, presente no workshop. “Os planos de trabalho atendem às expectativas da SVS/MS”, afirmou. A iniciativa foi considerada fundamental para o enfrentamento das mudanças climáticas, onde eventos extremos (seca e enchentes) tendem a se tornar mais constantes e mais intensos. “Especialmente no Nordeste, onde a seca já se prolonga por aproximadamente cinco anos, realizar a análise quantitativa de riscos microbiológicos em carros pipa e as cisternas pode ser um instrumento de grande valor para se pensar as possibilidades de melhoria da qualidade do acesso a água”, complementou Tastuo. 

Inicialmente, as práticas adotadas na Austrália deverão ser adaptadas à realidade brasileira, em função da grande disparidade entre as infraestruturas de ambos os países. Na Austrália, por exemplo, é utilizada águas de drenagem pluvial para recarregar aquíferos, pois a coleta de esgoto e de águas pluviais são sistemas totalmente separados. A diferença demográfica entre os países também constitui outro fator de dificuldade para a adoção de técnicas similares. Em milhões, são 24,5 habitantes na Austrália e 209,3, no Brasil, de acordo com o relatório do Fundo de Populações das Nações Unidas (UNFPA, 2017). Assim, os pesquisadores da Fiocruz optaram por focar na caracterização da qualidade da água de chuva coletada em telhados de prédios localizados no meio urbano do Rio de Janeiro. A partir dessa caracterização, será realizada a avalição quantitativa de risco microbiológico – QMRA (sigla em inglês) para o uso direto (sem tratamento) não potável dessa água. A segunda etapa será a identificação de barreiras sanitárias (tratamentos simplificados ou não) que permitam o uso seguro dessa água dentro de cenários específicos de utilização.

Sobre as semelhanças, de acordo com Tatsuo, a mais significativa é de caráter estruturante. A CSIRO é uma instituição de pesquisa estatal que tem credibilidade junto à população e, por consequência, atuação política. Além disso, as pesquisas desenvolvidas pela CSIRO têm caráter extremamente aplicado. Isso quer dizer o trabalho é realizado no nível estratégico de estado, em parceria com os órgãos reguladores, visando à resolução de questões fundamentais para a manutenção qualidade de vida da população e o desenvolvimento do país. 

“Nesse sentido, iniciar pesquisas que nos permitam adquirir conhecimento teórico e prático gerando subsídios para o país desenvolver soluções confiáveis para as questões de segurança hídrica e alimentar é uma ação estratégica”, avalia Tatsuo Shubo.

Como proposta para as próximas ações, a possibilidade de aproximação entre a CSIRO global e a Fiocruz a fim de ampliar as possibilidades de cooperação não só entre as instituições, mas na formação de uma rede de pesquisa e colaboração entre países da América Latina. 
 

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