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15/01/2020

Fiocruz participa de vistoria na Estação do Guandu

Pesquisadores na estação de tratamento do Guandu

Por: Filipe Leonel (Ensp/Fiocruz) e Pamela Lang (Agência Fiocruz de Notícias)

A Fiocruz participou, na última segunda-feira (13/1), de vistoria técnica nas instalações da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), em Nova Iguaçu, a convite do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente (Gaema/MPRJ).

O objetivo da vistoria foi verificar as condições do rio Guandu, dos equipamentos e da qualidade do tratamento realizado na Estação de Tratamento de Água do Guandu. Além do MPRJ, participaram da ação equipes do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), da Vigilância Sanitária do município e do estado do Rio de Janeiro e da própria Cedae.

“A ação do Ministério Público é muito importante na perspectiva de avançarmos na garantia do acesso à água e ao esgotamento sanitário como direitos humanos, e também evidencia a importância das ações do SUS no campo da vigilância em saúde. A Fiocruz, instituição de saúde estratégica do Estado brasileiro, tem em suas diretrizes institucionais a produção de conhecimento em Saúde, Ambiente e Sustentabilidade, voltadas para o fortalecimento do SUS. Especialmente neste caso, a Fiocruz está intensificando parcerias com os órgãos competentes”, garantiu o vice-presidente de Ambiente, Atenção e Promoção de Saúde da Fiocruz, Marco Menezes.

Durante a vistoria, equipes do Inea e da Vigilância Sanitária do município e do estado do Rio de Janeiro realizaram coletas de água na barragem principal de captação do Rio Guandu, no Reservatório Marapicu e nos pontos de coleta oficiais nos laboratórios da Cedae. Coube à Fiocruz, neste momento, oferecer o conhecimento de seus especialistas na área de saúde e saneamento para balizamento de informações e indicações técnicas ao MPRJ. Não houve envio de amostras para a Fundação. Todo o suporte laboratorial está sendo realizado pelos órgãos competentes.

Segundo os representantes da Fiocruz que estiveram no local, a Estação de Tratamento de Água sofre de vulnerabilidade decorrente da elevada poluição do principal manancial que abastece a Região Metropolitana, o rio Guandu, e uma das possíveis consequências dessa degradação ambiental é a proliferação de algas, responsáveis pela produção de diversas substâncias, como a geosmina, que pode atribuir cheiro e sabor à água.

“O Rio Guandu sofre intensa poluição por esgoto sanitário e efluentes industriais, provenientes de áreas de sua bacia hidrográfica que não possuem sistema de esgotamento sanitário. É fundamental que o abastecimento de água seja compreendido desde a sua fonte até a distribuição nas residências, considerando as perspectivas da justiça ambiental, dos direitos humanos e da promoção da saúde e dos bens comuns”, explicou Menezes.

A experiência da Fiocruz na produção de estudos sobre esgotamento sanitário e seu impacto sobre a saúde pública, além do agravamento da crise hídrica, resultou na criação, em novembro de 2019, do Grupo de Trabalho Água e Saneamento, no âmbito da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção de Saúde da Fiocruz. 

O GT é composto por especialistas de diferentes unidades da instituição e vem atuando com o objetivo de subsidiar discussões, apoiar a produção de conhecimento que identifiquem soluções de saúde pública, promover a interlocução com governos, instituições e movimentos sociais nacionais e internacionais, visando propor e fortalecer políticas públicas em favor ao direito à água e saneamento, e induzir processos estratégicos na pesquisa, educação e cooperação relativos ao tema. 

A Fiocruz permanecerá colaborando com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, bem como com os órgãos públicos responsáveis pelo monitoramento e controle de qualidade da água.

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