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Fiocruz capacita Agentes de saúde para hanseníase


17/01/2023

Isis Breves (Fiocruz Mata Atlântica)

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Em parceria com o Movimento Morhan, a Fiocruz Mata Atlântica (FMA) preparou ações educativas no campus para capacitar profissionais de saúde e informar a população sobre a hanseníase. Nesta quarta-feira (18/1), será realizada a primeira capacitação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) das Clínicas da Família (CF), com uma abordagem multidisciplinar da doença. A atividade contribui com a missão da Fiocruz de fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), com ações intersetoriais e territorializadas para a Promoção da Saúde. O Movimento Morhan é uma entidade sem fins lucrativos, que atua desde 1981, para “possibilitar que a hanseníase seja compreendida na sociedade como uma doença normal, com tratamento e cura, eliminando assim o preconceito e estigma em torno da doença”. 

A ação ocorre no mês dedicado ao Dia Mundial de Combate e Prevenção da Hanseníase (29/1 em 2023) e faz parte da campanha Janeiro Roxo. “A finalidade é capacitar os agentes comunitários de saúde que atuam no território da Colônia Juliano Moreira e adjacências para suspeitarem e encaminharem para o atendimento clínico nas Unidades Básicas de Saúde, para um diagnóstico diferencial e precoce”, explica Isabel Bonna, coordenadora do Escritório Técnico em Saúde Humana da FMA. 

“Precisamos falar sobre hanseníase” esse é o slogan da campanha liderada pelo Movimento Morhan, pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e pela Secretaria Estadual de Saúde (SES) e implementada na Fiocruz Mata Atlântica na sua área territorial de influência. Ocorrerão uma série de capacitações e eventos, ao longo do ano de 2023, ministradas pelos parceiros e direcionadas para diferentes públicos no auditório da FMA. A capacitação iniciará com grupos de agentes comunitários de saúde multiplicadores, seguido do evento “Sarau: saúde em cena – FMA 2023” em março, que abordará de forma lúdica o tema para as comunidades locais. Na segunda quinzena de julho, em parceria com a SMS, será realizada a capacitação para médicos, enfermeiros, assistentes sociais e fisioterapeutas da Atenção Primária à Saúde (APS). Colaboradores da Fiocruz que atuam nos dispositivos do território também receberão a capacitação.

“A importância dessa iniciativa do Janeiro Roxo é fazer com que todos os profissionais de saúde, isso inclui os agentes comunitários de saúde, pensem em hanseníase para que possamos ter uma testagem com foco no diagnóstico precoce. O diagnóstico precoce previne o grau II da doença, que é o estágio que torna a pessoa com incapacidade física. A atenção primária é a porta de entrada dos pacientes, é fundamental que todos que atuam desde a atenção primária, a secundaria até a terciária esteja preparado para pensar em hanseníase ao lidar com o cuidado", explica a dermatologista Cristina Bernardes, da Gerência das Doenças Dermatológicas Prevalentes da SMS. "Devemos falar da hanseníase em todos os lugares na saúde, nas escolas, enfim, nos dispositivos de todo território. Buscar o diagnóstico já nos primeiros sinais da doença é fundamental para a cura sem sequelas. Os ACS capacitados irão contribuir para o controle e prevenção da doença e o combate ao estigma que ainda há em relação aos acometidos. Em breve, a SMS terá acesso aos testes rápidos para hanseníase fornecidos pelo Ministério da Saúde [MS]”. 

Hanseníase

A hanseníase faz parte da Lista Nacional de Notificação Compulsória de Doenças, Agravos e Eventos de Saúde Pública (Portaria de Consolidação MS/GM nº 4, de 28 de setembro de 2017). Segundo dados do MS, entre os anos de 2016 e 2020, foram diagnosticados no Brasil 155.359 casos novos da doença. As ações para a redução da carga da hanseníase no país continuam sendo influenciadas pela pandemia de Covid-19, com impacto no diagnóstico e no acompanhamento dos casos da doença no Brasil. Dados preliminares referentes ao ano de 2021 apontam que o Brasil diagnosticou 15.155 casos novos de hanseníase.

É uma doença que possui tratamento gratuito no SUS e quanto antes diagnosticada maiores as chances de cura sem sequelas. A transmissão acontece com o contato prolongado com a pessoa infectada pela bactéria Mycobacterium leprae sem tratamento. A doença afeta principalmente a pele, os olhos, o nariz e os nervos periféricos. Os sintomas incluem manchas claras ou vermelhas na pele com diminuição da sensibilidade, dormência e fraqueza nas mãos e nos pés.

O estigma e a discriminação têm desempenhado um papel importante na hanseníase há milênios: superá-los é importante para chegar à zero hanseníase. Após a introdução bem-sucedida da poliquimioterapia (PQT), em 1981, as estratégias da Organização Mundial da Saúde (OMS) se concentraram na redução da prevalência, inicialmente para menos de um caso da doença por 10 mil indivíduos da população, e, depois, na redução da detecção de novos casos, incapacidades físicas (especialmente entre crianças), estigma e discriminação.

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