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18/10/2019

Entrega de prêmios marca Semana de Educação na Fiocruz

Participantes da mesa de encerramento

Por: Gustavo Mendelsohn de Carvalho (Agência Fiocruz de Notícias)

Semana da Educação da Fiocruz teve início no Dia do Mestre (15/10), em cerimônia realizada no auditório do Museu da Vida (RJ), dedicada à entrega da Medalha de Mérito Educacional Virgínia Schall, do Prêmio Oswaldo Cruz de Teses de 2019, e à homenagens aos egressos de programas de doutorado da Fiocruz contemplados pelo Prêmio Capes de Tese. Participaram da mesa de abertura a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima; a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação, Cristiani Vieira Machado; a coordenadora-adjunta de Educação, Eduarda Cesse; a vice-presidente da Asfoc-SN, Mychelle Alves; e o coordenador da Associação de Pós-graduação da Fundação (APG), Richarlls Martins.

“Em um momento de intenso ataque à educação pública, à pós-graduação e a ciência e tecnologia no país, celebrar a semana de educação na instituição é mais do que fortalecer nossa produção, é marcar nossa perspectiva de democracia”, afirmou o representante da APG. Na mesma linha, Mychelle Alves defendeu a “educação pública, gratuita e de qualidade, para que a gente tenha um país mais justo e igualitário, e hoje estamos vivendo um processo em que tudo o que faz pensar criticamente está sendo atacado”.

Eduarda Cesse chamou atenção para o fato de que 75% dos trabalhos inscritos para o Prêmio Oswaldo Cruz deste ano foram de mulheres, que também receberam a grande maioria das premiações. Ela agradeceu às autoras e autores das teses “de elevado valor para o avanço do campo da saúde, assim como os docentes que se dedicam ao ensino e à pesquisa na nossa instituição, com trajetórias acadêmicas de alto mérito”.

O simbolismo da cerimônia de entrega dos prêmios, em meio às dificuldades do contexto atual da educação pública e da ciência no país, foi ressaltado pela vice-presidente Cristiani Machado. Para ela, “é importante que possamos coletivamente valorizar o tipo de pesquisa que fazemos aqui, o entendimento da indissociabilidade entre a pós-graduação e a pesquisa, e do quanto os alunos contribuem em produzir conhecimento e trazer soluções para os problemas da nossa sociedade”.

Em sua fala, a presidente da Fiocruz enfatizou o compromisso da instituição com iniciativas e movimentos “que têm hoje a ideia central de que ciência tecnologia e educação têm que ser vistos como investimentos no futuro do nosso país, não podem ser vistos por uma lógica contábil”. Nesse sentido, Nísia referiu-se ao engajamento da Fundação e outras instituições na campanha Ciência, pra que Ciência? (impulsionada pela SBPC contra o desmonte da Capes e do CNPq). Ela agradeceu ainda ao Conselho Deliberativo da Fiocruz pelo apoio a medida emergencial proposta pela presidência, garantindo recursos para manutenção de bolsas de pós-graduação.


Professora Cecília Minayo foi homenageada com a Medalha de Mérito Educacional Virgínia Schall (Foto: Peter Iliciev)

A primeira homenagem no evento foi a entrega da Medalha de Mérito Educacional Virgínia Schall à professora Cecília Minayo, somando-se a uma extensa série de títulos de reconhecimento a sua trajetória na área de saúde coletiva, particularmente em temas relacionados a violência e saúde. A ocasião trouxe uma inovação no formato do cerimonial: a professora foi entrevistada por Suely Deslandes, que foi sua orientanda e colaboradora muito próxima no Centro Latino-Americano de Estudos de Violência e Saúde Jorge Careli (Claves/Ensp/Fiocruz).

Ressaltando a “generosidade e a postura ético-política de parceria e de respeito ao conhecimento do outro” da homenageada, Suely perguntou sobre sua trajetória profissional de 63 anos como professora. “Comecei com 16 anos alfabetizando crianças, e desde o início o meu grande norte foi a questão social”. A professora viveu fora do país “naquela época de trevas” da ditadura, ao lado marido Carlos Minayo, responsável por seu ingresso na Fiocruz. “Desde que entrei aqui me sinto como um peixe na água, tenho uma gratidão imensa à Fundação”, declarou.

Respondendo sobre sua análise da formação em saúde hoje em dia, Minayo disse que “parte do Brasil está em um processo regressivo, mas isso não significa que a ciência e a tecnologia aqui estejam regredindo, quanto mais difícil, maior é nossa vontade de ultrapassar os desafios, não comungo a ideia de abaixar a cabeça e achar que não tem nada pra fazer”. Perguntada sobre o que compartilharia com os que estão iniciando a trajetória profissional como educadores, ela afirmou que “a primeira coisa é amar o que faz, e sempre coloque um ponto de interrogação sobre o significado do seu trabalho para a sociedade e para a população”.


Foto: Peter Iliciev

Na sequência, os homenageados foram chamados para receberem individualmente seus certificados, sempre antecedidos por depoimentos em vídeo sobre suas teses premiadas. Confira os depoimentos e a lista completa dos premiados e seus orientadores.

 

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