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04/10/2019

Efeito das evidências qualitativas na tomada de decisões é tema de simpósio internacional na Fiocruz Brasília


Por: Nathállia Gameiro (Fiocruz Brasília)

No Brasil, cerca de 3 milhões de bebês nascem a cada ano. Para garantir que este momento seja seguro às mães e aos recém-nascidos, são adotadas várias tecnologias e procedimentos, como orientações a profissionais e gestores sobre os efeitos de diferentes intervenções e evidências sobre o uso de recursos ou custos, além de auxílio às mulheres para a escolha do tipo de parto, considerando os ganhos em saúde e os possíveis riscos.

Essas orientações são baseadas em evidências qualitativas, utilizadas para desenvolver diretrizes clínicas, guias de implementação, avaliações de tecnologias em saúde e sínteses de evidências, que dão subsídios à tomada de decisão dos gestores e profissionais de saúde.

A Diretriz Nacional de Assistência ao Parto Normal: relatório de recomendação, as Diretrizes de Atenção à Gestante: a operação cesariana e o Cadernos de Atenção Básica, uma coleção de diretrizes de cuidados primários que descrevem as estratégias recomendadas pelo Ministério da Saúde do Brasil para o cuidado de pessoas com hipertensão arterial, são alguns exemplos desse uso de evidências qualitativas produzidas pela comunidade científica.

O uso dessas evidências qualitativas tem efeitos diretos na saúde população: considera os procedimentos que oferecem maior benefício e menor probabilidade de danos à saúde, pode reduzir a morbimortalidade e trazer melhorias da qualidade de vida e da assistência prestada, padroniza as condutas frente a problemas clínicos específicos, otimiza o cuidado e melhora a qualidade e da segurança do serviço de saúde. Elas também têm um papel importante para a gestão e regulação dos sistemas de saúde, podendo gerar, também, maior eficiência na alocação de recursos e ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a saúde e outras áreas.

O tema da evidência qualitativa para tomada de decisões será abordado durante quatro dias, no 1º Symposium Using Qualitative Evidence to Inform Decisions in the SDG Era: New Frontiers and Innovations (de livre tradução: Uso de Evidências Qualitativas para Decisões Informadas na Era dos ODS: novas fronteiras e inovações). O evento, que será realizado na Fiocruz Brasília entre os dias 8 e 11 de outubro, reunirá grandes nomes da pesquisa qualitativa, pesquisadores, gestores, usuários de evidências e estudantes de diversos países e abordará outras áreas além da saúde: educação, assistência social, crime e justiça, meio ambiente, agricultura, entre outros.

O pesquisador da Fiocruz Brasília e um dos coordenadores do evento, Jorge Barreto, explica que dados empíricos extraídos de pesquisa qualitativa podem desempenhar um papel crítico na formulação de políticas públicas, porque esse tipo de evidência pode capturar as opiniões e as experiências daqueles afetados por uma intervenção ou opção. “Também tem o potencial de humanizar os processos de tomada de decisão e  ajuda a garantir que as intervenções e as opções selecionadas para abordar problemas de saúde e sociais sejam bem aceitas pelos atores, viáveis de serem implementadas e não piorem iniquidades ou acesso aos direitos”, completou.

A programação do simpósio conta com apresentações de trabalhos, plenárias, espaços abertos a discussões de temas emergentes e oficinas. Durante as plenárias, gestores e pesquisadores de instituições científicas do Brasil, Reino Unido e África abordarão os papéis da evidência qualitativa e como ela pode apoiar decisões relevantes para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, as maneiras pelas quais são usadas para humanizar políticas, informar decisões e melhorar a equidade; as maneiras de usá-las para lidar com os desafios globais futuros – como a mudança climática, e analisar como os cidadãos podem usar e contribuir com a coleta de evidências qualitativas.

O simpósio movimentará os jardins e espaços da Fiocruz em Brasília. Ao todo, foram submetidos 450 trabalhos intersetoriais de 29 países, mais de 170 inscrições para o evento presencial, além de 300 para o Simpósio virtual. As inscrições para o simpósio presencial ainda estão abertas a todos os interessados, diante do pagamento de taxas – de 125 a 500 euros – para países de baixa e média renda e de alta renda. Mas atenção, as vagas estão acabando. O valor das taxas é utilizado para viabilizar a participação de pesquisadores de países de baixa renda. As inscrições podem ser realizadas no site do evento.

Para os interessados nos temas do evento, que não puderem vir a Brasília, é possível se registrar para o Simpósio virtual, que incluirá webcasts ao vivo das plenárias e oportunidades para participar das discussões, além de acesso aos materiais apresentados. As inscrições estão abertas até o dia 7 de outubro. Serão realizadas também sessões satélites, eventos menores que integram o Simpósio e são organizadas por diferentes instituições, sediadas na Irlanda, Canadá, Suíça e Noruega. 

O evento é patrocinado no Brasil pelo Ministério da Saúde e Fiocruz Brasília. De fora, são patrocinadores o Centre for Informed Health Choices, Norwegian Institute of Public Health (Noruega), Organização Mundial de Saúde, Cochrane e  Alliance for Health Policy and Systems Research (Genebra- Suíça) . datem o apoio da Colaboração Campbell, EVIPNet Americas, o Instituto Federal de Educação do Espírito Santo, a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, a Universidade Federal de Minas Gerais, a Iniciativa Global de Síntese de Evidência, a Instituto de Saúde de São Paulo, os Sistemas de Saúde Global, a Iniciativa Internacional para Avaliação de Impacto de Londres, a Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (SUS), a Organização Pan-americana de Saúde (OPAS), a Universidade de Campinas, o Instituto Veredas e Universidade de Melbourne – Austrália. 

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