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Covid-19: estudo identifica prevalência da variante Delta em Rondônia

Pesquisadores trabalhando

25/11/2021

José Gadelha (Fiocruz Rondônia)

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De agosto de 2021 até o presente momento, foram sequenciadas 310 amostras de indivíduos infectados pelo Sars-CoV-2, oriundas de mais de 40 municípios do estado de Rondônia. Dessas, 51,61% foram caracterizadas como variante Delta e 48,38% como variante Gamma. O estudo mostra também a presença das subvariantes da Gamma como: P.1.4; P.1.7; P.1.14; P.1.11 e P.1.12 e subvariantes de Delta como: AY.43; B.1.617.2; AY.4 e AY.39.  

O estudo é realizado pelo Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia em colaboração com a Rede de Vigilância Genômica da Fiocruz, Laboratório Central de Saúde Pública de Rondônia (Lacen/RO) e o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). Os resultados são sistematizados e enviados mensalmente à Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), para o acompanhamento das variantes circulantes na região, favorecendo a adoção de medidas sanitárias adequadas em diferentes momentos da pandemia. 

Dados epidemiológicos deste estudo mostram que a faixa etária com maior prevalência entre os infectados foi de 21 a 50 anos, com um percentual de 60,64%. De acordo com Deusilene Vieira, chefe do Laboratório de Virologia Molecular da Fiocruz Rondônia, no estudo foi identificado que 106 indivíduos infectados pelo Sars-CoV-2 desenvolveram quadros moderado e grave da doença, necessitando de internação hospitalar. Desses, 80,35% não eram imunizados ou imunizados parcialmente. 

A pesquisa também comprovou que, no grupo composto por indivíduos não hospitalizados, 65,80% dos infectados foram imunizados com as duas doses da vacina e desenvolveram quadro leve da doença, o que para os pesquisadores representa claramente os efeitos positivos da vacinação, “uma forma segura e efetiva para a não evolução da doença para os casos moderados e graves de Covid-19”, reforçou Deusilene Vieira. 


Imagem: Fiocruz Rondônia

Não vacinados

Alguns aspectos precisam ser analisados em relação à pandemia em Rondônia. Para Juan Miguel Villalobos-Salcedo, médico infectologista e pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Rondônia, é fundamental destacar que, até o momento, mais de 40% da população - a ser imunizada em Rondônia - não completou o quadro vacinal com as duas doses, e o número de pessoas que receberam o reforço é ainda menor. 

Estar vacinado não significa “estar imune ao vírus”, e pessoas vacinadas, que foram contaminadas, também transmitem a doença. O pesquisador alerta para o fato de que é preciso diferenciar “infectados” e “doentes”, segundo ele, pessoas infectadas podem possuir o vírus causador da Covid-19 na mucosa respiratória, enquanto o doente em geral já estaria com o vírus em plena circulação no organismo, atingindo outros órgãos internos, como o pulmão, por exemplo, ocasionando no indivíduo manifestações de cansaço, “falta de oxigênio”, dentre outros sintomas mais severos.  

Por isso, é necessário não perder de vista “que uma pessoa vacinada, em contato com o vírus Sars-CoV-2, em geral, irá desenvolver um quadro assintomático ou muito leve” não necessitando de internação, ao contrário de pessoas não imunizadas que, uma vez infectadas, irão produzir sintomas muito mais graves”. 

Variante Delta é mais transmissível 

O entendimento de que a variante Delta é mais transmissível é consenso na comunidade científica. Dhélio Batista Pereira, diretor clínico do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem), enfatiza que até meados de setembro deste ano, a variante predominante em Rondônia era a P.1 (inicialmente descoberta no Amazonas). “Hoje, por meio de estudos de monitoramento e sequenciamento que são realizados em Rondônia, é possível dizer que, a partir de setembro deste ano, a variante Delta segue predominando no estado, o que acende um alerta para a alta transmissibilidade do vírus e a importância da vacinação completa”, pontuou o pesquisador. Ainda segundo ele, atualmente, a maioria dos quadros de internação por Covid-19, no país, é provocada por indivíduos infectados que não foram imunizados.  

Neste cenário, em que aproximadamente cem mil pessoas aptas à tomarem a segunda dose em Porto Velho, não retornaram para completar o quadro vacinal, a virologista Deusilene Vieira, à frente de estudos relacionados à Covid-19 na Fiocruz Rondônia, avalia como necessário o envolvimento da população com as questões que envolvem o combate à pandemia, e destacou que “o uso de máscaras tem se mantido como um forte aliado na proteção individual contra o novo coronavírus”. 

Deusilene também chamou a atenção para o alto número de não vacinados e vacinados parcialmente em Rondônia. De acordo com a pesquisadora, existe um grande esforço em mobilizações e iniciativas para amenizar os impactos da pandemia na vida da população, “mas os resultados almejados só poderão ser alcançados quando houver, de fato, a conscientização e a participação de todos, sem distinção”.

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