31/03/2025
Yuri Neri (IOC/Fiocruz)*
Atualmente, muitas plataformas online fazem parte da rotina acadêmica de professores e estudantes do ensino superior no Brasil. Em 2020, contudo, o cenário era diferente.
“Com a pandemia de Covid-19, houve uma necessidade de ensino remoto emergencial da noite para o dia, em que professores foram obrigados a se reinventar e sair da aula presencial para aula online, muitas vezes sem nunca ter ouvido falar no nome dessas plataformas”, lembrou a pedagoga do Campus Virtual da Fiocruz, Cláudia Reis.
A ponderação foi feita durante a palestra ‘Ensino híbrido no IOC: novidades e possibilidades’, realizada no quarto dia de atividades da Semana de Abertura do Ano Acadêmico do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), em 27/03.
O encontro visou refletir sobre o ensino híbrido em um contexto pós-pandêmico e alinhar conceitos fundamentais para a prática.
“A gente já vem trabalhando com ensino remoto síncrono e assíncrono desde a pandemia. Agora chegou o momento de sistematizar esse modelo”, comentou a vice-diretora adjunta de Ensino, Informação e Comunicação do IOC, Norma Brandão, responsável por mediar o encontro.
A programação completa está disponível aqui.
Assista à íntegra da transmissão no YouTube:
O ensino híbrido combina atividades presenciais e online de forma integrada, buscando o melhor de cada modelo. No entanto, a pesquisadora alerta que práticas como gravar aulas presenciais e disponibilizá-las online, ou usar plataformas como Google Classroom como repositório, não são suficientes para configurar ensino híbrido. Isso porque, segundo ela, não é apenas uma questão de tecnologia, mas de design educacional.
“A modalidade híbrida é a combinação intencional e planejada de atividades de aprendizagem presenciais e mediadas por tecnologias digitais, visando a personalização, a flexibilização e o aprimoramento do processo formativo”, explicou.
Para isso, Cláudia sugere estratégias didáticas distintas, como rotação por estações — em que os estudantes alternam entre diferentes “estações” de aprendizagem (análise online, discussão presencial, laboratório) — e sala de aula invertida — em que os alunos leem textos e assistem a vídeos sobre o tema, em casa, para discutir na aula.
A pedagoga também apresentou os desafios da nova Instrução Normativa n.º 2/2024 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), publicada em dezembro de 2024, que define as regras para processos híbridos nos cursos presenciais.
A normativa proíbe, por exemplo, que atividades assíncronas — como leituras ou vídeos gravados — sejam contabilizadas como carga horária, e ainda exige que as disciplinas do percurso formativo não sejam ofertadas de forma completamente remota.
Além disso, as instituições deverão capacitar os docentes para usar estratégias híbridas de ensino. A Capes vai considerar a adesão à normativa como critério na avaliação dos programas de pós-graduação, com impacto direto na nota dos cursos.
Por outro lado, Cláudia aponta oportunidades na modalidade híbrida, como a personalização das aulas, a flexibilização do tempo de aprendizagem e o aumento do engajamento dos estudantes.
“Quando o aluno percebe que ele é o cocriador da disciplina, o que é facilitado pelo ensino híbrido, ele se engaja”, concluiu.
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