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Estados do Nordeste publicam pesquisas sobre a saúde de jovens e adolescentes em parceria com a Fiocruz


18/02/2025

Eric Veiga Andriolo (Agenda Jovem Fiocruz)

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Bahia, Ceará e Rio Grande do Norte publicaram o diagnóstico inicial sobre as necessidades de saúde de adolescentes e jovens, bem como das redes regionais de atenção à saúde para essa população. É o resultado do projeto “Prospecção de Linha de Cuidado para a Saúde na Adolescência e Juventude para o Sistema Único de Saúde (LCA&J)”.

As três notas informativas podem ser acessadas aqui: Bahia; Ceará; Rio Grande do Norte.

A iniciativa é coordenada pela Agenda Jovem Fiocruz em parceria com as secretarias de Juventude e Saúde dos três estados, bem como a secretaria de Igualdade Racial da Bahia, em um esforço para fomentar uma política de saúde sistematizada e baseada em evidências para benefício dos adolescentes e jovens que usam o SUS.

“Jovens têm necessidades distintas de acordo com a faixa etária e outros marcadores sociais. Por exemplo, nem todo jovem é adolescente”, explica o coordenador da Agenda Jovem Fiocruz, André Sobrinho. “Apesar de sofrerem vários agravos à saúde, pessoas jovens apresentam dificuldade em acessar os serviços. Por isso, uma estratégia de atenção à saúde para a população jovem pode oferecer um melhor acolhimento. Isso requer alinhamento entre pesquisa e gestão, o que abre muitas possibilidades de adaptação ao território”.

A “prospecção” é a etapa de avaliação do público da política pública e dos serviços disponíveis. Graças a ela, é possível desenhar as medidas a serem tomadas considerando as demandas da população local e a realidade do serviço público.

“Linha de Cuidado” é uma metodologia de planejamento em saúde desenvolvida como uma estratégia do SUS para estabelecer um “percurso assistencial” ideal dos pacientes em todos os níveis de atenção. Para isso, é preciso padronizar e organizar a oferta de ações de saúde para um segmento, criando orientações, descrevendo as rotinas do paciente e criando canais de comunicação entre diferentes serviços e equipes. A proposta visa garantir atenção integral à saúde de jovens e adolescentes.

Esse projeto tem como referencial a proposta de política pública de linha de cuidado desenvolvida desde 2014 em São Paulo por uma equipe da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) em parceria com diversas universidades, centros de pesquisa e instâncias de gestão do SUS. A equipe de pesquisadores participou do projeto desde o seminário inicial em agosto de 2023. 

Para a prospecção, os pesquisadores de cada estado escolheram uma região de saúde como região-piloto, para aprofundamento de diagnósticos. Na Bahia, foi escolhida a região de saúde de Ilhéus, que apresenta várias comunidades rurais, quilombolas e indígenas, além de já ser alvo de monitoramento da saúde de adolescentes. No Ceará a região de saúde escolhida foi a de Maracanaú, área industrial na região metropolitana de Fortaleza, com alta porcentagem de jovens e altos níveis de violência nessa faixa etária. A equipe do Rio Grande do Norte elegeu a região de Saúde de Mossoró, que apresenta números elevados de internações e mortes de jovens e adolescentes. 

As notas informativas fazem recomendações para a política de saúde. Entre elas, recomenda-se trabalhar com a juventude dividida em subfaixas etárias, para diferenciar adolescentes e jovens adultos em diferentes percursos de vida. Também recomenda que os governos deem atenção a recortes sociais de gênero, raça e de região, além de indicadores socioeconômicos, porque esses fatores levam a necessidades diferentes de saúde.

“É um ponto de partida e a partir do qual podemos ampliar o conhecimento sobre como a rede de serviços pode atuar de forma mais integrada para promover o cuidado integral à saúde de adolescentes e jovens nos serviços dos SUS”, diz a pesquisadora da FMUSP, Maria Altenfelder. 

“Este é um momento muito propício para fazermos essa discussão. Essas experiências podem contribuir para a política nacional com ferramentas para se concretizar no dia a dia dos serviços”, afirma a pesquisadora, referindo-se à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes e Jovens, que está em elaboração pelo Governo Federal. 

As notas também recomendam que os serviços de saúde promovam “a escuta e diálogo entre diferentes atores envolvidos nos processos de: gestão”, especialmente os adolescentes e jovens, que devem ter garantia de acesso ao serviço, preservação do direito ao sigilo e confidencialidade das consultas e protagonismo nas decisões sobre seu cuidado.

Para Luciana Olinto, responsável técnica pela área de adolescência e juventude da secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte, o projeto da Fiocruz dá uma importante contribuição aos estados ao fornecer dados para embasar decisões sobre a política de saúde. “Nos territórios, nem sempre existem dados e indicadores. Muitas ações são executadas, na ponta, por costume. Quando a Fiocruz nos traz essas pesquisas, nos fornece um retrato da situação do estado naquele recorte temporal”, afirma.

A Agenda Jovem Fiocruz (AJF) é uma plataforma colaborativa de projetos sociais, vinculada à Presidência da Fiocruz, que articula temas do SUS para uma Política Nacional da Juventude. A AJF desenvolve iniciativas nas áreas de pesquisa, educação, informação, serviços em saúde e ações territorializadas voltadas para as juventudes, com suporte da Coordenação de Cooperação Social. A AJF organiza grupos de trabalho compostos de profissionais de várias Unidades Técnico-Científicas da Fiocruz e firma parcerias com entidades governamentais, organizações de cooperação internacional e organizações da sociedade civil para a defesa do direito à saúde da juventude brasileira.

 

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