17/02/2025
Eric Veiga Andriolo (Agenda Jovem Fiocruz)
A Agenda Jovem Fiocruz (AJF) participou do debate online "Como anda a saúde do jovem trabalhador da escala 6 X 1 ?", a convite da Revista Fórum, sobre a saúde da juventude trabalhadora e a invisibilização dos jovens no contexto das políticas públicas.
O coordenador da Agenda Jovem, André Sobrinho, e a socióloga Helena Abramo, que participou do Dossiê Juventude, Saúde e Trabalho da AJF, conversaram com a coordenadora do movimento Vida Além do Trabalho (VAT) Priscilla Araújo. O debate foi apresentado por Maria Frô e o Pastor Zé Barboza Jr.
Os participantes falaram sobre a convergência entre as más condições de trabalho e os problemas de saúde entre pessoas jovens.
"A gente está numa geração em que as pessoas gastam mais da metade do salário em remédios controlados. Trabalhei em serviços em que vi a juventude tendo que beber, gastando mais da metade do salário em cigarro pra aguentar trabalhar. Então, o que a gente está chamando de trabalho para começo de conversa?", provocou Priscilla Araújo.
"A gente vê uma ausência de destaque forte em torno da condição de Saúde da Juventude trabalhadora, exatamente por causa de tudo isso, quer dizer, são os que mais ocupam os trabalhos precários, informais, intermitentes, nessa escala exaustiva e extenuante, e tendo que lidar (...) com essas jornadas múltiplas", disse André Sobrinho. "Isso tem um impacto tanto na saúde mental como na saúde física". Completou.
Dados levantados pela AJF e a Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV) revelam que, entre 2016 e 2022, jovens foram as vítimas de um terço de todos os acidentes de trabalho registrados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os dados também mostram alto número de internações por abuso de substâncias entre jovens homens. Entre as mulheres, há alto índice de acidentes com materiais biológicos e procura por atendimento devido a transtornos mentais provocados pelo trabalho.
Os dados constam no dossiê “Panorama da Situação de Saúde de Jovens Brasileiros de 2016 a 2022: Intersecções entre Juventude, Saúde e Trabalho”, publicado em 2023.
Esses dados, junto com a manifestação de jovens trabalhadores em movimentos como o VAT, evidenciam que há no Brasil condições de trabalho que fazem mal aos trabalhadores, e isso está deixando de ser visto como algo normal.
"Muitas vezes, até as políticas formuladas por sociólogos e economistas ficam lidando com o trabalho juvenil como se fosse uma coisa passageira, que não precisa ter todos os direitos", comentou a socióloga Helena Abramo, que destacou o erro de se tratar a população jovem pela lente do desemprego, quando a maior parte dessa população trabalha. "Para você combater o desemprego você tem que dar estímulo à empresas e um dos estímulos é retirar os direitos (...) é uma é uma precarização programada."